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Investidores da Raízen veem a Receita abrir mão de R$ 8,5 bilhões em multas e juros, e a empresa quita uma dívida de R$ 16,7 bilhões pagando só R$ 2,5 bilhões em dinheiro
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 29/10/2026 às 00:40
Atualizado em 29/10/2026 às 00:41
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A Raízen fechou nesta quarta-feira (28) uma transação tributária de R$ 22,4 bilhões com a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e a Receita Federal, com R$ 8,5 bilhões de desconto em multas e juros.
O acordo foi comunicado em fato relevante e envolve a companhia e outras empresas do grupo, segundo o resumo do documento publicado pelo Atlas Público, que acompanha os comunicados enviados à CVM.
A Raízen opera a marca Shell nos postos do país e produz etanol e açúcar em usinas de cana. Desde março, está em recuperação extrajudicial.
Da dívida de R$ 22,4 bilhões, R$ 16,7 bilhões são da empresa
Do total negociado, R$ 16,7 bilhões são de responsabilidade econômica da própria Raízen. Os outros R$ 5,7 bilhões cabem, em última instância, aos acionistas controladores.
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O comunicado não detalha como será paga a parte dos controladores, observou o g1. A Raízen é controlada pela Cosan e pela Shell.
O desconto de R$ 8,5 bilhões vale só para a parcela da companhia. Com ele, o saldo que a Raízen precisa liquidar cai de R$ 16,7 bilhões para R$ 8,2 bilhões.
Só R$ 2,5 bilhões saem do caixa
Dos R$ 8,2 bilhões restantes, a maior parte não será paga em dinheiro. A Raízen vai usar R$ 5,7 bilhões em prejuízos fiscais para abater a dívida.
Prejuízos fiscais são perdas apuradas no cálculo dos tributos que, pela lei, podem ser usadas para reduzir imposto a pagar. Aqui, viram moeda para quitar parte do débito.
O resto, R$ 2,5 bilhões, será pago à vista. Na conta final, a empresa resolve uma dívida de R$ 16,7 bilhões com 15% desse valor em dinheiro.
O desconto de R$ 8,5 bilhões equivale a 51% da parcela da companhia. O Pipeline, do Valor, resumiu que PGFN e Receita aceitaram reduzir o montante à metade. Na transação tributária, a União abre mão de multas e juros em troca de receber o restante da dívida com garantia de pagamento.
O acordo é condição para a reestruturação andar
Segundo a Raízen, a transação é uma das condições precedentes para a reestruturação financeira prevista no plano de recuperação extrajudicial, e por isso é etapa relevante do processo.
A empresa pediu a recuperação extrajudicial em março para renegociar cerca de R$ 65,1 bilhões em dívidas financeiras. Em julho, a Justiça de São Paulo aprovou o plano, que trata de cerca de R$ 61,4 bilhões com bancos e investidores, segundo o g1.
São negociações separadas. A recuperação cuida das dívidas com credores financeiros. O acordo de agora resolve a parte devida à União em tributos.
As projeções da safra foram revistas
No mesmo dia, a Raízen divulgou uma versão atualizada do material apresentado aos credores financeiros, com revisões de dados operacionais e financeiros da safra 2026/27, informou a CNN Brasil.
A companhia disse que vai atualizar a seção de projeções do Formulário de Referência no prazo regulamentar, com as estimativas revisadas e os motivos das mudanças.
A empresa ressaltou que as projeções refletem a expectativa atual da gestão e não garantem resultado futuro.
A assembleia de acionistas é nesta quinta-feira (30)
O próximo passo é o aumento de capital. A Assembleia Geral Extraordinária e a assembleia especial dos preferencialistas foram convocadas para 30 de outubro, segundo comunicado de 26 de outubro resumido pelo Atlas Público.
O aumento será de no mínimo R$ 3,5 bilhões e de no máximo R$ 39,8 bilhões. As ações ordinárias e as preferenciais classe B sairão a R$ 0,25, e as units, a R$ 0,50.
A data de corte passou para o fechamento do pregão de 6 de novembro. Quem comprar ações a partir de 9 de novembro já leva o papel sem direito de subscrição.
O código RAIZ4 muda em 3 de novembro
Quem tem ação preferencial da Raízen vai ver o papel mudar de nome na bolsa. A partir de 3 de novembro, as ações negociadas como RAIZ4 passam a ser preferenciais classe A, com o código RAIZ55.
A troca não altera a quantidade de papéis nem o valor das posições, segundo a empresa. O prazo para exercer o direito de subscrição vai de 9 de novembro a 8 de dezembro.
As preferenciais classe B, criadas no aumento, não serão negociadas em bolsa. A Raízen recomenda as units, por esperar mais liquidez.
Credores vão ficar com mais de 80% da empresa
Pelo plano, os credores aceitaram converter dívida em ações e devem ficar com mais de 80% do capital da Raízen, segundo o NovaCana, com informações da Bloomberg News.
Isso abriu uma disputa pelos créditos. A FS, produtora de etanol de milho de Mato Grosso, e o fundo soberano Mubadala, de Abu Dhabi, avaliam comprar dívidas da Raízen antes da conversão, disseram pessoas ouvidas pela agência.
A FS contratou o Morgan Stanley para assessorar a possível compra. As conversas estão em estágio preliminar, e as empresas não comentaram. O IG4 Capital agora mira só créditos ligados à divisão de açúcar e etanol.
A Fitch já tinha rebaixado a empresa
O acordo chega dias depois de a Raízen ser rebaixada pela Fitch para default restrito, nota dada a empresas que deixam de pagar parte das dívidas enquanto renegociam com credores.
Aqui no site, o detalhe está na matéria sobre o rebaixamento da Raízen pela Fitch.
A dívida subiu com safras ruins e juros altos
A situação financeira da Raízen piorou com investimentos elevados, problemas climáticos nas safras de cana, oscilação do preço do açúcar e juros altos, segundo o g1.
No fim de dezembro de 2025, a dívida líquida da companhia era de R$ 55,3 bilhões. No trimestre encerrado naquele mês, o prejuízo foi de R$ 15,6 bilhões, dos quais R$ 11,1 bilhões vieram de baixa contábil.
Você investiria no aumento de capital da Raízen a R$ 0,25 por ação ou acha que o risco ainda é alto demais? Conte nos comentários.
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Fontes
Raízen e empresas do grupo fecham transação tributária de R$ 22,4 bilhões com PGFN e Receita Federal
Raízen fecha acordo de R$ 22,4 bilhões com a União e abate R$ 8,5 bilhões em multas e juros
Raízen fecha acordo tributário de R$ 22,4 bilhões e revisa projeções
Raízen adia data de corte para 6 de novembro e fixa aumento de capital de R$ 3,5 bi a R$ 39,8 bi
Mubadala e FS avaliam a compra de dívida da Raízen, dizem fontes
Em acordo, Raízen consegue desconto de R$ 8,5 bi em dívida tributária
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

