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Porto de Roterdã estreia empilhadeira gigante movida a hidrogênio, equipada com célula a combustível de 60 kW e bateria de 130 kWh, para testar transporte pesado de contêineres de 45 pés
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 08/10/2026 às 04:16
Atualizado em 08/10/2026 às 04:50
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O Porto de Roterdã recebeu uma empilhadeira Hyster movida a hidrogênio, equipada com célula a combustível de 60 kW e bateria de 130 kWh, para testar por cinco anos o transporte pesado de contêineres de 45 pés.
Uma máquina de grandes proporções começou a chamar atenção entre pilhas de contêineres no Porto de Roterdã, nos Países Baixos. Trata-se de uma reach stacker da Hyster que troca o motor convencional por um sistema híbrido formado por célula a combustível de hidrogênio e bateria de íons de lítio.
O equipamento foi entregue à Rotterdam Shortsea Terminals, conhecida pela sigla RST, para trabalhar em uma das operações portuárias mais exigentes da Europa. A máquina será utilizada principalmente na movimentação de contêineres de 45 pés, incluindo unidades abertas na parte superior.
A iniciativa vai além da substituição de uma única empilhadeira. O equipamento integra um projeto operacional de cinco anos que pretende descobrir se o hidrogênio consegue oferecer potência, disponibilidade e facilidade de abastecimento suficientes para suportar o ritmo de um terminal portuário real.
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Máquina usa hidrogênio para alimentar uma bateria de 130 kWh
O modelo entregue em Roterdã é o Hyster RSJ46-33XDH/62. Embora seja frequentemente chamado de empilhadeira de contêineres, ele pertence à categoria das reach stackers: máquinas capazes de levantar, transportar e empilhar contêineres usando um braço telescópico equipado com um dispositivo de encaixe chamado spreader.
A unidade preparada para a RST recebeu um spreader específico para contêineres de 45 pés. Esse tipo de contêiner é comum no transporte marítimo de curta distância na Europa e exige um equipamento preparado para trabalhar com suas dimensões.
A energia é fornecida por uma célula a combustível Nuvera de 60 kW. O sistema combina o hidrogênio armazenado a bordo com o oxigênio do ar para produzir eletricidade. Essa eletricidade alimenta uma bateria de íons de lítio com capacidade de 130 kWh, responsável por fornecer energia aos motores elétricos da máquina.
Na prática, a bateria consegue atender aos picos de potência exigidos durante a aceleração e o levantamento dos contêineres, enquanto a célula a combustível produz eletricidade durante a operação. A combinação busca ampliar o tempo de trabalho sem depender exclusivamente de recargas demoradas na rede elétrica.
O equipamento não libera gases de combustão pelo escapamento durante o uso. O impacto climático total, entretanto, dependerá de fatores como a origem do hidrogênio, sua produção e o transporte do combustível até o terminal.
Teste acontecerá no maior centro europeu dedicado ao transporte marítimo de curta distância
A Rotterdam Shortsea Terminals se apresenta como o maior centro europeu especializado em navegação de curta distância. Essa modalidade conecta portos relativamente próximos e funciona como uma alternativa ao transporte rodoviário de mercadorias dentro da Europa.
O ambiente oferece condições relevantes para o experimento. Uma reach stacker pode passar boa parte do turno levantando cargas pesadas, realizando manobras curtas e mudando rapidamente de uma área do pátio para outra. Qualquer perda de disponibilidade pode afetar a movimentação de contêineres e os horários dos navios.
Por isso, os responsáveis pelo projeto não avaliarão somente se a máquina consegue funcionar. O teste permitirá observar disponibilidade, desempenho, manutenção, consumo de hidrogênio, tempo de abastecimento e adaptação dos operadores.
A Hyster também adotou no equipamento a mesma arquitetura de software utilizada em outros modelos elétricos da fabricante. A estratégia busca facilitar a operação, os diagnósticos e o atendimento técnico, mesmo com a mudança no sistema de propulsão.
