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São Paulo avalia reforma de 24 imóveis no Centro com programa de R$ 200 milhões que pode recuperar cinemas, hotéis e prédios antigos
Escrito por Ana Alice
Publicado em 19/10/2026 às 21:33
Atualizado em 19/10/2026 às 21:40
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Programa municipal recebeu 24 propostas para reformar e requalificar imóveis no Centro de São Paulo, incluindo cinemas históricos, hotéis, edifícios residenciais e prédios antigos que ainda passarão por análise técnica antes da seleção.
A Prefeitura de São Paulo recebeu 24 propostas de reforma e requalificação de imóveis da região central no quarto chamamento público de seu programa de Subvenção Econômica.
A nova rodada disponibiliza até R$ 200 milhões e reúne projetos para antigos cinemas de rua, hotéis, edifícios bancários, imóveis residenciais, uma igreja e construções de relevância arquitetônica. Os projetos, porém, ainda passarão por avaliação técnica antes da definição dos contemplados.
Embora o edital tenha reservado R$ 200 milhões, a soma dos subsídios solicitados pelos 24 inscritos chega a R$ 98,1 milhões, segundo levantamento publicado pela Folha de S.Paulo nesta segunda-feira (19).
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Pelas regras, cada empreendimento selecionado poderá receber apoio equivalente a até 25% do custo de suas obras.
As inscrições estão divididas igualmente entre usos residenciais e não residenciais: são 12 propostas em cada grupo.
Seis projetos incluem Habitação de Interesse Social, enquanto três tratam especificamente da recuperação de cinemas históricos. No conjunto habitacional, estão previstas 828 unidades, das quais 79 destinadas à faixa HIS-1 e 222 à HIS-2, voltadas a famílias de menor renda.
Três cinemas antigos estão entre os projetos inscritos
Uma das frentes mais visíveis do chamamento envolve espaços ligados à antiga rede de cinemas de rua do Centro.
O Cine Dom José, também conhecido como Cine Jussara, integra a lista apresentada à Prefeitura e tem pedido de R$ 4,2 milhões em subsídio.
Localizado na rua Dom José de Barros, próximo à Galeria Olido, o imóvel foi construído nos anos 1950 e tem projeto dos arquitetos Alfredo Mathias e Giancarlo Palanti. A inscrição foi feita pelo grupo Tokyo, que pretende recuperar o espaço para atividades culturais.
Outro projeto prevê a reabertura do Cine Ipiranga, na avenida de mesmo nome. Inaugurado em 1943 e projetado pelo arquiteto Rino Levi, o cinema realizou sua última sessão regular em 2005.
O pedido apresentado pela organização Viva do Brasil é de R$ 4,3 milhões.
A mesma organização também inscreveu o Cine Copan, com solicitação de R$ 3,6 milhões.
O espaço está localizado no edifício projetado por Oscar Niemeyer e deixou de funcionar regularmente como cinema ainda nos anos 1990, embora tenha voltado a receber eventos e apresentações em períodos recentes.
A Prefeitura classifica os três imóveis entre os cinemas históricos inscritos no chamamento. O edital de 2026 abriu espaço específico para equipamentos culturais, permitindo que áreas destinadas a cinema, teatro, música, dança e outras atividades concorram ao apoio financeiro para obras de requalificação.
Bancos antigos, hotel e prédio de Ramos de Azevedo também disputam recursos
A lista não se limita aos cinemas.
Entre os imóveis inscritos está a antiga sede do Banco de São Paulo, na Praça Antônio Prado, um edifício de arquitetura art déco que deverá ser transformado em hotel caso o projeto avance.
A proposta foi apresentada pela Somauma e solicita R$ 12 milhões em subvenção. Também aparece na seleção um edifício que abrigou o Banco do Brasil na avenida São João, para o qual foi solicitado R$ 1 milhão destinado ao restauro da fachada.
Outro projeto de maior porte envolve o Palacete do Carmo, complexo centenário próximo à Praça da Sé e antiga sede do Arcebispado de São Paulo.
A proposta apresentada pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano (CDHU) prevê centro de memória, áreas para inovação e educação, residências, comércio e serviços de alimentação.
Nesse caso, o valor solicitado chega a R$ 28,2 milhões, o maior entre os exemplos detalhados pela Folha.
Um prédio centenário da rua Roberto Simonsen, associado ao escritório de Ramos de Azevedo, também está entre os candidatos.
A proposta prevê preservar elementos originais, como fachada, vitrais e pisos, ao mesmo tempo em que o imóvel é adaptado para funcionar como centro cultural. O pedido de incentivo é de R$ 1,1 milhão.
A Igreja Nossa Senhora da Paz, no Glicério, busca R$ 5,3 milhões. O edifício, datado de 1940 e tombado, reúne afrescos e esculturas e é conhecido pela atuação da Missão Paz junto a migrantes e refugiados.
Também aparece na relação o Hotel Nacional Inn Jaraguá, instalado em um edifício conhecido pelo relógio no topo e por um mural de Di Cavalcanti.
O imóvel, projetado por Franz Heep e Jacques Pilon, continua funcionando como hotel e solicita R$ 6 milhões para intervenções no prédio.
Programa não garante que os 24 projetos receberão recursos
A presença na lista divulgada pela Prefeitura não significa que os 24 imóveis já tenham financiamento ou reforma aprovados.
O encerramento das inscrições concluiu apenas a primeira etapa do processo.
Agora, os projetos entram na fase de credenciamento. Técnicos municipais vão analisar aspectos como benefícios urbanísticos, preservação do patrimônio, sustentabilidade e destinação prevista para cada imóvel.
Também será verificada a documentação dos responsáveis pelos empreendimentos.
Somente depois dessa avaliação serão definidos os projetos credenciados, sua ordem de prioridade e o percentual de subvenção destinado a cada um. Os selecionados seguirão então para a assinatura dos termos de outorga com a Prefeitura.
O quarto chamamento foi lançado em agosto de 2026 e faz parte de uma política mais ampla para estimular a recuperação de prédios existentes no Centro.
A Subvenção Econômica prevê aporte total de R$ 1 bilhão, enquanto essa rodada específica reservou R$ 200 milhões.
A iniciativa complementa o Programa Requalifica Centro, criado para oferecer benefícios fiscais e construtivos a projetos de recuperação de edifícios antigos.
Assista o vídeo
Segundo a Prefeitura, os dois mecanismos já alcançam 51 edifícios e projetos que somam 5.238 moradias na região central. Nos três primeiros chamamentos da Subvenção Econômica, 31 empreendimentos foram selecionados, com aproximadamente R$ 67,5 milhões em incentivos concedidos.
Com a divulgação das 24 inscrições nesta segunda-feira (19), a próxima etapa será definir quais desses projetos atendem às exigências do edital e quanto cada um poderá receber.
Até essa decisão, os cinemas, hotéis, residências e edifícios históricos apresentados permanecem como propostas em avaliação, e não como obras já contratadas pela Prefeitura.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

