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Indústria naval leva 16 propostas às eleições de 2026 e quer transformar encomendas, conteúdo nacional, financiamento e estaleiros em política permanente de Estado
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 05/10/2026 às 15:38
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Com 70 mil empregos diretos e 49 navios na carteira, a indústria naval brasileira leva 16 propostas ao debate eleitoral de 2026 para transformar encomendas, conteúdo nacional, financiamento e regras dos estaleiros em política permanente.
A indústria naval brasileira entrou de vez no debate das eleições de 2026 com uma agenda de 16 propostas que tenta transformar a atual retomada dos estaleiros em uma política de longo prazo. O documento foi preparado pelo Sinaval e levado ao debate eleitoral com medidas sobre encomendas, financiamento, conteúdo local, tributação, BR do Mar, novos mercados e estabilidade regulatória.
O documento busca evitar que a recuperação atual seja interrompida por mudanças de governo, cortes de encomendas ou alterações frequentes nas regras. Segundo o sindicato, o setor passou de 23 mil para 70 mil empregos diretos nos estaleiros entre 2023 e 2026 e reúne uma carteira de 49 navios, além de projetos de FPSOs, embarcações de apoio, defesa e navegação interior.
Setor quer transformar a retomada dos estaleiros em política permanente
A agenda foi organizada em cinco eixos: demanda e mercado; tributação e regimes aduaneiros; financiamento e garantias; política de Estado; e novos mercados. Ao todo, são 13 propostas de alcance nacional e três específicas para o Rio de Janeiro.
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Entre os pontos nacionais estão mudanças na Lei nº 14.301/2022, que criou o BR do Mar, a regulamentação do Renaval e do Drawback, além de uma proposta de renegociação de dívidas da indústria naval por meio de um programa semelhante a um Refis.
O Sinaval também defende a criação de um fundo garantidor para a indústria naval. A medida busca reduzir uma das barreiras enfrentadas pelos estaleiros na contratação de projetos de grande valor e longa duração: a oferta de garantias para acesso ao crédito.
O Sinaval também defende a participação de bancos privados como agentes financeiros do Fundo da Marinha Mercante. O FMM é uma das principais fontes de financiamento da construção naval brasileira, e ampliar a rede de agentes pode aumentar as opções para empresas que buscam recursos para novas encomendas.
A agenda inclui ainda uma proposta de desoneração da folha salarial de estaleiros e marítimos. O tema ganha peso em uma indústria que depende de mão de obra qualificada e de ciclos longos de contratação, formação e manutenção de equipes.
Conteúdo nacional, encomendas e financiamento aparecem no centro das propostas
O documento coloca a previsibilidade das encomendas como uma questão estratégica. Na avaliação do Sinaval, os estaleiros conseguem investir em equipamentos, fornecedores e formação de trabalhadores com mais segurança quando existe uma carteira contínua de projetos.
O sindicato também defende políticas de conteúdo nacional para manter no Brasil uma parcela maior dos gastos feitos em navios, plataformas e embarcações, estimulando fornecedores locais de aço, equipamentos, sistemas, engenharia e serviços especializados.
A entidade associa esse ponto à recuperação observada nos últimos anos. A carteira atual inclui 49 navios e projetos ligados a FPSOs, apoio marítimo, defesa e navegação interior, segmentos capazes de movimentar diferentes tipos de estaleiros e fornecedores.
Para o Sinaval, o risco é repetir o ciclo vivido entre 2015 e 2022. O presidente da entidade, Ariovaldo Rocha, afirmou que interrupções nas encomendas e mudanças frequentes de regras podem destruir em poucos anos uma capacidade industrial que levou décadas para ser construída.
Rio de Janeiro ganha capítulo próprio com três medidas
Além das propostas nacionais, a agenda dedica um bloco específico ao Rio de Janeiro. Das 16 medidas apresentadas, três são voltadas diretamente ao mercado fluminense.
Uma delas trata da transação tributária estadual, tema em tramitação na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Outra aborda a regulamentação de um decreto estadual ligado a resíduos e desassoreamento.
A terceira propõe uma política estadual para o polo naval fluminense, reunindo medidas sobre ICMS, formação de mão de obra e encomendas. O objetivo é criar condições mais previsíveis para estaleiros e fornecedores que atuam no estado.
O foco no Rio acompanha o peso do estado na cadeia offshore brasileira, que reúne estaleiros, operações de petróleo, bases de apoio, fornecedores, engenharia e demanda por reparação e manutenção naval.
Agenda chega às eleições com 70 mil empregos e 49 navios na carteira
O Sinaval usa os números da retomada para defender que as políticas do setor ganhem caráter permanente. Segundo a entidade, os empregos diretos nos estaleiros saltaram de 23 mil para 70 mil entre 2023 e 2026.
A carteira de 49 navios também aparece como sinal de que a construção naval voltou a ganhar escala. Ao mesmo tempo, o sindicato sustenta que encomendas isoladas não bastam para manter a cadeia produtiva por muitos anos.
Estaleiros e fornecedores precisam planejar investimentos com antecedência, contratar e qualificar trabalhadores e organizar linhas de produção que podem levar anos para atingir plena capacidade. É nesse ponto que a entidade tenta deslocar o debate de medidas temporárias para uma estratégia contínua.
O sindicato afirma que não possui partido político e que pretende dialogar com todas as candidaturas interessadas. A agenda de 2026 busca fazer com que encomendas, financiamento, conteúdo nacional e regras do setor sobrevivam à troca de governos e deixem de depender de decisões pontuais.
A mensagem do setor é que a retomada já ocorreu, mas ainda precisa ser consolidada. O debate eleitoral passa a incluir uma escolha de longo prazo: tratar a indústria naval como uma sequência de ciclos ou transformá-la em política permanente de Estado.
Fontes
Propostas da Indústria Naval para as Eleições de 2026
Eleições: Sinaval apresenta agenda com 16 temas a candidatos
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

