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Noruega cria três áreas de testes submarinos, instala 3 quilômetros de cabos no fundo do mar e quer preparar robôs para inspecionar plataformas sem expor trabalhadores
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 02/11/2026 às 18:25
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Noruega inaugurou um centro de robótica com testes a 25, 140 e 250 metros de profundidade e 3 km de cabos submarinos. Veja como drones e sensores poderão inspecionar instalações offshore com menos riscos.
O fundo do mar ao lado de uma das maiores instalações de processamento de gás da Noruega agora faz parte de um laboratório incomum. Três áreas submarinas, com profundidades de 25, 140 e 250 metros, foram reservadas para testar máquinas capazes de inspecionar tubulações, observar estruturas e operar sem tripulação embarcada. Para completar o cenário, foram instalados 3 quilômetros de cabos submarinos com equipamentos eletrônicos que permitirão experimentar sensores ao longo do tempo.
A estrutura foi inaugurada em 28 de outubro de 2026, junto ao complexo de Kårstø, na costa oeste norueguesa. Batizado de KNARR, o centro de robótica marinha foi criado para desenvolver tecnologias que possam trabalhar em condições semelhantes às encontradas em operações reais de petróleo, gás e outros serviços no oceano. A expectativa é reduzir a necessidade de enviar pessoas e embarcações grandes para determinadas tarefas de inspeção, embora os testes ainda precisem demonstrar quais aplicações funcionarão de maneira confiável.
Três áreas a 25, 140 e 250 metros permitem testar robôs em condições diferentes no mesmo local
Em uma piscina industrial, engenheiros conseguem observar a máquina e repetir um exercício com controle relativamente elevado. O mar impõe desafios diferentes: correntes, visibilidade reduzida, variações de pressão, movimento de embarcações e dificuldade de comunicação. No KNARR, as equipes poderão avaliar equipamentos em três faixas de profundidade, começando por águas mais rasas e chegando a 250 metros, sem precisar levar cada protótipo diretamente para uma instalação produtiva distante da costa.
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O centro fica conectado ao complexo de Kårstø, no município de Tysvær, onde chegam matérias-primas de campos da plataforma continental norueguesa. A planta processa gás, condensados e óleo leve e participa do sistema de exportação energética do país. Segundo a Equinor, aproximadamente 30 campos estão ligados à instalação por dutos. Isso cria uma vizinhança industrial com infraestrutura real, especialmente relevante para experimentar técnicas de monitoramento e manutenção.
Equinor e Gassco apresentam o KNARR como um dos primeiros centros de sua categoria conectados a uma unidade industrial em funcionamento. A novidade está em testar sistemas sobre estruturas e condições semelhantes às operações cotidianas, e não em transformar toda a área produtiva em local de experiências sem controle. Os ensaios precisam respeitar limites operacionais e regras de segurança.
Três quilômetros de cabos no fundo do mar vão servir para ouvir vibrações e acompanhar mudanças na infraestrutura
Os cabos recém-instalados são parte essencial do centro. A Equinor informou que 3 quilômetros de infraestrutura submarina com eletrônica associada foram implantados para testar sensores durante períodos prolongados. A rede se soma a cabos de energia, dutos de exportação e estruturas submarinas já existentes na região.
Uma das possibilidades envolve o sensoriamento acústico distribuído, conhecido pela sigla DAS. Nesse método, pulsos de luz percorrem uma fibra óptica, e as alterações na pequena parcela de luz que retorna ao instrumento podem revelar vibrações ao longo do cabo. Em termos simples, uma mesma linha pode funcionar como uma sequência de pontos sensíveis, permitindo localizar alterações em diferentes trechos sem instalar um microfone convencional a cada poucos metros.
Esse tipo de leitura pode ajudar a estudar movimentos próximos a cabos e tubulações, acompanhar atividades no fundo do mar e investigar eventos que mereçam atenção. Porém, um sinal captado precisa ser interpretado corretamente: a presença de vibração não comprova, por si só, vazamento, sabotagem ou defeito. O objetivo do centro é justamente qualificar equipamentos e métodos para separar informações úteis de ruídos e falsos alertas.
O projeto não prevê somente instalar sensores e esperar resultados. Robôs e drones poderão comparar seus próprios registros com os dados dos cabos, aproximando câmeras e instrumentos de pontos que apresentem alterações. Essa combinação oferece uma forma de investigar estruturas que, hoje, muitas vezes exigem mobilizar embarcações maiores.
Um robô submarino capaz de carregar 500 quilos foi apresentado na inauguração
Na abertura do KNARR, a Kystdesign levou um veículo submarino da família Constructor, desenvolvido em colaboração com a Omega Subsea. O equipamento foi mostrado a representantes da Equinor e à ministra norueguesa de Pesquisa e Ensino Superior, Eileen Fugelsnes. A presença do robô deu uma dimensão concreta ao tipo de máquina que a indústria pretende desenvolver e qualificar na nova instalação.
Segundo a Omega Subsea, o Constructor foi projetado para transportar ferramentas e módulos de trabalho em operações submarinas exigentes. Sua capacidade nominal de carga útil chega a 500 quilos, e o modelo é classificado para trabalhar em profundidades de até 3 mil metros. Essas especificações pertencem ao robô, não às áreas do KNARR: o setor mais profundo do novo centro tem 250 metros.
