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Grupo Atem retira carga de grandes navios no Amazonas e usa balsa equivalente a 200 caminhões para vencer a queda do nível dos rios
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 09/10/2026 às 11:43
Atualizado em 09/10/2026 às 11:45
Indústria Naval
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Grupo Atem transfere petróleo de navios para balsas em Itacoatiara e usa embarcação equivalente a 200 caminhões para manter fluxo até Manaus.
Um grande navio carregado de petróleo chega pelo Rio Amazonas, mas parte de sua carga precisa sair antes de continuar rumo a Manaus. Segundo o D24AM, em reportagem publicada em 8 de outubro de 2026, o Grupo Atem realizou as duas primeiras operações da vazante deste ano em sua base fluvial de Itacoatiara, transferindo petróleo diretamente de navios para balsas-tanque da Navemazônia. Em um dos transbordos, a balsa Lumpsum recebeu sozinha carga equivalente à capacidade de 200 caminhões-tanque, reduzindo o peso e o calado do navio para que ele pudesse enfrentar trechos mais rasos da rota até a capital amazonense.
Grupo Atem começou a operação especial na primeira semana de outubro
As primeiras duas operações da temporada de vazante de 2026 ocorreram em uma área de fundeadouro no Rio Amazonas, em Itacoatiara. A estrutura é operada pela Navemazônia, braço de logística fluvial do Grupo Atem, e funciona como ponto intermediário antes do trecho final da viagem para Manaus.
O objetivo é adaptar a quantidade de carga transportada às condições reais de navegação. Quando o nível dos rios cai, um navio pesado afunda mais na água e pode encontrar limitações para passar com segurança por determinados pontos do percurso.
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A Lumpsum recebeu carga equivalente a 200 caminhões-tanque
Em uma das operações realizadas neste mês, a maior balsa da Navemazônia, chamada Lumpsum, foi posicionada ao lado do navio para receber parte do petróleo.
O volume transferido foi comparado pelo grupo à capacidade de aproximadamente 200 caminhões-tanque.
A Lumpsum já havia sido apresentada pela Atem nas operações de estiagem anteriores como uma balsa de grande capacidade. Em 2024, a companhia informou capacidade próxima de 12 milhões de litros, equivalente ao transporte realizado por várias balsas convencionais.
Tirar carga faz o navio subir na água
A lógica da operação depende de um conceito chamado calado. Ele corresponde à distância entre a superfície da água e a parte mais baixa do casco que permanece submersa, aumentando quando a embarcação recebe mais peso.
Ao transferir parte da carga para balsas, o navio fica mais leve e sobe alguns centímetros ou metros na água, dependendo das condições e do volume retirado. Essa diferença pode ser decisiva quando a profundidade disponível diminui durante a estiagem.
Costa do Tabocal está entre os pontos críticos até Manaus
O alívio dos navios busca facilitar a passagem por regiões consideradas mais difíceis durante a vazante, especialmente a Costa do Tabocal e a região da enseada do Madeira. Esses trechos ficam no caminho entre Itacoatiara e Manaus e podem impor restrições maiores conforme o nível do rio diminui.
Em vez de impedir completamente a viagem do navio maior, a estratégia redistribui parte da carga para embarcações capazes de navegar com menor calado. Navio e balsas passam, assim, a dividir o transporte até o destino.
A operação ship-to-barge acontece no meio do rio
A transferência direta de um navio para uma balsa é conhecida internacionalmente como ship-to-barge. As duas embarcações precisam ser posicionadas de forma controlada para que mangueiras, bombas e demais sistemas permitam movimentar a carga com segurança.
A base de Itacoatiara também permite realizar o processo inverso, chamado barge-to-ship. Segundo as informações divulgadas nesta semana, as operações de 2026 mobilizaram dezenas de embarcações entre balsas-tanque, lanchas e estruturas de apoio.
O petróleo precisa continuar chegando à Refinaria da Amazônia
Parte importante dessa logística está conectada à Refinaria da Amazônia, Ream, instalada em Manaus. A unidade recebe petróleo e fornece derivados para distribuidoras, empresas de navegação e outras atividades econômicas da região.
