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Rio Grande do Sul lidera ranking da frota mais velha do Brasil: 42,3% dos veículos têm mais de 20 anos, e cidade gaúcha chega a 63,3% de modelos fabricados até 2005
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 13/10/2026 às 17:54
Atualizado em 13/10/2026 às 17:55
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Dados da Senatran mostram que 42,3% dos veículos do Rio Grande do Sul foram fabricados até 2005, contra 32% no país. Em Quaraí, a parcela sobe a 63,3%; entenda por que tantos modelos antigos seguem registrados.
Mais de quatro em cada dez veículos registrados no Rio Grande do Sul foram fabricados há mais de duas décadas. O estado lidera o ranking nacional de frotas mais antigas: 42,3% dos registros são de modelos produzidos até 2005, enquanto a média brasileira é de aproximadamente 32%.
Os números, extraídos de dados de julho de 2026 da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran), expõem um contraste inesperado. São Paulo, Paraná e Rio de Janeiro também aparecem entre os estados com maior proporção de veículos antigos, mas nenhum supera a marca gaúcha.
Rio Grande do Sul supera São Paulo e fica dez pontos acima da média brasileira
O levantamento divulgado em outubro mostra São Paulo na segunda posição, com 38,1% da frota fabricada até 2005. Depois vêm Paraná, com 36,8%, e Rio de Janeiro, com 36,7%. O Rio Grande do Sul está 10,3 pontos percentuais acima da média do país.
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As porcentagens levam em conta o ano de fabricação dos veículos registrados. O retrato difere das listas mensais de carros zero-quilômetro mais vendidos, que medem entradas recentes no mercado e não a permanência dos modelos antigos nos cadastros.
Maranhão registra apenas 14,6% de veículos antigos e revela contraste regional
Na outra extremidade aparece o Maranhão, onde 14,6% dos veículos foram fabricados até 2005. Pará tem 16,2%; Amapá, 16,6%; e Acre, 18,6%. A distância entre Maranhão e Rio Grande do Sul chega a 27,7 pontos percentuais.
Os números contrariam a expectativa de que estados mais ricos tenham necessariamente as frotas mais novas. A formação histórica do mercado automotivo, a permanência de veículos antigos e a dinâmica regional de compra e venda também influenciam o resultado.
Quaraí chega a 63,3% e concentra quase dois terços dos registros em modelos antigos
O contraste fica ainda maior em Quaraí, no interior gaúcho. Entre as cidades brasileiras com pelo menos 10 mil veículos registrados, o município lidera com 63,3% de unidades fabricadas até 2005, considerando os veículos com ano de fabricação conhecido.
Outras cidades gaúchas aparecem no alto da lista: Piratini registra 58%; Dom Feliciano, 57,2%; Encruzilhada do Sul, 57%; e Giruá, 55,8%. Em Santana do Livramento, onde a frota supera 80 mil unidades, o percentual é de 53,2%.
Mercado de usados ajuda a explicar por que o Sul preservou veículos de várias gerações
Everton Fernandes, presidente da Federação Nacional das Associações dos Revendedores de Veículos Automotores (Fenauto), aponta a formação histórica das frotas como uma das explicações. Sul e Sudeste reuniram grandes mercados de veículos mais cedo, acumulando modelos de diferentes gerações.
Na avaliação apresentada em reportagem publicada pelo UOL, também pesam crédito, renda familiar, custos de manutenção e a velocidade com que veículos são substituídos ou retirados dos registros. O dirigente evita atribuir a liderança gaúcha a uma única causa.
Comerciantes chegaram a comprar carros no Nordeste para revender no Sul
Fernandes relembra um movimento ocorrido especialmente entre o fim dos anos 1990 e o início da década passada. Comerciantes sulistas adquiriam carros usados no Nordeste e os transportavam para revenda em estados como Rio Grande do Sul e Santa Catarina.
Em determinados períodos, a diferença de preços entre as regiões era suficiente para cobrir o transporte e garantir margem aos revendedores. Essa circulação de automóveis pode ter aumentado o número de carros antigos que permaneceram registrados no Sul.
Enchentes de 2024 retiraram veículos de circulação, mas não mudaram a liderança
As enchentes que atingiram o Rio Grande do Sul em 2024 provocaram perdas expressivas no setor. Segundo números da Confederação Nacional das Seguradoras citados na reportagem, foram registradas mais de 18 mil solicitações de indenização de seguro automóvel relacionadas ao desastre.
O Detran-RS também criou um procedimento para a baixa definitiva de veículos inutilizados pelas águas. Mesmo após as perdas e substituições, os dados de julho de 2026 colocam o estado na primeira posição em participação de veículos fabricados até 2005.
Pesquisa Veloe/Fipe calcula 8,64 milhões de veículos no estado e apenas 12,4% recentes
Um estudo da Veloe em parceria com a Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), divulgado em setembro, contabilizou 8,64 milhões de veículos registrados no Rio Grande do Sul em julho de 2026. Nesse recorte, 41,9% tinham mais de 20 anos de fabricação e apenas 12,4% tinham até cinco anos.
Os resultados divulgados pelo Jornal do Comércio apresentam uma taxa ligeiramente diferente dos 42,3% apurados no levantamento de outubro. Ambos indicam predominância de modelos antigos; a pequena divergência exige cautela ao comparar seus critérios.
Veículo registrado não é necessariamente carro rodando nas ruas
A base pública da Senatran reúne dados por município e ano de fabricação. Um carro pode permanecer registrado mesmo sendo usado raramente ou estando parado, de modo que o total cadastrado não corresponde obrigatoriamente ao número que circula diariamente.
Idade também não determina o estado mecânico: quilometragem, conservação e manutenção pesam nessa avaliação. O dado revelado pelo levantamento é a permanência de veículos de décadas anteriores no cadastro brasileiro, com concentração especialmente elevada no Rio Grande do Sul.
Você ainda dirige um carro fabricado antes de 2006? Conte nos comentários o modelo, o ano e se compensa mantê-lo.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

