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TGS envia navio Ramform Titan para pesquisar 11,2 mil km² na Bacia de Pelotas, a 100 km da costa gaúcha, em nova etapa da busca por petróleo prevista para começar em outubro
Escrito por Felipe Alves da Silva
Publicado em 13/10/2026 às 23:39
Atualizado em 13/10/2026 às 23:50
Setor Offshore
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Empresa norueguesa inicia a segunda fase de levantamentos sísmicos em parceria com a SLB, utilizando o navio Ramform Titan e três embarcações de apoio para investigar estruturas geológicas no litoral do Rio Grande do Sul que podem indicar a presença de petróleo e gás.
A TGS prepara uma nova campanha de pesquisa sísmica na Bacia de Pelotas, no litoral do Rio Grande do Sul, que abrangerá aproximadamente 11,2 mil quilômetros quadrados de área marítima. A operação utilizará o navio especializado Ramform Titan, com retomada dos levantamentos prevista entre os dias 24 e 29 de outubro de 2026, após um período de interrupção destinado à proteção da biodiversidade marinha.
O anúncio foi feito em 13 de outubro pela companhia norueguesa, que desenvolve o projeto Pelotas Sul Fase 2 em parceria com a SLB. Os trabalhos estão concentrados em uma região situada a aproximadamente 100 quilômetros da costa gaúcha, entre a altura da Lagoa dos Patos e o Chuí, próximo à fronteira com o Uruguai.
De acordo com a TN Petróleo, a área pesquisada apresenta lâminas d’água a partir de 200 metros de profundidade. A campanha contará com três embarcações de apoio: Ocean Mermaid, C Itajaí e DRS Ipanema.
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O objetivo é ampliar o conhecimento geológico de uma das fronteiras exploratórias brasileiras que vêm atraindo o interesse de empresas internacionais de petróleo.
A pesquisa não corresponde à perfuração de poços nem confirma uma descoberta comercial de petróleo. Seu papel é produzir imagens detalhadas do subsolo marinho, permitindo identificar estruturas que poderão justificar investimentos em futuras campanhas exploratórias.
Navio Ramform Titan já iniciou lançamento de cabos para pesquisar o fundo do mar
O Ramform Titan é uma embarcação especializada na aquisição de dados sísmicos tridimensionais, tecnologia utilizada para investigar formações geológicas localizadas abaixo do leito oceânico.
Durante a operação, o navio reboca equipamentos capazes de emitir ondas acústicas controladas e registrar seus reflexos nas diferentes camadas do subsolo.
Os sinais são captados por sensores instalados em extensos cabos rebocados atrás da embarcação. Depois de processados, os registros permitem construir representações tridimensionais das estruturas geológicas.
Essa tecnologia ajuda a identificar possíveis reservatórios e armadilhas geológicas, além de fornecer informações importantes para reduzir incertezas na escolha de futuras áreas de perfuração.
Conforme a TN Petróleo, o Ramform Titan já iniciou os preparativos de lançamento dos cabos, enquanto a aquisição sísmica está programada para ser retomada entre 24 e 29 de outubro.
A operação faz parte de um programa iniciado em novembro de 2025 e que, segundo a companhia, deverá continuar até 2028.
A atividade possui licenciamento do Ibama e autorizações da Marinha do Brasil e da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Descobertas de petróleo na Namíbia ajudam a explicar interesse pela Bacia de Pelotas
Um dos fatores que impulsionam os investimentos em pesquisas geológicas na Bacia de Pelotas está do outro lado do Oceano Atlântico.
A margem continental brasileira apresenta semelhanças geológicas com áreas da costa ocidental africana, particularmente com regiões da Namíbia que registraram descobertas importantes de hidrocarbonetos.
Essa relação tem origem na separação dos continentes sul-americano e africano durante a abertura do Atlântico Sul.
Segundo a TGS, a Bacia de Pelotas apresenta diferentes possibilidades geológicas ainda pouco exploradas, incluindo sistemas turbidíticos, canais de águas profundas e armadilhas estratigráficas e estruturais.
