Rio Grande do Norte libera instalação de planta que prevê 200 mil toneladas de amônia verde por ano usando energia 100% renovável
Escrito por Ana Alice
Publicado em 26/10/2026 às 22:54
Atualizado em 26/10/2026 às 22:55
Energia Renovável
Grupo
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Projeto em São Gonçalo do Amarante recebe licença para avançar à fase de implantação e prevê produzir hidrogênio e amônia verdes com eletricidade integralmente renovável e uso de água de reúso.
O Rio Grande do Norte autorizou a instalação de uma nova planta de hidrogênio verde e amônia verde em São Gonçalo do Amarante, na Região Metropolitana de Natal.
O empreendimento da Atlântico Empreendimentos Imobiliários prevê produzir 35,2 mil toneladas de hidrogênio verde e 200 mil toneladas de amônia verde por ano, com a exigência de utilizar eletricidade de origem 100% renovável.
Segundo o Movimento Econômico, o Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (Idema) concedeu a Licença de Instalação em 2 de setembro de 2026.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
A autorização tem validade de quatro anos e permite a implantação da infraestrutura, mas ainda não libera a produção comercial. Para operar, o empreendimento precisará obter posteriormente uma Licença de Operação.
Essa diferença é importante. A licença atual autoriza a empresa a avançar na construção e montagem da unidade, enquanto o início efetivo da produção dependerá de uma nova etapa do licenciamento ambiental.
Projeto terá energia 100% renovável
Uma das principais condicionantes do empreendimento está na origem da eletricidade utilizada.
De acordo com informações divulgadas sobre o licenciamento, 100% da energia elétrica usada para atender à demanda da planta deverá vir de fontes renováveis.
A empresa também informou que pretende utilizar água de reúso no processo industrial, reduzindo a necessidade de recorrer diretamente a fontes convencionais de abastecimento.
A exigência de eletricidade renovável está diretamente relacionada à classificação do hidrogênio produzido.
Na rota mais associada ao chamado hidrogênio verde, a eletricidade de fontes renováveis alimenta eletrolisadores que separam o hidrogênio presente na água.
Esse gás pode depois ser utilizado na produção de amônia, produto amplamente empregado na indústria de fertilizantes e que também vem sendo estudado como alternativa para transporte e armazenamento de energia.
No caso de São Gonçalo do Amarante, a capacidade anunciada de 200 mil toneladas anuais de amônia verde coloca o derivado como um dos principais produtos previstos para a futura operação.
A unidade terá aproximadamente 2 mil metros quadrados de área construída, segundo as informações divulgadas durante o processo de licenciamento.
Primeira etapa prevê R$ 700 milhões
O projeto deverá ser implantado de forma gradual.
Segundo informações da Atlântico divulgadas pela Tribuna do Norte, o investimento inicial previsto é de R$ 700 milhões e corresponde a uma primeira etapa da capacidade planejada.
A empresa trabalha com um horizonte de aproximadamente dez anos para atingir a plenitude da operação.
A companhia também afirma que a estrutura poderá futuramente produzir até 300 mil toneladas de ureia verde, derivada da combinação entre amônia e outras etapas industriais.
Essa produção ainda representa uma projeção da empresa e não significa que a fabricação esteja autorizada ou pronta para começar.
A intenção declarada é utilizar parte da infraestrutura portuária do Rio Grande do Norte para escoar os produtos.
O diretor-técnico da Atlântico, Newton Coelho de Medeiros, afirmou que a ureia poderia ser exportada inicialmente pelo Porto-Ilha de Areia Branca e, posteriormente, por uma estrutura prevista para Galinhos.
Esses planos dependem do avanço dos projetos logísticos, industriais e de novos licenciamentos.
Estado tenta transformar renováveis em indústria
A nova unidade chega em um momento em que o Rio Grande do Norte tenta converter sua elevada disponibilidade de energia renovável em novas atividades industriais.
Em abril de 2026, o estado lançou seu Atlas de Hidrogênio Verde, desenvolvido pelo Governo do RN em parceria com a Federação das Indústrias do Estado e executado pelo Instituto SENAI de Inovação em Energias Renováveis.
O estudo mapeia regiões consideradas mais adequadas para receber plantas de hidrogênio e cadeias industriais associadas.
O levantamento considera fatores como disponibilidade de recursos eólicos e solares, infraestrutura, acesso à água, logística e possibilidade de conexão ao sistema elétrico.
A estratégia aproveita uma característica já consolidada do Rio Grande do Norte: a forte presença da geração eólica e solar.
Em vez de utilizar essa eletricidade apenas para abastecer a rede, projetos de hidrogênio buscam transformá-la em moléculas capazes de atender setores industriais ou serem transportadas para outros mercados.
A planta de São Gonçalo do Amarante não é o único empreendimento desse tipo em desenvolvimento no estado.
Em abril, o Idema concedeu Licença Prévia ao Projeto Morro Pintado, planejado para Areia Branca pela Brazil Green Energy.
A iniciativa possui investimento anunciado de aproximadamente R$ 12 bilhões e capacidade estimada de produção de 80 mil toneladas anuais.
Os dois projetos estão, porém, em estágios ambientais diferentes.
Morro Pintado recebeu uma Licença Prévia, que reconhece a viabilidade ambiental na fase de planejamento. Já a unidade da Atlântico recebeu uma Licença de Instalação, etapa posterior que permite avançar fisicamente com o empreendimento.
Produção ainda depende de nova licença
O avanço do setor ocorre enquanto empresas e governos procuram criar demanda para o hidrogênio de baixa emissão.
A molécula pode ser utilizada em atividades industriais nas quais a eletrificação direta é mais difícil, enquanto a amônia pode atender tanto a indústria química e de fertilizantes quanto potenciais aplicações energéticas.
Mesmo assim, a existência de uma licença de instalação e de uma capacidade projetada não garante que toda a produção anunciada será efetivamente alcançada.
Projetos de hidrogênio verde dependem de fatores como custo da eletricidade, preço dos equipamentos, contratos de compra de longo prazo, disponibilidade de infraestrutura e regulamentação.
No empreendimento de São Gonçalo do Amarante, algumas dessas definições ainda estão em desenvolvimento.
A empresa precisa concluir a implantação, cumprir as condicionantes ambientais e obter a Licença de Operação antes de iniciar a produção.
Também será necessário comprovar a origem renovável de toda a eletricidade utilizada, uma exigência expressa no licenciamento.
O projeto representa, portanto, um avanço para a fase de implantação industrial, e não o início imediato da fabricação das 200 mil toneladas anunciadas.
Com a licença válida até setembro de 2030, a Atlântico passa agora à etapa de construção da infraestrutura necessária para transformar a disponibilidade de energia renovável do Rio Grande do Norte em hidrogênio, amônia e, futuramente, outros derivados de menor intensidade de carbono.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

