Faça um comentário
6 min de leitura
Pentágono autoriza teste de arma de calor que atinge mais de 800 metros e provoca sensação de queimadura na pele; equipamento poderá ser usado na fronteira dos EUA com o México
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 22/10/2026 às 14:28
Atualizado em 22/10/2026 às 14:30
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Tecnologia já foi considerada para conter travessias irregulares, mas preocupações com afogamentos, direitos humanos e soberania mexicana impediram seu uso em operações anteriores
O governo dos Estados Unidos autorizou uma nova avaliação de uma tecnologia militar que provoca uma sensação intensa de calor na pele humana. O equipamento, conhecido como Sistema de Negação Ativa (ADS), será emprestado ao Departamento de Segurança Interna (DHS) por sete meses. A decisão consta de um memorando assinado pelo secretário de Defesa, Pete Hegseth, em setembro de 2026, segundo reportagem exclusiva da CNN.
A medida chama atenção porque o sistema utiliza um feixe invisível de ondas eletromagnéticas, capaz de alcançar distâncias superiores a 800 metros. Embora seja classificado como uma arma não letal, seu possível emprego contra imigrantes na fronteira com o México levanta preocupações sobre segurança, legalidade e consequências físicas. O pedido apresentado pelo DHS não esclarece onde ocorrerão os testes nem como o equipamento poderá ser utilizado futuramente.
Sistema de Negação Ativa utiliza ondas eletromagnéticas para provocar calor intenso na pele
O funcionamento do Sistema de Negação Ativa é diferente daquele de armamentos convencionais. Em vez de disparar projéteis, a tecnologia emite ondas eletromagnéticas que provocam uma sensação imediata de calor quando atingem a pele humana. Segundo as Forças Armadas americanas, o feixe pode alcançar distâncias superiores a 800 metros, permitindo atingir pessoas sem contato físico direto.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Autoridades do Pentágono comparam o efeito à sensação de abrir um forno quente e receber uma onda intensa de calor. Os militares afirmam que o desconforto provoca um impulso instintivo de afastamento, enquanto o formigamento pode permanecer entre 10 e 15 minutos. Essa reação é justamente o mecanismo utilizado para dispersar pessoas.
Apesar da classificação como arma não letal, o equipamento desperta preocupações sobre possíveis ferimentos e acidentes. O risco não envolve somente a exposição ao feixe, mas também o comportamento das pessoas ao tentar escapar rapidamente da sensação de queimadura.
Pentágono autorizou empréstimo da arma por sete meses a partir de setembro de 2026
A autorização foi formalizada em um memorando assinado por Pete Hegseth, que permite ao Departamento de Segurança Interna receber temporariamente um sistema ADS. O empréstimo começou em setembro de 2026 e terá duração prevista de sete meses. Durante esse período, o DHS poderá avaliar a tecnologia e desenvolver procedimentos para uma possível utilização em operações na fronteira americana.
O documento estabelece que integrantes do Departamento de Guerra não deverão operar o equipamento. Essa determinação separa a atuação dos militares das atividades que poderão ser conduzidas pelo departamento responsável pela segurança interna. Ao término do período autorizado, o DHS poderá solicitar uma prorrogação, conforme a necessidade operacional.
A autorização, entretanto, não representa uma decisão definitiva sobre o emprego da arma contra imigrantes. Segundo a CNN, o pedido não especificou os locais dos testes nem apresentou detalhes sobre as condições de uma eventual utilização futura.
Tecnologia militar já esteve no Afeganistão, mas não foi utilizada em combates ativos
A história do Sistema de Negação Ativa começou muito antes da atual discussão sobre a fronteira mexicana. Há quase duas décadas, as Forças Armadas americanas levaram o equipamento ao Afeganistão, mas decidiram não empregá-lo em operações de combate ativo. A tecnologia permaneceu associada a avaliações sobre controle de multidões e afastamento de pessoas.
Os militares também consideraram utilizar o sistema em instalações americanas no exterior que mantinham suspeitos de terrorismo detidos. A possibilidade foi discutida internamente, porém acabou descartada, segundo uma fonte familiarizada com essas deliberações ouvida pela CNN.
O histórico mostra que o equipamento já despertava dúvidas antes da autorização concedida em 2026. Mesmo desenvolvido para provocar afastamento sem recorrer a munições convencionais, seu emprego enfrentou questionamentos sobre segurança e adequação às situações operacionais.
