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Brasileiros colocam dinheiro na mesa e compram carros 0km: Fenabrave revisa projeção para cima após acumulado surpreender e um segmento que quase dobrou de participação explica por que 2026 virou um ano fora da curva
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 06/11/2026 às 15:18
Atualizado em 06/11/2026 às 15:41
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O mercado somou 4,72 milhões de emplacamentos até outubro, alta de 12,62% sobre 2025. Automóveis e comerciais leves avançaram 17,29%, enquanto os eletrificados alcançaram 20,54% dessas duas categorias, quase o dobro da participação registrada um ano antes.
O mercado brasileiro de veículos novos acumulou 4.722.650 emplacamentos entre janeiro e outubro de 2026 e levou a Federação Nacional da Distribuição de Veículos Automotores (Fenabrave) a revisar para cima sua estimativa para o ano. A projeção passou de 8,6%, divulgada em julho, para 12,8% sobre 2025.
A mudança acrescentou 4,2 pontos percentuais à previsão anterior. Mantida a nova estimativa, o mercado total pode se aproximar de 5,6 milhões de veículos até dezembro.
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A conta reúne automóveis, comerciais leves, caminhões, ônibus, motocicletas e implementos rodoviários, mas não inclui máquinas agrícolas. O acumulado de janeiro a outubro cresceu 12,62% sobre o mesmo período do ano passado e é o segundo maior da série histórica para os dez primeiros meses, atrás apenas de 2011.
Esse desempenho contrasta com outubro, que terminou com 489.119 emplacamentos. O volume ficou 4,06% abaixo de setembro e 0,85% abaixo do mesmo mês de 2025, sem alterar a direção positiva do resultado acumulado.
A Fenabrave atribuiu parte dessa diferença ao calendário. Outubro de 2026 teve 21 dias úteis, contra 23 no ano anterior, reduzindo o número de dias disponíveis para faturamento e registro de veículos.
A comparação mensal, portanto, não resume sozinha o comportamento do mercado em 2026. Enquanto outubro recuou nas duas bases de comparação, o resultado dos dez primeiros meses permaneceu em alta de dois dígitos e sustentou a revisão da projeção anual.
Automóveis, comerciais leves e motos concentram o avanço
Entre os segmentos de maior volume, automóveis e comerciais leves somaram 2.410.505 emplacamentos, crescimento de 17,29% sobre o mesmo intervalo de 2025. A expansão ficou acima dos 12,62% registrados pelo conjunto do mercado acompanhado pela federação.
As motocicletas chegaram a 1.985.816 unidades no acumulado, alta de 8,9% e recorde para os dez primeiros meses dentro da série histórica do segmento.
Somados, automóveis, comerciais leves e motocicletas responderam por aproximadamente 4,4 milhões dos 4,72 milhões de emplacamentos registrados até outubro. Isso equivale a cerca de 93% do mercado contabilizado no período e mostra o peso desses grupos no resultado agregado.
O desempenho não foi uniforme entre todas as categorias. Caminhões e ônibus continuam com queda no acumulado, embora a Fenabrave informe que a retração vem diminuindo ao longo do ano.
Essa diferença impede que a alta geral seja interpretada como crescimento semelhante em todo o setor. Categorias de grande volume avançaram, enquanto os veículos pesados permaneceram abaixo do resultado registrado em 2025.
Eletrificados quase dobram participação
A mudança mais acentuada aparece no recorte dos veículos eletrificados. A Fenabrave contabilizou 524.766 unidades híbridas e elétricas entre janeiro e outubro, expansão superior a 130% em relação ao mesmo período do ano passado.
No recorte específico de automóveis e comerciais leves, os eletrificados alcançaram 20,54% dos emplacamentos, contra 10,67% em 2025. A diferença é de 9,87 pontos percentuais e coloca a participação deste ano em nível quase duas vezes maior.
A comparação feita pelo CPG a partir dos percentuais divulgados pela federação indica aumento relativo de cerca de 92,5% nessa participação. Em termos práticos, uma fatia de 20,54% corresponde a pouco mais de um em cada cinco emplacamentos de automóveis e comerciais leves.
Os dois indicadores divulgados pela entidade medem dimensões diferentes do fenômeno. O total de 524.766 informa o volume de híbridos e elétricos registrado no período, enquanto a participação de 20,54% mostra o espaço alcançado pelos eletrificados dentro do recorte de automóveis e comerciais leves.
Esse crescimento ocorreu ao mesmo tempo em que o próprio mercado de automóveis e comerciais leves avançou 17,29%. Assim, a maior participação dos eletrificados foi registrada em um segmento que também apresentou expansão de volume no acumulado.
A diferença para 2025 fica evidente na participação: a fatia dos eletrificados aumentou quase dez pontos percentuais em um ano. Esse movimento aparece ao lado do recorde das motocicletas para o período e do avanço acima da média registrado por automóveis e comerciais leves.
A projeção de 12,8% continua sendo uma estimativa, e não um resultado fechado. Os emplacamentos de novembro e dezembro ainda podem alterar o total anual e a distribuição final entre os segmentos, enquanto caminhões e ônibus permanecem em queda no acumulado até outubro.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

