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G7 libera 100 milhões de barris para conter crise, mas Saudi Aramco alerta que petróleo pode levar até 2 anos para se recuperar mesmo após reabertura do Estreito de Ormuz
Escrito por Carla Teles
Publicado em 06/10/2026 às 21:09
Atualizado em 06/10/2026 às 21:10
Petróleo e Gás
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Petróleo enfrenta pressão global enquanto G7 libera reservas emergenciais e Saudi Aramco prevê até dois anos para recompor estoques após eventual reabertura de Ormuz.
O mercado de petróleo enfrenta uma combinação de estoques pressionados, dificuldades no transporte marítimo e incerteza sobre o Estreito de Ormuz. Enquanto o G7 anunciou a liberação de 100 milhões de barris de petróleo e diesel das reservas de emergência durante quatro meses, o presidente e CEO da Saudi Aramco, Amin H. Nasser, afirmou que a recuperação dos estoques globais poderá levar até dois anos depois que a passagem marítima voltar a operar normalmente.
As informações foram publicadas pelo Xataka em 6 de outubro de 2026, com referências ao El Periódico de la Energía, Reuters e BBC. O cenário envolve o fechamento de Ormuz, a resposta coordenada pela Agência Internacional de Energia e a necessidade de reconstruir estoques consumidos enquanto uma das rotas mais importantes do comércio mundial de energia permanece afetada.
Saudi Aramco calcula que mercado de petróleo pode precisar de até dois anos para recompor estoques
A avaliação apresentada por Amin H. Nasser durante o Fórum de Inteligência Energética, em Londres, indica que uma eventual reabertura do Estreito de Ormuz não resolveria imediatamente os desequilíbrios acumulados durante a interrupção. Segundo o executivo da Saudi Aramco, a reposição das reservas e o atendimento normal da demanda podem exigir até dois anos, dependendo do tempo que o bloqueio ainda permanecer em vigor.
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O problema está relacionado ao volume que deixa de circular normalmente enquanto o estreito permanece fechado. Quanto mais longa for a interrupção, maior tende a ser a quantidade de petróleo retirada de estoques para compensar dificuldades de abastecimento. Na avaliação apresentada por Nasser, essa diferença precisará ser reconstruída depois que o transporte marítimo voltar ao padrão anterior.
A reabertura de Ormuz representaria, portanto, apenas uma das etapas da recuperação. Navios-tanque poderiam retornar às rotas habituais, mas produtores, refinarias, importadores e governos ainda teriam de restaurar os fluxos comerciais e recompor as reservas utilizadas durante a crise. O intervalo estimado em até dois anos mostra que o impacto pode continuar sendo sentido mesmo depois do restabelecimento físico da passagem.
G7 anuncia liberação de 100 milhões de barris de petróleo e diesel das reservas de emergência
Diante da pressão sobre o abastecimento e os preços, o G7 anunciou a liberação de 100 milhões de barris de petróleo e diesel de reservas emergenciais. O volume deverá ser colocado no mercado ao longo de quatro meses, numa ação coordenada pela Agência Internacional de Energia para reforçar a oferta disponível enquanto persistem as dificuldades associadas ao Estreito de Ormuz.
O grupo reúne Estados Unidos, Japão, Alemanha, Reino Unido, França, Itália e Canadá. Apesar do anúncio, ainda não foi detalhado quais países participantes colocarão seus estoques no mercado nem qual será o ritmo individual de liberação. Essa definição será relevante para determinar como os barris chegarão às diferentes regiões e em que velocidade poderão aliviar os mercados mais pressionados.
A medida funciona como uma resposta emergencial e não substitui a retomada permanente dos fluxos comerciais. Reservas estratégicas existem justamente para serem utilizadas em momentos de interrupção relevante do fornecimento, mas seu uso reduz os estoques disponíveis e cria posteriormente a necessidade de reposição. Esse movimento ajuda a explicar por que a Saudi Aramco projeta uma recuperação prolongada mesmo após eventual normalização de Ormuz.
Estreito de Ormuz continua no centro da crise após meses de interrupção no transporte
O cenário descrito pela fonte começou após o fechamento do Estreito de Ormuz pelo Irã, em resposta à ofensiva conjunta dos Estados Unidos e de Israel ocorrida em 28 de fevereiro. Sete meses depois, os efeitos continuam atingindo o transporte marítimo, o fornecimento de petróleo bruto e os preços dos combustíveis em diferentes mercados.
A incerteza também permanece sobre quando a passagem será reaberta. Segundo informação atribuída pela fonte à Reuters, o presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Qalibaf, afirmou à mídia estatal que Ormuz não será reaberto enquanto as sete condições de um acordo provisório assinado com os Estados Unidos em junho não forem cumpridas.
Enquanto não há definição, a margem de segurança do mercado energético diminui. Cada período adicional de restrição aumenta a dependência de rotas alternativas, estoques estratégicos e ajustes feitos por importadores. Para o mercado de petróleo, isso significa que o problema deixa de ser apenas a quantidade produzida e passa a envolver também a capacidade de levar o produto aos destinos que dependem dessas cargas.
Importadores procuram novos fornecedores enquanto fluxo do Oriente Médio permanece pressionado
A Espanha aparece como exemplo de país que ampliou a diversificação dos fornecedores durante a crise. Dados da Corporación de Reservas Estratégicas de Productos Petrolíferos citados pela fonte indicam que as importações espanholas de petróleo bruto alcançaram 5,705 milhões de toneladas em agosto, avanço de 11% em relação ao mesmo mês de 2025.
A Nigéria foi o maior fornecedor naquele mês, com 1,035 milhão de toneladas e participação de 18,1% no total. México respondeu por 648 mil toneladas, ou 11,4%, enquanto a Venezuela forneceu 641 mil toneladas, equivalentes a 11,2%. Os Estados Unidos aparecem em seguida, com 632 mil toneladas e participação de 11,1%.
Do Oriente Médio, a Espanha recebeu 378 mil toneladas, o equivalente a 6,6% das importações, principalmente da Arábia Saudita e dos Emirados Árabes Unidos. Não houve fornecimento do Iraque no período citado, embora o país seja um dos fornecedores habituais. Os dados mostram como compradores passaram a reorganizar suas origens de abastecimento diante das restrições sobre uma rota fundamental para o comércio internacional de energia.
Reabertura de Ormuz pode encerrar bloqueio, mas não elimina desequilíbrio criado no mercado
Mesmo que o Estreito de Ormuz volte a operar em plena capacidade, o mercado ainda precisará reconstruir estoques e recuperar os fluxos comerciais afetados durante os meses de interrupção. A circulação normal de petroleiros reduziria parte da pressão logística, mas não devolveria automaticamente ao sistema o volume de reservas utilizado durante a crise.
Também será necessário restabelecer a confiança das empresas envolvidas no comércio de petróleo, reorganizar contratos e rotas e recuperar os níveis de segurança dos estoques. A liberação de 100 milhões de barris pelo G7 oferece uma reserva adicional no curto prazo, mas esses volumes também terão de ser recompostos posteriormente.
A estimativa de até dois anos apresentada pela Saudi Aramco mostra que a duração do bloqueio será decisiva para determinar o tamanho da recuperação necessária. O próximo ponto concreto será acompanhar tanto as negociações relacionadas à reabertura de Ormuz quanto o ritmo de liberação das reservas emergenciais do G7.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

