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Quem depende de diesel importado viu o navio Leruo, que levava diesel russo a Manaus, mudar a rota no Mar do Norte, num mês em que a importação cobre até 30% do consumo e o abastecimento está apertado
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 31/10/2026 às 21:15
Petróleo e Gás
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O navio-tanque Leruo, que saiu da Rússia com diesel e sinalizava Manaus como destino, mudou a rota no Mar do Norte, no mesmo momento em que os importadores dizem que o abastecimento de diesel de novembro no Brasil está apertado.
A mudança foi registrada na quinta-feira (29) pela plataforma LSEG Shipping, que monitora o tráfego marítimo, segundo a Gazeta do Povo. O sinal do navio passou a indicar “costa atlântica sob encomenda”.
O jornal britânico Financial Times, citando a plataforma Marine Traffic, afirmou que o Leruo foi um dos navios que teve como destino final os Estados Unidos.
A LSEG, porém, diz que o destino final ainda não está claro.
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O navio saiu de Primorsk, no Báltico
O Leruo partiu de Primorsk, cidade que abriga o segundo maior porto russo no Mar Báltico, depois de São Petersburgo. Segundo dados da LSEG e da Kpler, pelo menos dois navios-tanques com diesel russo seguiam para destinos tradicionais, a Turquia e o Brasil.
A troca de rota acontece depois de a Rússia afrouxar parte das restrições à exportação de diesel. Em 10 de outubro, o Kremlin autorizou novos embarques, após um acerto entre Vladimir Putin e Donald Trump para retomar o fornecimento aos Estados Unidos e ao mercado global.
O acordo também suspendeu temporariamente sanções americanas ao combustível russo. Em 15 de outubro, a Rússia declarou que seu diesel tinha voltado a abastecer os mercados globais. O site já tinha mostrado as primeiras 40 mil toneladas rumo aos EUA.
Novembro “ainda não está garantido”
A notícia chega numa semana em que o setor já via pouco diesel a caminho. Para Sérgio Araújo, presidente da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis (Abicom), o abastecimento de novembro está “apertado”, em entrevista publicada na quarta-feira (28) pelo jornal O Globo e repercutida pelo Diário do Povo.
“Por enquanto, o mês de novembro ainda não está garantido para o abastecimento, mas temos mais alguns dias para observar os line-ups”, disse ele, referindo-se à programação de chegada de navios.
A importação responde por 25% a 30% do consumo de diesel no país. Por isso, cada navio que muda de rota pesa na conta.
A sobra de outubro é pequena
O setor conta com um excedente de cerca de 300 mil metros cúbicos de diesel em outubro, que pode passar para novembro. É pouco diante do consumo esperado para o mês, de 5,8 milhões de metros cúbicos.
Em outubro, o consumo foi de 6,6 milhões de metros cúbicos, segundo a Abicom. A sobra cobre, portanto, uma fração pequena de um mês inteiro.
Fontes do setor de distribuição ouvidas pelo O Globo disseram que, se houver sinal de falta, a Petrobras pode suprir a demanda com diesel importado, como tem feito nos últimos meses.
Importar hoje dá prejuízo
O motivo de tão poucos navios é a conta. A defasagem média do diesel nas refinarias da Petrobras está em R$ 4,15 por litro, ou 127% em relação à referência internacional, segundo a Abicom.
O governo paga duas subvenções. A de R$ 2,12 por litro foi prorrogada por 30 dias na terça-feira (27), e a de R$ 1,40 vale até o início de novembro. Juntas, somam R$ 3,52 por litro.
Mesmo assim, o diesel importado chega cerca de R$ 0,63 por litro mais caro que o nacional. “As importações neste momento estão com as janelas fechadas”, resumiu Araújo.
Um executivo de uma importadora disse ao jornal que as compras no exterior estão em patamares mínimos, só para manter a operação básica.
Quanto custa segurar o preço
Segundo o Ministério do Planejamento, só a subvenção de R$ 2,12 custa R$ 10,5 bilhões a cada 30 dias. A subvenção extra ao diesel importado custa mais R$ 1,6 bilhão no mesmo período.
Os gastos são cobertos com receitas extraordinárias do petróleo, como prevê lei aprovada pelo Congresso. O site acompanhou a prorrogação do subsídio de R$ 2,12 nesta semana.
Na bomba, o S-10 já passa de R$ 7,40
O preço médio do diesel S-10 nos postos subiu 2,48% em outubro, para R$ 7,44 o litro, segundo o índice da Edenred Ticket Log citado pela Reuters. O diesel comum subiu 4,81%, para R$ 7,19.
A alta coincide com o plantio da safra de verão, quando a demanda por diesel no campo e no transporte de carga é maior, segundo a Notícias Agrícolas.
A Petrobras aposta em dezembro
A estatal fechou outubro com as refinarias operando a 98% da capacidade, perto dos 99% do 3º trimestre, disse à Reuters o diretor de Processos Industriais e Produtos, William França, nesta sexta-feira (30).
Em dezembro, a Petrobras vai produzir mais gasolina para o verão e menos diesel, porque o consumo cai com o fim do plantio. “A importação de diesel em dezembro deve ficar em quase zero, com a menor demanda pelo fim da safra”, disse França.
Hoje o país importa cerca de 30% do diesel que consome, segundo o diretor. O novo plano de negócios, previsto para novembro, deve trazer investimentos para o Brasil ser autossuficiente em diesel a partir de 2030.
Março e abril de 2027 terão Replan parada
O alívio tem prazo. Entre março e abril de 2027, a Replan, em Paulínia (SP), passará por uma parada programada combinada com obras de ampliação, de cerca de dois meses.
“Vamos ter que puxar mais as outras refinarias, mas não será suficiente para manter perto de 100%. Deve baixar para cerca de 96%”, afirmou França. Até lá, quem roda com caminhão depende de os navios chegarem no prazo.
Você já encontrou falta de diesel ou preço disparado no posto onde abastece o caminhão neste fim de outubro?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

