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Petrobras pretende levar ao pré-sal um tubo sem aço que passou por 50 mil horas de testes para enfrentar um inimigo capaz de antecipar trocas de linhas submarinas e interromper a produção
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 05/10/2026 às 14:43
Atualizado em 05/10/2026 às 16:50
Setor Offshore
Canal
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Feito com fibra de carbono e poliamida 12, o TCP de seis polegadas elimina o aço como principal elemento estrutural e foi submetido a mais de 40 testes em escala real; a Petrobras prevê uma operação piloto no pré-sal em 2027.
Petrobras, Shell e Strohm concluíram a qualificação de um tubo compósito termoplástico, conhecido pela sigla TCP, desenvolvido para operar em condições de alta concentração de dióxido de carbono no pré-sal brasileiro. O sistema de seis polegadas foi projetado para uma vida útil de 30 anos.
A tecnologia combina fibra de carbono e poliamida 12, ou PA12, e não depende do aço como principal elemento estrutural da linha. Essa construção não metálica elimina o mecanismo de corrosão sob tensão associado ao CO₂ que pode afetar componentes metálicos em determinadas aplicações submarinas.
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A Strohm informou, ao anunciar a conclusão do programa desenvolvido com Petrobras e Shell, que a campanha reuniu ensaios de materiais, vedações, terminações e do sistema completo. O trabalho também incluiu testes offshore antes da etapa de operação piloto prevista pela Petrobras.
Falhas relacionadas à corrosão podem antecipar a substituição de linhas e exigir novas intervenções submarinas. Em poços de alta produtividade, esse tipo de serviço também pode provocar períodos de interrupção da produção enquanto equipamentos e embarcações executam a troca.
A ausência do aço no elemento estrutural resolve especificamente o mecanismo de corrosão considerado no projeto, mas não elimina outras exigências de integridade. Pressão, temperatura, fadiga, vedação, terminações, manuseio e conexão submarina continuam entre as condições avaliadas para o funcionamento do conjunto.
Mais de 40 testes em escala real
O programa acumulou mais de 50 mil horas de ensaios, volume equivalente a quase seis anos corridos de testes somados. Foram realizados mais de 40 testes em escala real, distribuídos por sete laboratórios e instalações certificadas na Europa e no Brasil.
As avaliações não ficaram restritas ao corpo do tubo. Terminações e interfaces de vedação também foram submetidas às condições previstas para o sistema, com reprodução de cargas relacionadas à instalação e à operação da linha.
A DNV qualificou o TCP de seis polegadas, fabricado com fibra de carbono e PA12, para serviço de injeção alternada de água e gás, conhecido como WAG. O método intercala os fluidos injetados no reservatório para auxiliar a recuperação de petróleo.
A qualificação seguiu a norma DNV-ST-F119 para tubos compósitos termoplásticos, referência utilizada no programa para avaliar o sistema destinado à aplicação offshore. A norma reúne requisitos de projeto, análise de cargas e documentação para esse tipo de tubulação.
O programa considerou o tubo, as terminações e as interfaces de vedação como partes do mesmo sistema, em vez de avaliar apenas a parede da tubulação. Essa abordagem permitiu reproduzir cargas e condições operacionais que também atingem pontos de conexão durante a instalação e o serviço submarino.
A arquitetura do TCP combina uma matriz termoplástica com fibras responsáveis pelo reforço estrutural. Essa configuração permite produzir uma tubulação enrolável sem recorrer à estrutura metálica considerada no projeto e reduz a exposição ao mecanismo de corrosão associado ao dióxido de carbono.
Testes no mar levaram o sistema além do laboratório
Depois da campanha de qualificação, a tecnologia passou por testes offshore concluídos em julho deste ano. As equipes verificaram o comportamento do conjunto em imersão profunda, durante o manuseio no mar e em uma conexão vertical submarina.
A etapa levou o sistema a condições de instalação que complementaram os ensaios realizados em laboratório. O tubo passou por lançamento, imersão e conexão, permitindo observar o desempenho do conjunto durante operações próximas das previstas para seu uso submarino.
A Strohm afirma que o comportamento durante o lançamento é compatível com práticas já adotadas no setor e que o TCP pode ser instalado por embarcações existentes sem mudanças relevantes nos procedimentos. A avaliação da fabricante se refere às condições verificadas no programa.
O peso menor é outra característica atribuída ao tubo compósito. Em águas ultraprofundas, a massa da linha interfere nas cargas aplicadas durante a descida, na capacidade exigida da embarcação e no dimensionamento dos equipamentos usados para controlar a linha durante o lançamento.
A fabricante também atribui ao material maior resistência à fadiga, propriedade relacionada à capacidade de suportar ciclos repetidos de carregamento. Esse desempenho foi considerado na qualificação, mas ainda antecede a etapa em que a linha deverá operar continuamente nas condições reais para as quais foi projetada.
A Petrobras pretende instalar e operar uma linha piloto em um campo do pré-sal no início de 2027. O teste em serviço deverá submeter o TCP a ciclos reais de pressão, temperatura e injeção para demonstrar seu comportamento durante a operação.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