Robôs operados remotamente, conhecidos como ROVs, podem registrar imagens, usar sonares, manipular ferramentas e auxiliar em inspeções ou reparos. Dependendo da tarefa, o profissional acompanha as imagens e controla movimentos à distância. Isso reduz a necessidade de expor trabalhadores a certas manobras no mar, mas não dispensa operadores, manutenção dos equipamentos ou equipes especializadas nas embarcações e nas bases de apoio.
Navios sem tripulação tradicional também participaram da apresentação da nova estrutura
Durante a inauguração, empresas da indústria submarina apresentaram soluções de comando remoto. O Maritimt Forum da região de Haugalandet e Sunnhordland registrou a participação de equipes da DeepOcean, Reach Subsea e Kystdesign, além de demonstrações envolvendo embarcações não tripuladas. Entre as unidades mencionadas estavam a Reach Remote 1 e a USV Challenger.
Essas embarcações são pensadas para trabalhos como levantamento do fundo marinho, acompanhamento de tubulações e apoio a robôs submersos. Em vez de manter uma tripulação convencional a bordo para cada missão, determinadas funções podem ser comandadas de terra, com graus variáveis de automação. Isso não significa que todo navio trabalhe sozinho ou que as exigências de navegação e segurança deixem de existir.
O novo centro poderá reunir esse tipo de tecnologia com veículos menores que trabalham debaixo d’água. Um navio remoto pode chegar à região designada, lançar sensores ou apoiar um robô submarino e enviar os dados à equipe responsável. A possibilidade de testar a integração entre diferentes equipamentos é importante, porque o sucesso de uma operação depende tanto das comunicações e do controle quanto das ferramentas instaladas na máquina.
Noruega destinou 16 milhões de coroas ao centro e vê possibilidade de economizar centenas de milhões por ano
Equinor e Gassco reservaram até agora 16 milhões de coroas norueguesas para estabelecer o KNARR, com possibilidade de ampliar a infraestrutura no futuro. O valor informado diz respeito à implantação do centro, não a um contrato para desenvolver um robô específico nem ao custo total de uma futura frota autônoma.
A Equinor avalia que o emprego mais amplo de robôs submarinos e embarcações autônomas poderá gerar economias anuais de várias centenas de milhões de coroas norueguesas nos próximos anos. É uma estimativa de potencial operacional, ainda não uma economia comprovada pelo centro recém-inaugurado. A empresa também fixou uma meta de reduzir significativamente seus custos operacionais até 2035.
O raciocínio está na diferença de escala. Uma embarcação de grande porte exige combustível, tripulação, planejamento logístico e janela de mar favorável. Para uma verificação simples, pode ser mais eficiente utilizar um veículo menor que transmite os dados remotamente. Já intervenções complexas, içamentos pesados e reparos importantes continuarão exigindo recursos compatíveis com a dificuldade e o risco da tarefa.
O laboratório norueguês aproxima petróleo, gás, energia eólica e até a proteção de cabos submarinos
Embora o KNARR esteja conectado a uma instalação associada ao petróleo e ao gás, seus responsáveis pretendem abrir a estrutura a diferentes segmentos marítimos. Entre os usos previstos estão a inspeção de ativos offshore, monitoramento ambiental, manutenção de estruturas, segurança de instalações e testes de navegação autônoma. A Equinor também cita possibilidades de colaboração com atividades de aquicultura, energia eólica no mar, transporte marítimo e defesa.
Para os operadores de plataformas, um dos maiores interesses é obter informações confiáveis sobre equipamentos que ficam fora da vista: tubulações, conectores, cabos e estruturas instaladas em profundidade. Um sensor pode indicar uma mudança, enquanto um robô se aproxima para produzir imagens ou realizar medições. A inspeção humana continua necessária para interpretar os achados e decidir quais medidas tomar.
A iniciativa também aproxima empresas, pesquisadores e operadores em um ambiente onde técnicas novas podem ser avaliadas antes de passar a tarefas mais críticas. Um teste bem-sucedido ajuda a construir confiança, mas não equivale automaticamente à aprovação para uso em qualquer campo ou à substituição de procedimentos já exigidos pelos órgãos responsáveis.
O avanço interessa ao offshore brasileiro, mas ainda não há anúncio de uso desse centro pela Petrobras
O Brasil opera uma extensa infraestrutura de produção marítima, com FPSOs, poços em águas profundas, dutos, cabos e equipamentos submarinos. Por isso, a experiência norueguesa oferece uma referência relevante para engenheiros, fornecedores e profissionais que trabalham com robótica e manutenção offshore. A possibilidade de diminuir viagens de inspeção e levar menos pessoas a determinadas situações de risco desperta interesse em qualquer região produtora.
Até o momento, as fontes consultadas não identificam contratação da Petrobras nem implantação de uma unidade equivalente no Brasil como resultado da inauguração do KNARR. A notícia é a abertura da estrutura norueguesa, com recursos de teste já instalados, e a proposta de transformar esses ensaios em aplicações comerciais futuras.
O desafio agora será demonstrar, sob condições reais de mar e de operação, quais robôs, sensores e embarcações conseguem executar tarefas com segurança e eficiência. Se os testes avançarem, a indústria poderá inspecionar parte de sua infraestrutura com mais frequência e reduzir a exposição de equipes a algumas operações perigosas. Você acredita que robôs vão se tornar presença constante nas operações offshore? Conte sua opinião nos comentários e compartilhe a reportagem.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