Risco de afogamentos durante travessias de rios preocupa autoridades da fronteira
Uma das principais preocupações envolve a possibilidade de utilizar a arma contra pessoas que tentam atravessar irregularmente a fronteira entre os Estados Unidos e o México. Em regiões próximas a rios, a reação instintiva provocada pelo calor poderia levar imigrantes a movimentos perigosos, aumentando o risco de acidentes e afogamentos.
Ex-integrantes da Alfândega e Proteção de Fronteiras dos Estados Unidos (CBP) relataram à CNN que esse cenário já havia sido considerado em discussões anteriores. As autoridades questionaram se o equipamento poderia provocar situações que exigissem novas operações de resgate, especialmente quando pessoas estivessem dentro da água.
Outro obstáculo envolve a soberania mexicana. Caso o feixe atingisse pessoas que ainda estivessem em território do México, poderiam surgir questionamentos sobre a legalidade da operação. Essas preocupações fizeram parte das avaliações internas sobre os limites do uso da força.
Recomendado para você
Ciência e Tecnologia
Inteligência artificial deixa de apenas responder perguntas e passa a preparar operações financeiras: Coinbase conecta agentes de IA às contas de investidores e permite automatizar tarefas com criptomoedas
Investidores já podem usar assistentes virtuais para acompanhar ativos e organizar transações em uma plataforma de criptomoedas, enquanto a nova tecnologia levanta questões sobre segurança e controle financeiro
A inteligência artificial…
Viviane Alves
0
Setor de El Centro avaliou arma para conter travessias irregulares em 113 quilômetros de fronteira
O setor de El Centro, responsável por aproximadamente 113 quilômetros da fronteira entre Estados Unidos e México, esteve entre as unidades que avaliaram a tecnologia. A discussão ocorreu quando Rodney Scott, atual comissário da CBP, comandava a região, segundo uma autoridade da agência ouvida pela CNN.
Na ocasião, agentes consideraram utilizar o Sistema de Negação Ativa para desencorajar travessias irregulares em áreas próximas a rios. A proposta incluía a possibilidade de afastar pessoas de determinados pontos da fronteira, reduzindo tentativas de entrada nessas regiões.
A avaliação também levantou dúvidas sobre a eficácia do equipamento e suas possíveis consequências. Autoridades discutiram se pessoas atingidas poderiam ficar incapacitadas e precisar de resgate. Não está claro, entretanto, por que a tecnologia não chegou a ser empregada naquela oportunidade.
Governo americano rejeitou proposta semelhante em 2018 antes das eleições legislativas
A possibilidade de utilizar o Sistema de Negação Ativa contra imigrantes voltou a ser discutida em 2018, antes das eleições legislativas americanas de meio de mandato. Naquele período, autoridades da CBP avaliaram novamente a tecnologia, mas a então secretária de Segurança Interna, Kirstjen Nielsen, rejeitou a proposta.
Segundo um ex-funcionário do DHS ouvido pela CNN, a discussão envolvia o risco de tratar imigrantes e cidadãos como combatentes inimigos. A preocupação estava relacionada à utilização de uma tecnologia militar contra pessoas em operações de segurança fronteiriça.
A rejeição demonstrou que as dúvidas sobre o equipamento não se limitavam à sua capacidade técnica. Questões humanitárias, legais e operacionais também influenciaram as decisões anteriores sobre seu possível emprego.
Nova autorização durante governo Trump reacende dúvidas sobre necessidade da arma na fronteira
A autorização concedida em setembro de 2026 recolocou o Sistema de Negação Ativa nas discussões sobre a política de segurança fronteiriça do governo Donald Trump. A administração americana mantém o combate à imigração irregular entre suas prioridades, mas o possível emprego dessa tecnologia continua cercado de questionamentos.
Alguns agentes da Patrulha de Fronteira também questionaram a necessidade do equipamento diante da redução das travessias irregulares e do aumento do efetivo de segurança. Para esses profissionais, os custos de treinamento, operação e desenvolvimento de procedimentos precisam ser considerados antes de qualquer decisão.
O memorando do Pentágono permite que o DHS avance com os testes, mas não confirma a utilização da arma contra imigrantes. A definição dos locais, das condições operacionais e de uma eventual aplicação na fronteira permanece em aberto. O período de avaliação deverá determinar se o governo americano solicitará a continuidade do empréstimo após os sete meses inicialmente autorizados.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