Os sistemas turbidíticos despertam interesse porque são formados pelo transporte e deposição de sedimentos em ambientes submarinos. Em determinadas condições, essas rochas podem apresentar características adequadas ao armazenamento de petróleo e gás.
As descobertas africanas reforçam o interesse por modelos geológicos semelhantes no litoral brasileiro, mas não comprovam que existam acumulações equivalentes na Bacia de Pelotas.
É justamente essa incerteza que os levantamentos sísmicos procuram reduzir.
João Correa, responsável pelas operações da TGS no Brasil, afirmou à TN Petróleo que os estudos já realizados indicam estruturas promissoras, com potencial para reservatórios.
A nova etapa deverá acrescentar informações tanto sobre áreas anteriormente estudadas quanto sobre regiões ainda pouco conhecidas.
Primeira fase pesquisou 13,5 mil km² e nova campanha amplia cobertura offshore
A campanha Pelotas Sul Fase 2 dá continuidade aos trabalhos desenvolvidos anteriormente pela TGS e pela SLB.
Em junho de 2026, as empresas anunciaram detalhes da primeira fase do projeto, responsável por uma cobertura de aproximadamente 13,5 mil quilômetros quadrados.
A aquisição utilizou o navio Ramform Tethys, mobilizado em dezembro de 2025, com previsão de conclusão no início do terceiro trimestre de 2026.
A segunda fase acrescentará cerca de 11,2 mil quilômetros quadrados de aquisição sísmica 3D, ampliando o conjunto de informações disponíveis sobre a porção sul da bacia.
Consideradas as extensões anunciadas das duas fases, os projetos representam aproximadamente 24,7 mil quilômetros quadrados de levantamentos planejados, sem que isso signifique necessariamente uma área geográfica exclusiva dessa dimensão, já que poderá haver sobreposição entre os estudos.
A TGS informou que a nova campanha abrangerá tanto blocos já concedidos quanto áreas ainda disponíveis.
Essa característica permite que os dados sejam utilizados por empresas que já possuem direitos exploratórios e por outras interessadas em futuras rodadas de licitação ou negociações de participação em blocos.
O modelo de aquisição é conhecido como multi-client: uma empresa especializada realiza o levantamento e comercializa os dados para diferentes clientes do setor de energia.
Para as petroleiras, esse tipo de informação pode ajudar na avaliação de oportunidades antes de assumir os custos e riscos envolvidos na perfuração de poços exploratórios.
Pesquisa prevê conclusão da segunda fase em 2027 e campanha mais ampla até 2028
De acordo com o comunicado oficial da TGS, a aquisição de dados da Pelotas Sul Fase 2 está programada para ser concluída entre o segundo e o terceiro trimestre de 2027.
O calendário mais amplo de levantamentos sísmicos da companhia na Bacia de Pelotas, porém, prevê atividades até 2028.
As operações também precisam observar condições ambientais específicas.
A retomada neste mês ocorre após uma janela de interrupção iniciada em agosto para proteção da biodiversidade marinha, medida adotada para reduzir possíveis interferências durante períodos sensíveis para determinadas espécies.
A partir da nova campanha, a TGS pretende ampliar a base de informações geológicas que poderá orientar decisões de investimento na região.
Para o setor offshore brasileiro, o avanço merece atenção porque a Bacia de Pelotas ainda possui histórico exploratório limitado quando comparada às principais áreas produtoras do país, como as bacias de Santos e Campos.
O desenvolvimento de uma nova fronteira petrolífera depende de uma sequência de etapas: estudos geológicos, aquisição sísmica, avaliação de blocos, licenciamento, perfuração exploratória e, somente diante de resultados favoráveis, eventual desenvolvimento comercial.
A chegada do Ramform Titan representa uma nova etapa de investigação, não o início da produção de petróleo no litoral gaúcho.
Os resultados da aquisição e a avaliação posterior dos dados serão determinantes para mostrar quais estruturas da Bacia de Pelotas poderão atrair futuras campanhas de perfuração.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Felipe Alves da Silva.

