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Cada brasileiro emitiu 2,3 toneladas de CO₂ fóssil em 2024, menos da metade da média mundial
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 05/11/2026 às 16:43
Atualizado em 05/11/2026 às 16:50
Sustentabilidade
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Levantamento do Global Carbon Project mostra que os maiores emissores por pessoa são países produtores de petróleo e gás, e que o petróleo responde por 32% do CO₂ fóssil do planeta.
Cada brasileiro emitiu, em média, cerca de 2,3 toneladas de CO₂ de combustíveis fósseis e da indústria em 2024, menos da metade da média mundial, de 4,7 toneladas por pessoa. Os números são do Global Carbon Budget 2025, levantamento anual do Global Carbon Project, uma equipe internacional de cientistas do clima, publicado em novembro de 2025.
A edição cobre todos os países até 2024 e projeta para 2025 um novo recorde de emissões fósseis: 38,1 bilhões de toneladas de CO₂, alta de 1,1% em relação a 2024.
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China lidera em volume
Em números absolutos, a China emitiu 12,3 bilhões de toneladas de CO₂ em 2024, cerca de 32% do total mundial e mais do que Estados Unidos, Índia e Rússia juntos. Os Estados Unidos vieram em seguida, com 4,9 bilhões de toneladas, e a Índia, com 3,2 bilhões.
Os dez maiores emissores responderam por cerca de 69% do CO₂ fóssil do planeta. Contada como um único bloco, a União Europeia (27 países) emitiu 2,43 bilhões de toneladas, o que a colocaria em quarto lugar.
Desde 2015, as emissões da China cresceram cerca de 25%, as da Índia 43% e as da Indonésia 47%, acompanhando o crescimento das economias e do consumo de eletricidade. No mesmo período, caíram 9% nos Estados Unidos, 21% no Japão e 22% na União Europeia.
Por pessoa, os produtores de petróleo e gás lideram
Quando o total é dividido pela população, o ranking muda. Entre os países com pelo menos um milhão de habitantes, os números mais altos são de produtores de petróleo e gás com pouca população: o Catar emitiu 41,3 toneladas de CO₂ por pessoa em 2024, o Kuwait 26,2, o Bahrein 24,3, Trinidad e Tobago 22,9 e a Arábia Saudita 20,4.
Em seguida aparecem grandes economias ricas e com alto consumo de energia, como Austrália (14,5 t), Estados Unidos (14,2 t) e Canadá (13,4 t). A China, com 8,7 toneladas por pessoa, já está bem acima da média da União Europeia, de 5,4 toneladas. No outro extremo estão a Índia, com 2,2 toneladas, o Brasil, com 2,3, e a África como um todo, com cerca de 1 tonelada por pessoa.
O ranking completo, com as tabelas por país e a comparação entre os países europeus, está neste levantamento sobre a pegada de carbono por país em 2026.
O que o número do Brasil não mostra
A média brasileira é baixa em parte porque o país gera a maior parte da sua eletricidade em hidrelétricas e outras fontes renováveis. Mas as 2,3 toneladas contam apenas o CO₂ dos combustíveis fósseis e da indústria. Ficam de fora o desmatamento e as outras mudanças no uso da terra, que no Brasil têm um peso grande nas emissões totais.
Quando se somam todos os gases de efeito estufa, incluindo metano, óxido nitroso e uso da terra, a média mundial sobe para cerca de 6,7 toneladas de CO₂ equivalente por pessoa, segundo um estudo de Jones et al. publicado em 2025.
Há ainda a diferença entre produção e consumo. As estatísticas nacionais contam as emissões onde elas acontecem. Quando as emissões dos bens comercializados são atribuídas ao país que os compra, o Brasil fica com cerca de 2,2 toneladas por pessoa em 2023, praticamente o mesmo que produz. Nos países ricos importadores, a conta sobe: em 2023, o Reino Unido produziu 4,5 toneladas por pessoa, mas consumiu 7,1; a Suíça produziu 3,6 e consumiu 13,3.
Petróleo responde por 32% do CO₂ fóssil
Do CO₂ fóssil e industrial emitido no mundo em 2024, 41% veio do carvão, 32% do petróleo, 21% do gás natural, 4% da produção de cimento e 2% da queima de gás em flare e de outros processos industriais. Pela projeção do Global Carbon Project, carvão, petróleo e gás natural voltaram a crescer em 2025.
O carvão é queimado sobretudo em usinas elétricas e na indústria pesada, em boa parte na Ásia. O petróleo domina o transporte, e é por isso que dirigir e voar pesam tanto na pegada de carbono de uma pessoa.
Restam cerca de quatro anos de orçamento para 1,5 °C
O Global Carbon Budget também estima quanto CO₂ o mundo ainda pode emitir para limitar o aquecimento a 1,5 °C: cerca de 170 bilhões de toneladas, mais ou menos quatro anos de emissões no nível de 2025.
Entre 2015, ano do Acordo de Paris, e 2024, as emissões fósseis mundiais subiram cerca de 9%. A queda exigida pelas metas de Paris ainda não começou.
O que fazer com esses números
As médias nacionais são a soma de muitas decisões de pessoas e empresas sobre energia, transporte, alimentação e consumo. Para quem quer agir, o caminho tem três passos:
- Medir. Calculadoras gratuitas, como a da Coffset, estimam em poucos minutos a pegada de carbono de uma pessoa ou de uma família, sem cadastro, e comparam o resultado com a média do país. É uma estimativa, não um inventário auditado, mas mostra o que mais pesa.
- Reduzir primeiro. Os itens que mais pesam costumam ser a energia em casa, os voos, o uso do carro e a alimentação.
- Financiar projetos climáticos para o que sobra. Para as emissões que ainda não dá para evitar, é possível comprar créditos de carbono. Cada crédito corresponde a uma tonelada de CO₂ equivalente reduzida ou removida por um projeto certificado e deve ser cancelado definitivamente em um registro público, para que não seja vendido de novo.
Como avaliar um crédito de carbono
- Padrão de certificação: o crédito deve ser emitido sob um padrão reconhecido, como o Verified Carbon Standard da Verra ou o Gold Standard.
- Cancelamento: o fornecedor deve cancelar o crédito em um registro público, com número de série único, e mostrar onde.
- Avaliação independente: agências como BeZero, Calyx Global, Renoster e Sylvera avaliam se os projetos entregam o que prometem.
- Diversificação: uma carteira com vários projetos e países, incluindo remoções de carbono, reduz o risco de depender de um único projeto.
A Coffset, empresa de Tallinn, na Estônia, cancela os créditos por meio da CNaught, a partir de uma carteira certificada por padrões como o Verified Carbon Standard da Verra, Gold Standard, Climate Action Reserve e Puro.earth, e cada compra vem com um certificado.
Comprar créditos não desfaz as emissões que já aconteceram. O que eles fazem é financiar projetos que reduzem ou removem carbono em outro lugar. Por isso, reduzir vem primeiro, e os créditos ficam para a parte que ainda não dá para cortar.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

