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R$ 134 milhões em investimentos e 25 anos de concessão: governo prepara mudança nas hidrovias do Rio Grande do Sul que pode transformar a navegação na Lagoa dos Patos, na Lagoa Mirim e nos acessos a três portos estratégicos

R$ 134 milhões em investimentos e 25 anos de concessão: governo prepara mudança nas hidrovias do Rio Grande do Sul que pode transformar a navegação na Lagoa dos Patos, na Lagoa Mirim e nos acessos a três portos estratégicos

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R$ 134 milhões em investimentos e 25 anos de concessão: governo prepara mudança nas hidrovias do Rio Grande do Sul que pode transformar a navegação na Lagoa dos Patos, na Lagoa Mirim e nos acessos a três portos estratégicos

Escrito por Felipe Alves da Silva

Publicado em 21/10/2026 às 01:21

Atualizado em 21/10/2026 às 01:22

Logística e Transporte

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Governo federal prepara concessão de 25 anos para o sistema aquaviário do Rio Grande do Sul, abrangendo acessos aos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre e importantes trechos hidroviários.

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Projeto de concessão do sistema aquaviário gaúcho reúne portos, rios e lagoas em um contrato de 25 anos, com dragagem, monitoramento da navegação e modernização de estruturas essenciais ao transporte de cargas.

Uma das principais redes de transporte aquaviário do Rio Grande do Sul poderá passar por uma transformação na forma como é administrada. O governo federal prepara a concessão do Sistema Aquaviário Integrado do Sul e Lagoa Mirim, conhecido como SAIP Sul-Mirim, reunindo acessos a três portos estratégicos e importantes vias navegáveis do estado.

A proposta prevê transferir à iniciativa privada responsabilidades relacionadas à operação, manutenção e modernização da infraestrutura aquaviária durante um contrato inicial de 25 anos.

O projeto envolve os acessos aos portos de Rio Grande, Pelotas e Porto Alegre, além de trechos da Lagoa dos Patos, Lago Guaíba e dos rios Jacuí, Caí, dos Sinos e Gravataí. A Lagoa Mirim também integra a estruturação do sistema.

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Segundo o Ministério de Portos e Aeroportos, a concessão pretende modernizar a infraestrutura hidroviária, melhorar a segurança da navegação e ampliar a eficiência logística regional.

Os estudos apresentados durante a discussão pública indicam investimentos próximos de R$ 134 milhões, além de despesas de operação e manutenção estimadas em aproximadamente R$ 5,7 bilhões durante a vigência contratual.

A diferença entre esses valores é importante: a maior parcela dos gastos projetados não corresponde à construção de novas instalações, mas à manutenção das condições de navegabilidade durante décadas.

Três portos e uma rede de rios e lagoas estão no centro da concessão

O projeto pretende integrar estruturas que atualmente fazem parte do sistema administrado pela Portos RS, empresa pública responsável pela infraestrutura portuária estadual.

O Porto do Rio Grande é a principal conexão marítima do estado com o comércio internacional. Pelotas e Porto Alegre complementam a rede regional, criando possibilidades de transporte entre áreas industriais, centros consumidores e instalações portuárias.

A Lagoa dos Patos funciona como um corredor natural entre essas estruturas.

O Lago Guaíba e os rios Jacuí, Caí, dos Sinos e Gravataí formam outras conexões importantes para a movimentação aquaviária no território gaúcho.

O novo modelo busca tratar esses acessos como um conjunto integrado, em vez de considerar cada trecho de maneira isolada.

A Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) confirmou que os documentos submetidos à consulta pública abrangem os canais de acesso, as hidrovias e as infraestruturas necessárias às operações nos portos envolvidos.

A concessão dos acessos aquaviários, entretanto, não significa necessariamente a transferência da administração integral dos três portos ao futuro operador privado.

Essa distinção é fundamental para compreender o alcance do projeto.

Dragagem poderá definir a capacidade de transporte de cargas por até 25 anos

Um dos maiores desafios da navegação interior é manter profundidade suficiente para a passagem das embarcações.

Rios, lagoas e canais estão sujeitos à deposição de sedimentos, fenômeno que pode reduzir o calado operacional permitido e limitar o porte dos navios.

Quando uma embarcação precisa transportar menos carga para navegar com segurança, o custo logístico por tonelada pode aumentar.

Os estudos da concessão preveem atividades de dragagem, levantamentos hidrográficos, sinalização náutica e monitoramento das condições de navegação.

As metas técnicas apresentadas incluem:

TrechoReferência de caladoCanal de acesso ao Porto do Rio Grande15 metrosAcessos a Pelotas e Porto Alegre5,18 metrosLagoa Mirim2,5 metros

Esses parâmetros aparecem nas apresentações técnicas do projeto e deverão ser observados conforme as condições e os critérios estabelecidos no contrato definitivo.

A manutenção dessas condições exige intervenções recorrentes.

É por isso que o custo operacional projetado durante os 25 anos supera amplamente os investimentos iniciais.

Não basta realizar uma dragagem e considerar o problema resolvido. A infraestrutura precisa continuar atendendo aos parâmetros contratados, inclusive diante das mudanças naturais dos canais.

Lagoa Mirim poderá ganhar uma nova função no transporte de mercadorias

A inclusão da Lagoa Mirim é um dos aspectos mais interessantes do projeto.

Localizada na região de fronteira entre Brasil e Uruguai, a lagoa apresenta potencial para integrar novas rotas de transporte aquaviário.

