Valdemar Costa Neto tem o hábito perigoso de falar o que pensa. Ao tentar fazer média ou abafar crise em um almoço em Brasília, o cacique do PL disparou mais uma de suas pérolas reveladoras ao comentar o estado de saúde de Jair Bolsonaro, hoje cumprindo prisão domiciliar após sua condenação por tentativa de golpe.
Questionado se o capitão melhoraria caso fosse solto de vez, Valdemar não hesitou: disse que ele “sai de lá pulando de alegria” e que “sara na hora”.
A declaração pode operar um verdadeiro serviço de sabotagem contra a própria defesa de Bolsonaro. Diante de um Judiciário que monitora cada passo e exige laudos periciais para manter o ex-presidente fora da Papuda onde, vale lembrar, há atendimento médico 24 horas bem superior ao de qualquer presídio comum , a gafe (calculada?) de Valdemar soa como uma confissão de que a questão de saúde tenha menor gravidade do que divulgado.
Não bastasse isso, Valdemar insiste na tese de que ainda é cedo para descartar uma candidatura de Bolsonaro ao Planalto este ano, comparando o cenário ao retorno de Lula após 560 dias de prisão em Curitiba. O que ele está sabendo que a população ainda ignora?
Sem eco na realidade jurídica, a fala parece não passar de uma bravata para alimentar o noticiário na tentativa de desviar o foco da fogueira de vaidades e das brigas internas que hoje consomem a família Bolsonaro e ameaçam os planos eleitorais do partido.
O fato é que, no fundo, Valdemar sabe que o teatro precisa continuar, mesmo que o roteiro seja mambembe.

