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Split payment em 2027: o que muda no caixa do lojista, segundo Dmytro Rukin, CEO da LaFinteca
Escrito por Maria Heloisa Barbosa Borges
Publicado em 27/10/2026 às 09:07
Economia
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A partir de 2027, o split payment da reforma tributária vai separar o IBS e a CBS no momento da liquidação, e o lojista passa a receber só o valor líquido, explica Dmytro Rukin, CEO da LaFinteca. Para quem vende para outras empresas, o efeito mais imediato aparece no capital de giro, porque o dinheiro do imposto deixa de passar pelo caixa até o vencimento.
Na prática, bancos, instituições de pagamento e os arranjos Pix e boleto farão a divisão antes de o dinheiro chegar ao vendedor. Hoje o lojista recebe o valor cheio e recolhe o tributo só no vencimento. Nesse intervalo, o imposto ajuda a pagar fornecedor, folha e estoque. Com o split, esse fôlego sai já na fonte.
“Para muita empresa, o imposto a recolher funciona como um empréstimo silencioso de algumas semanas”, diz Rukin. “Em 2027 esse dinheiro sai na liquidação, e o planejamento do caixa precisa começar agora.”
O que é o split payment e quando começa?
Split payment é o recolhimento do IBS e da CBS dividido no próprio pagamento, previsto na Lei Complementar 214/2025. O Decreto 12.955/2026, de 30 de abril de 2026, determina que ele entre em pelo menos duas etapas. A primeira, a partir de 2027, é facultativa, vale para operações B2B com comprador do regime regular e cobre boleto, Pix, TED e TEF. Os cartões entram depois.
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A Receita Federal e o Comitê Gestor do IBS publicaram a documentação técnica da plataforma pública em junho de 2026, e os testes de integração com os prestadores de pagamento começaram em 15 de outubro de 2026, ainda sem transações reais, segundo a Receita. A data em que o uso passa a ser obrigatório segue em definição, em outubro de 2026.
Quem separa o imposto no pagamento?
A divisão fica com os bancos, as instituições de pagamento e os arranjos de Pix e boleto que processam a liquidação. Cada pagamento passa a carregar campos novos, como os valores de CBS e de IBS e a identificação do documento fiscal da operação. Com esses dados, a instituição consulta a plataforma pública da Receita Federal e do Comitê Gestor do IBS, separa a parcela de IBS e CBS e repassa o valor líquido ao vendedor.
O que muda no capital de giro do lojista?
Hoje, entre a venda e o vencimento do tributo, o valor do imposto fica no caixa da empresa. Com o split payment, ele sai na liquidação, e o lojista recebe apenas o líquido. Para uma distribuidora que vende para outras empresas, isso muda a conta do fluxo de caixa, das linhas de crédito e até da negociação de prazo com fornecedores.
O efeito aparece primeiro em quem vende B2B por Pix, boleto e transferência, justamente os meios da primeira etapa. Como a adesão em 2027 é facultativa, cada empresa ganha tempo para medir o impacto antes de a regra valer para todos.
O que uma instituição de pagamento licenciada precisa preparar?
A LaFinteca possui licença de instituição de pagamento do Banco Central do Brasil. Do lado das instituições, Rukin vê três frentes de trabalho. Receber e validar os campos novos em cada pagamento, calcular a parcela do imposto a partir da consulta à plataforma pública e entregar ao cliente uma conciliação clara entre valor bruto, imposto separado e valor líquido. É a terceira que o lojista mais vai sentir.
“O cliente vai olhar o extrato e precisa entender em dez segundos por que recebeu menos”, diz Rukin. “Se a conciliação fecha com a nota fiscal, a mudança passa quase despercebida no dia a dia.”
Como o lojista deve se preparar ainda em 2026?
- Mapeie os fluxos B2B. Liste quais clientes pagam por Pix, boleto, TED e TEF e quanto do faturamento passa por cada meio.
- Confira o ERP e os documentos fiscais. O pagamento precisa conversar com a nota. Verifique se o sistema associa o identificador do documento fiscal a cada cobrança.
- Refaça o fluxo de caixa sem o imposto em trânsito. Simule alguns meses recebendo só o líquido e veja em que semanas o caixa aperta.
- Converse com o seu provedor de pagamento. Pergunte quando ele pretende aderir à primeira etapa, como vai mostrar o imposto separado no extrato e quais dados vai pedir em cada cobrança.
Para Rukin, o lojista que modelar a mudança em 2026 vai senti-la menos em 2027. A primeira etapa chega de forma facultativa, e essa janela é a melhor chance de testar o novo caixa com calma.
FAQ
Quando começa o split payment?
A primeira etapa está prevista para 2027, facultativa e restrita a operações B2B por boleto, Pix, TED e TEF. A data de obrigatoriedade ainda está em definição.
Como funciona o split payment no Pix?
Na liquidação, a instituição separa os valores de IBS e CBS informados no pagamento, repassa a parcela ao fisco e entrega ao vendedor o valor líquido.
O split payment muda o valor do imposto?
O mecanismo trata do momento e da forma do recolhimento. As alíquotas de IBS e CBS seguem as regras da reforma tributária.
Dmytro Rukin é CEO da LaFinteca, empresa de infraestrutura de pagamentos que opera na América Latina (Brasil, México, Chile, Peru, Colômbia) e na Europa.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Maria Heloisa Barbosa Borges.

