A Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) mobilizou uma equipe técnica para apurar relatos e imagens que sugerem o ingresso de indígenas isolados na Comunidade Santa Cruz, localizada na zona rural de Jordão, no interior do Acre. Segundo o órgão, as informações chegaram à Coordenação da Frente de Proteção Etnoambiental Envira (CFPE-EVA) na última terça-feira (20).
Os registros foram encaminhados por servidores da Base de Proteção Etnoambiental (BAPE) D’Ouro, vinculada à Unidade Avançada II, em Jordão. As informações preliminares têm como base fotografias e vídeos captados por sistemas de monitoramento instalados em propriedades da região.
Após tomar conhecimento do caso, a CFPE-EVA mobilizou uma equipe do Serviço de Qualificação e Localização (SEQLII) para iniciar os procedimentos de acompanhamento. Os servidores já realizavam, desde o dia 14 de outubro, uma expedição regular de monitoramento territorial na calha do alto rio Muru, que abrange comunidades ribeirinhas próximas à área de ocupação tradicional identificada pela Funai como Referência nº 115, associada aos Isolados/Cabeludos do Humaitá.
A atividade tem como objetivo atualizar informações sobre a dinâmica territorial dos povos indígenas em isolamento, identificar possíveis pressões e fatores de risco e orientar os moradores da região sobre a importância de respeitar os limites dos territórios tradicionais.
Com apoio operacional do Serviço de Proteção Etnoambiental (Seprote) e da Unidade Avançada II, os técnicos se deslocaram até a localidade para dar início aos protocolos institucionais de acompanhamento. A equipe realiza o levantamento de informações com os moradores e promove ações de sensibilização sobre as diretrizes de proteção estabelecidas pelo órgão.
Nos próximos dias, os trabalhos de campo devem se concentrar na busca e análise de vestígios materiais deixados na comunidade, além da identificação de possíveis rotas de deslocamento. Segundo a Funai, essas etapas são necessárias para aprimorar as informações disponíveis sobre a identidade étnica do grupo mencionado nos relatos.
O órgão ressaltou que o monitoramento e a vigilância territorial ocorrem de forma contínua no complexo que abrange as cabeceiras dos rios Tarauacá, Muru e Envira. A atuação envolve frentes especializadas e equipes instaladas nas Bases de Proteção Etnoambiental das Unidades Avançadas I, em Xinane; II, em Jordão; e III, em Humaitá.
Ao final da nota, a Funai reafirmou o compromisso com a proteção dos direitos dos povos indígenas isolados e de recente contato. O órgão destacou que a política de não contato, o respeito à autodeterminação dessas populações e a garantia da exclusividade do uso de suas terras tradicionais permanecem como diretrizes centrais do Estado brasileiro para a proteção desses povos.