Entretanto, a existência de um corpo d’água navegável não garante, por si só, uma operação comercial economicamente viável.

São necessárias instalações para movimentação de cargas, embarcações adequadas, clientes e demanda suficiente para sustentar os serviços.

Segundo análise publicada pelo Hub de Projetos e Parcerias, o modelo econômico estudado prevê utilizar parte das receitas do sistema de Rio Grande para ajudar a viabilizar a infraestrutura da Lagoa Mirim.

Os estudos mencionam investimentos na dragagem do Canal do Sangradouro e na revitalização da barragem-eclusa do São Gonçalo.

O ponto crítico é que a implantação da infraestrutura de navegação precisa ser acompanhada pelo desenvolvimento de terminais e operações comerciais.

Sem cargas suficientes, uma hidrovia pode permanecer tecnicamente disponível, mas ter aproveitamento econômico limitado.

A futura concessionária, portanto, poderá receber uma rede formada tanto por acessos portuários já consolidados quanto por corredores cujo desenvolvimento ainda dependerá de novos empreendimentos.

Agricultores, indústrias e transportadoras poderão ganhar outra alternativa logística

O Rio Grande do Sul possui atividades agrícolas, industriais e comerciais que dependem de infraestrutura eficiente para transportar mercadorias.

A melhoria dos acessos aquaviários poderá ampliar as possibilidades de utilização de embarcações no escoamento de cargas, especialmente quando houver volumes compatíveis com o transporte por barcaças e navios.

A navegação interior pode complementar o sistema rodoviário em determinadas operações, oferecendo alternativas para deslocamentos entre terminais conectados.

Mas a viabilidade depende de fatores como distância, frequência dos serviços, disponibilidade de terminais e custos de transferência entre modais.

Um produtor que atualmente utiliza exclusivamente caminhões não passará automaticamente a utilizar embarcações apenas porque um canal recebeu melhorias.

Será necessário que toda a operação, do ponto de origem ao destino final, apresente condições comerciais competitivas.

Esse é o principal desafio logístico da concessão: transformar melhores condições de navegação em serviços efetivamente utilizados pelo mercado.

A proposta também poderá beneficiar operadores portuários que dependem de maior previsibilidade de acesso e empresas responsáveis por movimentação, armazenagem e transporte de mercadorias.

Os benefícios econômicos, contudo, ainda deverão ser demonstrados na implementação do projeto.

Concessionária poderá ter remuneração vinculada ao desempenho dos canais

O modelo discutido prevê mecanismos para relacionar a remuneração da concessionária à qualidade dos serviços.

Uma das referências apresentadas é a manutenção do calado contratado.

Segundo os parâmetros divulgados por representante da Infra S.A. que participou da audiência pública, o descumprimento das metas de calado poderá provocar redução de até 34% na tarifa de remuneração da concessionária.

Os estudos também contemplam monitoramento do tráfego, melhorias na sinalização e levantamentos hidrográficos contínuos.

A lógica é fazer com que a prestação do serviço seja acompanhada por indicadores verificáveis.

Para usuários das hidrovias, esse aspecto importa porque a capacidade real de navegar com segurança pode variar ao longo do tempo.

Um contrato que estabelece metas técnicas permite avaliar se a infraestrutura continua oferecendo as condições previstas.

A aplicação exata dos descontos e os critérios de medição dependerão das disposições consolidadas no contrato definitivo.

Consulta pública terminou em 14 de outubro e projeto ainda depende de licitação

O processo de participação social começou em julho de 2026.

Em 11 de agosto, a Antaq realizou uma audiência pública virtual para receber sugestões e discutir os documentos técnicos e jurídicos.

Posteriormente, a agência organizou uma segunda sessão, realizada presencialmente em Rio Grande no dia 7 de outubro.

A consulta pública foi prorrogada e encerrada em 14 de outubro de 2026, conforme o cronograma oficial da Antaq.

As contribuições recebidas poderão subsidiar ajustes na modelagem técnica, econômica e jurídica do projeto.

O encerramento dessa etapa não significa que a concessão já tenha sido realizada.

Ainda será necessário avançar nos procedimentos de estruturação, consolidar as condições do edital, realizar a licitação e formalizar o contrato com o futuro operador.

Até o momento das informações verificadas nesta reportagem, não havia confirmação de adjudicação do projeto a uma concessionária.

O futuro das hidrovias gaúchas dependerá de obras, manutenção e demanda por transporte

O SAIP Sul-Mirim reúne dois desafios diferentes.

O primeiro é garantir que os acessos aquaviários já utilizados pelos portos gaúchos ofereçam segurança, previsibilidade e condições adequadas à navegação.

O segundo é criar condições para que corredores com potencial ainda pouco explorado, como a Lagoa Mirim, possam receber operações comerciais.

A concessão de 25 anos pretende oferecer um horizonte contratual para executar intervenções e manter a infraestrutura.

Mas o sucesso do projeto não poderá ser medido apenas pelo valor dos investimentos anunciados.

Será necessário verificar se os canais permanecerão navegáveis, se as metas técnicas serão cumpridas e se empresas de transporte e produtores encontrarão vantagens concretas no uso das hidrovias.

A próxima etapa será a conclusão da modelagem e a definição das condições para a futura licitação.

Para o Rio Grande do Sul, está em discussão mais do que a administração de canais. O projeto poderá influenciar a maneira como mercadorias circulam entre a indústria, o agronegócio, os portos e as rotas internacionais.


Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

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