Durante a estiagem, restrições à navegação dos grandes navios podem atingir justamente a etapa anterior à chegada desse petróleo à refinaria. A base fluvial de Itacoatiara funciona como uma forma de contornar temporariamente esse gargalo físico.
As balsas conseguem operar em condições de profundidade nas quais determinados navios de maior porte passam a enfrentar restrições. Por isso, quando a água baixa, elas deixam de atuar apenas como embarcações complementares e passam a assumir uma parcela maior da movimentação.
Essa característica é especialmente importante na Amazônia, onde rios funcionam como verdadeiras rodovias. Há localidades sem ligação rodoviária contínua com os grandes centros, fazendo do transporte fluvial uma parte essencial do abastecimento.
Experiência de 2024 mostrou o tamanho que a operação pode alcançar
A Atem já precisou utilizar essa estrutura em grande escala durante a estiagem histórica de 2024. Naquele ano, a operação montada em Itacoatiara movimentou mais de 500 milhões de litros de combustíveis em aproximadamente 80 dias, segundo dados divulgados pela própria companhia.
Para descarregar completamente determinados navios durante aquela temporada, eram utilizadas em média oito balsas. Esse histórico não significa que o mesmo volume será movimentado em 2026, mas mostra a escala logística que a estrutura pode alcançar quando as condições dos rios pioram.
Grupo Atem combina transporte fluvial e rodoviário
O plano para 2026 não depende apenas das balsas. O Grupo Atem afirma combinar monitoramento dos rios, antecipação de viagens, formação de estoques e reforço de frota para reduzir os riscos causados pela estiagem.
Essa estrutura conecta a Refinaria da Amazônia, a Atem Distribuidora, a Navemazônia no transporte fluvial e a Rodoamazônia no transporte terrestre. A carga pode mudar de embarcação e até de modal conforme a situação encontrada em cada trecho.
O desafio vai além do abastecimento dos postos
O combustível movimentado pela cadeia logística amazônica atende postos, navegação, atividades econômicas e sistemas de geração de energia.
A própria Atem informa distribuir mais de 2 bilhões de litros por ano e fornecer combustível para grande parte das usinas termelétricas atendidas por sua estrutura no Amazonas.
Nas estiagens anteriores, o grupo destacou também o atendimento a dezenas de usinas de sistemas isolados, onde a geração térmica continua necessária porque muitas comunidades não possuem conexão ao Sistema Interligado Nacional.
O rio determina quanto cada navio consegue carregar
A operação realizada nesta semana mostra uma característica particular da indústria logística amazônica. Em regiões conectadas por rodovias, uma queda no nível de um rio pode ter efeito limitado sobre o abastecimento, mas no Amazonas ela pode alterar diretamente a quantidade de combustível que uma embarcação consegue transportar.
O resultado é uma operação em que parte da carga de um navio precisa ser retirada centenas de quilômetros antes do destino.
O petróleo continua avançando, mas dividido entre embarcações com calados diferentes e coordenadas para superar as limitações naturais da rota.
Itacoatiara vira ponto de redistribuição antes de Manaus
Com a nova temporada de vazante, a base instalada pela Navemazônia volta a funcionar como uma espécie de estação fluvial de redistribuição.
Grandes navios chegam carregados, parte do petróleo é transferida e balsas seguem viagem enquanto a embarcação principal continua com peso reduzido.
A imagem da Lumpsum recebendo o equivalente a 200 caminhões-tanque resume a dimensão da operação. Em vez de interromper o transporte quando a água baixa, o Grupo Atem fragmenta uma grande carga entre embarcações capazes de atravessar os pontos críticos e mantém a cadeia avançando até Manaus.
A primeira semana de outubro marcou apenas o início das operações especiais de 2026. A intensidade dos próximos transbordos dependerá da evolução do nível dos rios, mas a estrutura montada em Itacoatiara já voltou a funcionar como uma das principais respostas logísticas para manter petróleo e derivados circulando pelo Amazonas durante a estiagem.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

