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Quem depende do gás que chega pelo Gasbol vê a Bolívia, que vende ao Brasil desde os anos 1990, liberar a importação de gás e GNL e prever produção abaixo do próprio consumo até 2029
Escrito por Paulo Nogueira
Publicado em 31/10/2026 às 03:50
Petróleo e Gás
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O governo de Rodrigo Paz publicou nesta semana um decreto que autoriza pessoas e empresas da Bolívia a importar gás natural e GNL, e prevê que a produção do país fique abaixo do consumo interno até 2029.
O decreto vale para consumo próprio e geração de energia e tem como objetivo evitar desabastecimento, segundo reportagem da Bloomberg publicada pelo Valor Econômico nesta sexta-feira (30).
É uma virada para o país que vende gás ao Brasil desde os anos 1990, pelo gasoduto que atravessa Mato Grosso do Sul, São Paulo e chega ao Sul.
O gás importado ainda não pode ser revendido a terceiros. Mesmo assim, a medida rompe com o modelo anterior, em que as compras no exterior ficavam, em grande parte, restritas à estatal YPFB.
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A produção fica abaixo do consumo até 2029
A previsão é do próprio governo. Segundo a vice-ministra de Industrialização de Hidrocarbonetos, Tatiana Genuzio, a produção boliviana de gás deve ficar abaixo da demanda interna até 2029.
Ela deu a declaração à emissora privada Unitel na quarta-feira (28). Na mesma entrevista, disse que os preços internacionais do gás são quase dez vezes maiores que os cobrados dentro da Bolívia, onde o combustível é fortemente subsidiado.
O governo de Paz promete acabar com os subsídios e alinhar os preços de energia ao mercado, para reduzir o déficit fiscal. As mudanças, diz o governo, virão junto com transferências de renda para os mais vulneráveis.
As exportações caíram mais da metade desde 2014
O encolhimento vem de longe. Há duas décadas, o então presidente Evo Morales nacionalizou campos de gás e refinarias operados pela Repsol, pela TotalEnergies e pela Petrobras.
Na época, o petróleo e o gás estavam em alta, e o período de bonança entre 2005 e 2014 ajudou a pagar programas sociais. Os investimentos em exploração, porém, não acompanharam.
O resultado foi a queda das reservas e das vendas externas. As exportações bolivianas de gás caíram mais da metade em relação ao pico de 2014, segundo o O Globo.
O contrato com o Brasil começou em 1993
A ligação com o Brasil tem história de família. O primeiro contrato de venda de gás ao país foi assinado em 1993 por Jaime Paz Zamora, então presidente da Bolívia e pai do atual presidente, Rodrigo Paz.
Em 2006, a Bolívia também fechou um contrato de exportação com a Argentina. Esse acordo terminou em 2024, em meio à queda da produção.
O Brasil já vinha reduzindo a dependência. No 3º trimestre, a Petrobras cortou 28,6% da compra de gás boliviano, com mais gás nacional vindo do pré-sal, de Búzios.
A porta para o gás boliviano, porém, continua aberta. Em dezembro de 2025, a ANP autorizou a Petrobras a importar até 20 milhões de m³ por dia da Bolívia por 2 anos. Com o vizinho produzindo menos do que consome, esse teto fica cada vez mais distante do volume que de fato pode chegar.
O gasoduto agora também leva gás argentino
Enquanto produz menos, a Bolívia tenta virar corredor. A rede da YPFB já transporta gás da Argentina para o Brasil por gasodutos com mais de 1.000 km, segundo reportagem da TV BRICS reproduzida pelo Brasil 247.
O gás sai de Vaca Muerta, na bacia de Neuquén, atravessa o território boliviano e segue para mercados brasileiros como Corumbá, São Paulo e Porto Alegre.
O sistema boliviano de transporte tem capacidade instalada de cerca de 32 milhões de metros cúbicos por dia, dos quais cerca de 14 milhões são usados hoje, segundo a mesma reportagem. O potencial de Vaca Muerta para abastecer a região já foi tema de reportagem do site.
Quem no Brasil sente a mudança
O gás boliviano chega ao Brasil por Corumbá (MS) e abastece distribuidoras e indústrias ao longo do caminho. Em Mato Grosso do Sul, a MSGás avança com um gasoduto de 125 km para a fábrica da Arauco, mesmo com a queda do gás importado do vizinho.
Para quem compra gás no Brasil, a leitura é que o vizinho deixa de ser uma fonte segura de volume. A partir de agora, o valor da Bolívia passa a depender mais da rede de dutos do que das próprias reservas.
Uma nova lei vai ao Congresso em novembro
O governo boliviano avalia outras saídas para o impacto econômico. Entre elas estão a liberalização do mercado, a expansão das energias renováveis e um projeto de lei para o setor de hidrocarbonetos com regras mais favoráveis a investidores.
Segundo Genuzio, o projeto deve ser apresentado ao Congresso boliviano no mês que vem.
Você acha que o Brasil deveria apostar no gás argentino que passa pela Bolívia ou só no gás do pré-sal?
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Paulo Nogueira.

