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Grupo Condumax Incesa prepara investimento de R$ 160 milhões em nova fábrica no interior de São Paulo para atender à demanda por energia
Escrito por Andriely Medeiros de Araújo
Publicado em 28/10/2026 às 18:15
Atualizado em 28/10/2026 às 18:20
Indústria
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Condumax Incesa planeja investir R$ 160 milhões em nova fábrica em Olímpia (SP), com capacidade de até 700 toneladas mensais de cabos elétricos em 2027.
O Grupo Condumax Incesa pretende investir R$ 160 milhões na construção de uma nova fábrica em Olímpia, no interior de São Paulo, em 2027. O empreendimento será dedicado à fabricação de cabos de média tensão, com capacidade projetada de até 700 toneladas mensais de cabos de alumínio isolados. A iniciativa busca ampliar a produção nacional diante da modernização das redes de eletricidade e das oportunidades abertas pelo crescimento dos data centers e pela eletrificação da mobilidade. As informações são da EXAME.
O investimento integra uma estratégia que também contempla a ampliação da unidade industrial já existente no município. Sob o comando do CEO Marcos Matias, a empresa procura aumentar sua participação no fornecimento de materiais para infraestrutura elétrica e fortalecer sua atuação em outros segmentos industriais.
Concessionárias de energia representam 40% do faturamento do grupo
Uma parcela importante da receita da Condumax Incesa já depende diretamente dos investimentos realizados pelas distribuidoras de eletricidade. No ano de 2025, quando o grupo faturou aproximadamente R$ 1,7 bilhão, esse mercado respondeu por cerca de R$ 680 milhões.
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Entre as empresas atendidas estão Copel, EDP, CPFL, Enel e Neoenergia. De acordo com Matias, a fabricante mantém relações comerciais de longo prazo com grandes concessionárias, incluindo contratos recentemente renovados e novas homologações que permitem ampliar o fornecimento de produtos.
O cenário também envolve um volume expressivo de recursos destinados à infraestrutura elétrica brasileira. Dados da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee), mencionados pelo executivo, indicam investimentos estimados em R$ 260 bilhões até 2030.
Esses recursos estão associados a melhorias na resistência das redes a falhas e eventos adversos, além da digitalização e da atualização dos sistemas de distribuição. Para a Condumax Incesa, a existência de contratos e a perspectiva de novas encomendas ajudam a sustentar os planos de aumento da produção.
Nova unidade terá estrutura de aproximadamente 200 metros para fabricação de cabos
O projeto industrial previsto para 2027 inclui a instalação de uma linha de catenária, equipamento utilizado na fabricação dos cabos que serão produzidos na futura unidade. A estrutura deverá alcançar cerca de 200 metros de extensão, com altura aproximada de 30 metros.
A Condumax Incesa afirma que a instalação será a mais longa e produtiva do país em sua categoria. Essa avaliação, apresentada pela própria companhia, faz parte das expectativas relacionadas ao novo empreendimento.
A fábrica também permitirá desenvolver uma linha de produtos de média tensão programada para lançamento em 2027. A intenção é atender tanto às necessidades tradicionais da infraestrutura de energia quanto às exigências de instalações com elevado consumo elétrico, incluindo centros de processamento de dados.
A escolha de Olímpia mantém o novo investimento no município onde a empresa iniciou suas atividades. A cidade fica a aproximadamente 430 quilômetros da capital paulista e já abriga parte das operações industriais do grupo.
Ampliação da fábrica existente acrescenta 10 mil toneladas à capacidade anual
O avanço industrial não depende apenas da futura unidade. A Condumax Incesa também realizou investimentos para aumentar a estrutura de fabricação que já mantém em Olímpia, com inauguração da ampliação ocorrido em 27 de outubro de 2026.
A operação foi dimensionada para alcançar aproximadamente 35 mil toneladas anuais de fios e cabos, ante as 25 mil toneladas anteriores. A diferença representa um acréscimo de cerca de 10 mil toneladas por ano, equivalente a uma expansão de 40%.
