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Trabalhadores da fábrica de pneus da Sumitomo em Fazenda Rio Grande (PR) fazem 3 turnos, 7 dias por semana, há 13 anos, mas a japonesa descarta ampliar a unidade enquanto importados ocupam 70% da reposição
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 29/10/2026 às 00:15
Atualizado em 29/10/2026 às 00:16
Economia
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A fábrica de pneus da Sumitomo Rubber em Fazenda Rio Grande, na Grande Curitiba, completou 13 anos rodando em três turnos e sete dias por semana, mas a empresa descarta, por enquanto, uma nova expansão, mesmo com espaço e capacidade para crescer.
A informação foi dada por Fábio Torres, diretor de vendas de reposição e de marketing da Sumitomo, à AutoIndústria, em reportagem publicada nesta terça-feira (27).
Segundo ele, qualquer novo passo depende de uma sinalização forte de crescimento do mercado brasileiro. Hoje a demanda ainda não justifica ligar equipamentos que já estão instalados na unidade.
São 2,2 mil funcionários, quatro vezes o número da inauguração
A fábrica produz os pneus Dunlop e Falken e é uma das 11 que o grupo japonês mantém no mundo. Ela emprega 2,2 mil funcionários, quatro vezes mais do que quando foi inaugurada, em 2013.
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A rotina é a mesma desde o primeiro ano: três turnos, sete dias por semana. São 335 dias de produção por ano. Os outros 30 ficam reservados para a manutenção das máquinas.
Para quem trabalha na linha, isso significa escala de revezamento o ano inteiro. A parada só acontece quando a manutenção programada desliga os equipamentos.
A unidade faz 23 mil pneus de carro e 2 mil de caminhão por dia
A capacidade diária atual fica em torno de 23 mil pneus para veículos leves e 2 mil para pesados, segundo a AutoIndústria.
Sem grandes obras, a produção poderia chegar a cerca de 30 mil pneus por dia. É exatamente essa folga que a empresa prefere não usar enquanto o mercado não reagir.
Cerca de 75% do que sai da fábrica vai para a reposição no Brasil, 20% para as montadoras e 5% para exportação a países da América Latina, incluindo o México.
Foram R$ 2,45 bilhões investidos desde 2013
A planta passou por pelo menos três ciclos de investimento. O último, de cerca de R$ 1,1 bilhão, foi anunciado em 2021 e concluído no fim de 2024. Em 13 anos, o total chega a R$ 2,45 bilhões.
Em fevereiro, a Gazeta do Povo registrou esse último ciclo em R$ 1,06 bilhão e descreveu a unidade como a mais moderna da empresa na América Latina.
Espaço não falta. Dos 500 mil metros quadrados do terreno, 171 mil têm área construída, e o projeto modular permite erguer mais 109 mil metros quadrados.
Os importados já ficam com 70% da reposição de pneus
O freio tem nome: a avalanche de pneus importados, a maioria da China. Segundo a Anip, a associação dos fabricantes, as importações para reposição cresceram 58,3% de janeiro a agosto.
No mesmo período, as vendas das fabricantes nacionais para a reposição caíram 13,3%. Os importados passaram a responder por 70% desse mercado, contra 34% em 2019, mostrou a AutoData.
A China respondeu por 81% das importações de pneus de passeio até agosto. É justamente na reposição, onde a Sumitomo concentra três quartos da produção, que a disputa ficou mais dura.
No pneu de caminhão, a importação dobrou
O quadro mais grave está nos pneus de carga. As importações nesse segmento cresceram 116,2% entre janeiro e agosto, e os nacionais ficaram com só 28% da reposição.
Em números, as fabricantes instaladas no país venderam 2,8 milhões de pneus de carga à reposição até agosto, contra 3,1 milhões no mesmo período de 2025. As vendas totais de pneus de carga nacionais recuaram 7,2%, para cerca de 4 milhões.
Para a Anip, a perda de capacidade produtiva doméstica pode deixar o país mais exposto aos preços e à logística internacional de um produto essencial para a economia.
A gente vê o reflexo disso na decisão da Sumitomo: a fábrica está cheia, mas a empresa não quer apostar em mais capacidade sem saber quem vai comprar.
Os fabricantes pedem tarifa maior, como fizeram México e Europa
A Anip cobra do governo medidas contra os importados. Em julho, a entidade lembrou que o México elevou a tarifa de importação de pneus para 35% e que a União Europeia aplica até 45,3% sobre os pneus chineses.
“Há um claro desequilíbrio no mercado brasileiro de pneus”, disse Rodrigo Navarro, presidente da Anip, à Transporte Moderno. Os pedidos aguardam análise do Ministério do Desenvolvimento.
A associação também acusa parte dos importadores de não recolher pneus velhos. Com dados do Ibama, fala num passivo de mais de 500 mil toneladas em 14 anos.
O tema já apareceu aqui quando os pneus importados avançaram sobre o mercado brasileiro.
A resposta da empresa é ampliar linha, garantia e serviço
Segundo Torres, a Sumitomo enfrenta a concorrência ampliando a linha de produtos, inclusive com medidas novas e itens importados para motos, além de mais garantia e serviços.
“Na pandemia criamos as lojas contêineres para atender os caminhoneiros em postos de combustíveis nas estradas. Seguimos com esse serviço, que hoje reúne 55 pontos”, disse o diretor.
Os contêineres ficam nos postos de rodovia e atendem o motorista de caminhão no caminho, sem que ele precise desviar até uma revenda na cidade.
Um pneu para caminhão elétrico deve ser apresentado em 2027
Os projetos de desenvolvimento no Brasil já incluem produtos para veículos eletrificados. Segundo Torres, o primeiro pneu voltado a caminhões elétricos de carga deve ser apresentado em 2027.
A empresa não informou se esse pneu será feito em Fazenda Rio Grande nem quanto pretende investir no desenvolvimento.
O que falta para a Sumitomo ligar as máquinas paradas
A Sumitomo não detalhou qual nível de vendas consideraria uma sinalização forte, nem quantos empregos uma nova expansão poderia abrir na Grande Curitiba.
Por ora, a fábrica segue no limite da rotina de 13 anos, com a folga de produção guardada para quando o mercado voltar a crescer.
Na hora de trocar o pneu do carro ou do caminhão, você escolhe o fabricado no Brasil ou o importado mais barato? Conte nos comentários o que pesa na sua decisão.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

