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EUA preparam empréstimo de US$ 4,2 bilhões para aumentar geração nuclear em usinas existentes enquanto IA, carros elétricos e criptomoedas pressionam demanda por energia
Escrito por Carla Teles
Publicado em 03/10/2026 às 20:55
Atualizado em 03/10/2026 às 21:02
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Financiamento à Vistra deverá atingir pelo menos três das quatro usinas nucleares da companhia; anúncio oficial estava previsto para segunda-feira em instalação às margens do Lago Erie, em Ohio.
O governo dos Estados Unidos deverá emprestar cerca de US$ 4,2 bilhões à Vistra Corp para aumentar a produção de energia nuclear em usinas que já estão em operação, segundo uma pessoa familiarizada com o assunto ouvida pela Reuters. O financiamento deverá ser usado para elevar a potência, processo conhecido como uprate, em pelo menos três das quatro estações nucleares administradas pela companhia.
A informação foi publicada pela Reuters em 3 de outubro de 2026. Segundo a fonte ouvida pela agência, o secretário de Energia dos EUA, Chris Wright, deverá anunciar a operação na segunda-feira, em uma usina nuclear da Vistra às margens do Lago Erie, em Ohio. Até a publicação, Departamento de Energia e Vistra não haviam respondido aos pedidos de comentário.
Empréstimo de US$ 4,2 bilhões deverá elevar produção de usinas existentes
O objetivo do financiamento é aumentar a quantidade de eletricidade produzida por instalações nucleares já construídas, em vez de depender exclusivamente de novos projetos.
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O processo pode envolver alterações no combustível ou nos próprios equipamentos da usina. Segundo a Comissão Reguladora Nuclear dos Estados Unidos, a NRC, as empresas podem realizar uprates por meio do uso de combustível com teor ligeiramente maior de enriquecimento ou com modificações relevantes em componentes, como a substituição das turbinas principais.
Esse tipo de expansão é utilizado há décadas. A NRC informa que companhias do setor aplicam uprates desde os anos 1970 para elevar a potência de reatores em operação.
Até 2022, mais de 170 aumentos de potência já haviam sido aprovados pela agência reguladora, segundo os dados citados pela Reuters.
Vistra opera seis reatores que produzem mais de 6,5 GW
A Vistra possui seis reatores distribuídos em quatro usinas nucleares nos Estados Unidos, com capacidade conjunta superior a 6,5 GW.
Segundo a Reuters, esse volume de eletricidade é suficiente para abastecer aproximadamente 3,25 milhões de residências.
O financiamento deverá atingir ao menos três dessas quatro unidades, embora a reportagem não detalhe quais instalações serão incluídas nem quanto cada uma poderá adicionar à sua produção.
A estratégia entra em uma nova fase de expansão de capacidade ao priorizar aumento de geração dentro da infraestrutura nuclear já existente.
Esse formato pode acelerar a entrada de nova potência em relação à construção completa de novas usinas, embora a fonte não apresente prazos, custos individuais ou aumento total esperado em megawatts para as unidades da Vistra.
Aumento de potência pode ocorrer sem novas licenças de reator
Um dos pontos destacados pela Reuters é que a ampliação prevista poderá ocorrer sem necessidade de novas licenças de reator pela NRC.
Isso não significa ausência de supervisão regulatória. O que a fonte afirma é que as alterações de potência fazem parte de procedimentos já conhecidos e aplicados dentro do parque nuclear existente.
Entre as possibilidades estão mudanças no combustível utilizado e grandes intervenções em equipamentos.
A vantagem econômica está em aproveitar estruturas que já operam e possuem conexão com a rede, instalações físicas e reatores em funcionamento.
A reportagem, porém, não informa qual será exatamente a combinação de intervenções escolhida pela Vistra nas usinas contempladas pelo financiamento.
Data centers de IA ajudam a pressionar demanda de eletricidade
A iniciativa acontece em um momento em que a demanda por energia elétrica nos Estados Unidos volta a crescer pela primeira vez em décadas, segundo a Reuters.
Entre os principais fatores estão a expansão acelerada dos data centers de inteligência artificial, a eletrificação dos transportes e a mineração de criptomoedas.
Essas atividades adicionam grandes cargas à rede e aumentam a busca por fontes capazes de produzir eletricidade de forma contínua.
Nesse cenário, a energia nuclear ganha espaço por oferecer geração de grande escala a partir de ativos já existentes.
O aumento da demanda também passa a pressionar decisões de investimento em infraestrutura, mesmo quando a expansão ocorre dentro de instalações que já estão em operação.
Governo quer quadruplicar capacidade nuclear até 2050
O presidente Donald Trump estabeleceu como objetivo quadruplicar a capacidade nuclear dos Estados Unidos até 2050, segundo a Reuters.
O Departamento de Energia dispõe de centenas de bilhões de dólares em capacidade de financiamento por meio de seu escritório de empréstimos.
Chris Wright já afirmou anteriormente que a maior parcela dessa capacidade deverá ser direcionada ao setor nuclear.
O empréstimo à Vistra se encaixa nessa estratégia, mas a operação ainda dependia do anúncio oficial previsto para segunda-feira no momento da publicação da reportagem.
A informação sobre os US$ 4,2 bilhões havia sido divulgada inicialmente pela Bloomberg e posteriormente confirmada pela Reuters com uma fonte familiarizada com o assunto.
Expansão nuclear tenta responder a nova pressão sobre a rede
O movimento mostra uma diferença importante em relação à construção convencional de novas usinas nucleares.
Em vez de começar novos complexos do zero, o governo pretende financiar modificações que permitam retirar mais eletricidade dos reatores que já existem.
Esse caminho aproveita infraestrutura instalada e uma prática regulatória utilizada há décadas pelas empresas americanas.
Ao mesmo tempo, a escala financeira permanece elevada: o empréstimo planejado chega a aproximadamente US$ 4,2 bilhões.
A fonte não informa quanto de capacidade adicional será obtido com os investimentos, nem detalha o cronograma de implantação.
O próximo passo conhecido era o anúncio formal do secretário de Energia, Chris Wright, previsto para a segunda-feira seguinte à publicação, em uma das instalações nucleares da Vistra no Estado de Ohio.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