Na estrutura física, a empresa incorporou aproximadamente 30 mil metros quadrados de instalações, elevando a área construída para cerca de 55 mil metros quadrados. O projeto também contempla a criação de 50 postos de trabalho.
Os efeitos dessa ampliação variam conforme o mercado atendido. Para a produção direcionada à distribuição de eletricidade, Matias informou que o grupo passa a contar com o dobro da capacidade anterior. Já nas operações voltadas à indústria automobilística, a elevação prevista é próxima de 30%.
Crescimento dos data centers exige investimentos além da geração de energia
Embora as concessionárias representem a principal base de demanda no curto prazo, a Condumax Incesa também acompanha as oportunidades associadas à expansão da inteligência artificial.
O funcionamento de grandes estruturas de processamento de dados exige eletricidade disponível de maneira contínua, além de sistemas capazes de sustentar suas necessidades operacionais. Essa característica coloca a infraestrutura elétrica entre os fatores considerados nos projetos de novos data centers.
Na avaliação de Marcos Matias, a participação significativa de fontes renováveis na matriz brasileira favorece a atração de empreendimentos interessados em utilizar energia limpa. Entretanto, o executivo considera que essa condição precisa ser acompanhada por melhorias nas redes e pela capacidade de atendimento dos fornecedores instalados no país.
A preocupação com a infraestrutura também orienta investimentos em tecnologia. O grupo trabalha com soluções para redes inteligentes, incluindo dispositivos que auxiliam na localização de falhas e na prevenção de perdas provocadas pelo furto de eletricidade.
Outra frente envolve o desenvolvimento de cabos flexíveis de alumínio, concebidos para oferecer maior versatilidade de utilização e alternativas de custo. A companhia ainda observa o mercado de energias renováveis, especialmente as perspectivas de crescimento dos sistemas de armazenamento elétrico por baterias.
Exportação de cabos brasileiros entra nos planos de crescimento
A ampliação da produção também pode modificar o perfil das vendas internacionais da Condumax Incesa. Atualmente, a empresa comercializa produtos em dez países, com destaque para componentes de conexão da marca Incesa.
Com mais capacidade disponível, o grupo pretende acrescentar cabos fabricados no Brasil à sua atuação no exterior. Entre os mercados considerados estão os Estados Unidos e países latino-americanos, embora a companhia não tenha apresentado metas específicas de exportação.
A entrada em novos mercados exige superar dificuldades relacionadas aos custos logísticos e tributários brasileiros, reconhecidas pelo CEO. Para enfrentar essas condições, a empresa aposta em processos automatizados, maior escala industrial e produtos que incorporem tecnologias de maior valor agregado.
O planejamento internacional também pode avançar por caminhos diferentes das exportações. Matias afirmou que a companhia estuda possibilidades de aquisições e até de implantação de instalações produtivas fora do território brasileiro. Essas alternativas, porém, permanecem em avaliação, sem confirmação de operações ou investimentos específicos.
Empresa fundada em 1964 mantém origem familiar e aposta em nova gestão
A trajetória da Condumax Incesa começou há mais de seis décadas, quando Benito Benatti e Alvaro Brito fundaram o negócio em Olímpia, em 1964. A fabricação de terminais de bateria marcou a etapa inicial da empresa, que posteriormente diversificou sua produção para atender novas atividades econômicas.
Benatti também ficou conhecido por idealizar o Termas dos Laranjais, parque aquático localizado na cidade. A companhia, por sua vez, continuou vinculada à família fundadora e ampliou sua presença em mercados como agronegócio, construção civil, energia, indústria automotiva e fontes renováveis.
Uma mudança importante na administração ocorreu em abril de 2026, com a chegada de Marcos Matias à posição de CEO. O executivo acumula mais de 30 anos de experiência no setor elétrico e já ocupou a presidência da Schneider Electric no Brasil.
Entre as prioridades estabelecidas pela atual gestão estão o reconhecimento da marca, a incorporação de novas tecnologias e o fortalecimento da capacidade produtiva.
Fonte
EXAME
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Andriely Medeiros de Araújo.