Posto modular permitirá abastecimento dentro do terminal
A reach stacker será acompanhada por uma estação modular de abastecimento de hidrogênio. Os dois equipamentos formarão um laboratório operacional dentro da RST.
A instalação modular é uma parte decisiva do experimento porque permite testar a tecnologia sem depender imediatamente de uma rede fixa de distribuição de hidrogênio. Com isso, os parceiros poderão avaliar aplicações em áreas portuárias ou industriais nas quais a conexão elétrica disponível não seja suficiente para carregar máquinas pesadas em grande escala.
O programa reúne a RST, a Hyster, a Berkman Energie Services, a STC Next, a HarbourHUB e a concessionária Heffiq. O projeto recebe apoio da Província da Holanda do Sul e do Just Transition Fund, mecanismo da União Europeia voltado à transição de regiões e atividades econômicas para modelos com menores emissões.
A Heffiq ficará responsável pelo suporte local, enquanto especialistas da Hyster acompanharão o comportamento da máquina durante o projeto.
Roterdã transforma o terminal em laboratório para a logística pesada
Além da máquina e do posto de abastecimento, o projeto prevê um centro de capacitação para trabalhadores, estudantes e profissionais de logística. O espaço deverá oferecer treinamento relacionado à transição energética e ao uso seguro e eficiente do hidrogênio.
Essa formação será necessária caso a tecnologia deixe a fase experimental e passe a integrar frotas maiores. Oficinas, equipes de manutenção, operadores e brigadas de emergência precisarão compreender as diferenças entre uma máquina a diesel, uma elétrica a bateria e outra equipada com célula a combustível.
Para a RST, o projeto oferece a oportunidade de testar a transição energética sem retirar a operação portuária do mundo real. Segundo o terminal, a intenção é aprender com o uso cotidiano da máquina e transformar essa experiência em conhecimento aplicável a outros equipamentos e instalações.
Hidrogênio tenta disputar espaço com baterias e motores convencionais
Equipamentos portuários pesados representam um desafio para a eletrificação. Eles precisam combinar força, longos períodos de funcionamento e disponibilidade para atender navios que operam com janelas de tempo limitadas.
Máquinas movidas somente a bateria podem exigir grandes sistemas de armazenamento e infraestrutura elétrica de alta capacidade. Já o hidrogênio permite um abastecimento potencialmente mais rápido, mas enfrenta desafios relacionados ao custo, à eficiência energética e à disponibilidade do combustível.
O projeto de Roterdã deverá ajudar a responder em quais operações essa combinação realmente faz sentido. A tecnologia pode ser particularmente relevante em terminais com uso intenso, pouco tempo disponível para recarga ou limitações na rede elétrica.
Isso não significa que o hidrogênio substituirá todas as empilhadeiras portuárias. O teste deverá mostrar quais tarefas podem ser atendidas por baterias, quais ainda dependem de motores convencionais e em quais situações a célula a combustível oferece uma alternativa prática.
Resultado poderá influenciar outros terminais portuários
A presença da reach stacker em uma operação real transforma o projeto em uma vitrine para portos que procuram reduzir emissões sem comprometer produtividade e segurança.
Durante os cinco anos de acompanhamento, os parceiros deverão reunir informações sobre o funcionamento do equipamento, a estação de abastecimento e a preparação dos profissionais. Esses dados poderão contribuir para futuras normas, procedimentos de segurança e decisões de investimento.
Se o sistema entregar a potência e a disponibilidade esperadas, Roterdã poderá demonstrar que o hidrogênio possui espaço em uma das atividades mais pesadas da logística portuária. Caso surjam limitações, o próprio teste ajudará fabricantes e operadores a identificar o que ainda precisa ser corrigido.
A máquina de bateria de 130 kWh que agora circula entre contêineres de 45 pés é, portanto, mais que uma empilhadeira diferente. Ela representa um experimento de cinco anos para descobrir se o hidrogênio consegue sobreviver ao trabalho pesado, contínuo e pouco tolerante a interrupções de um dos maiores portos do mundo.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

