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Barragem de Assuã controlou as cheias do Nilo, mas reteve sedimentos e deixou trecho do delta recuar cerca de 173 metros por ano
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 23/07/2026 às 15:40
Curiosidades
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Construída para controlar enchentes, armazenar água e gerar energia, a Barragem de Assuã interrompeu o fluxo natural de sedimentos e deixou áreas do delta do Nilo mais vulneráveis à erosão e ao avanço do mar
A Barragem de Assuã colocou as cheias anuais do Nilo sob controle, armazenou água e ampliou a geração elétrica no Egito. Porém, também reteve no Lago Nasser os sedimentos que reconstruíam naturalmente o delta, contribuindo para uma erosão que chegou a cerca de 173 metros por ano em partes do litoral de Roseta.
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Barragem de Assuã mudou o funcionamento do Nilo
A construção da Barragem Alta de Assuã começou em 1960 e terminou em 1970. Erguida no sul do Egito, a estrutura tem 3.830 metros de comprimento e formou o Lago Nasser, reservatório que armazena aproximadamente 132 quilômetros cúbicos de água.
O empreendimento permitiu controlar as enchentes sazonais do Nilo e guardar água para períodos secos. Antes da barragem, as cheias transportavam grandes volumes de sedimentos por centenas de quilômetros até as terras agrícolas e a costa mediterrânea.
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Estimativas divulgadas pela NASA indicam que aproximadamente 110 milhões de toneladas de lodo eram depositadas anualmente pelas águas do Nilo. Esse material ajudava a fertilizar os campos e a repor parte dos sedimentos retirados da costa pelas ondas e correntes marinhas.
Sedimentos ficaram presos no Lago Nasser
Depois da barragem, grande parte desse material passou a se acumular no reservatório. Sem a reposição natural, o litoral ficou mais exposto à ação contínua do mar, embora a erosão também seja influenciada pela subsidência do terreno, pela elevação do nível do mar e pelas correntes costeiras.
Imagens de satélite analisadas pela NASA mostram que a perda de terras no delta se acelerou após a redução dos sedimentos transportados pelo Nilo. A agência destaca que partes da extremidade do delta desapareceram progressivamente entre registros feitos em 1984 e 2021.
A barragem também interrompeu as grandes enchentes que levavam água e nutrientes até o Mediterrâneo. Segundo a NASA, essa mudança reduziu fortemente a concentração de nutrientes nas águas próximas ao delta e afetou a pesca marítima da região durante os anos 1960.
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Roseta registrou as maiores taxas de erosão
O problema não ocorre com a mesma intensidade em toda a costa. Estudos identificaram o promontório de Roseta, na porção oeste do delta, como uma das áreas mais atingidas.
Uma pesquisa sobre as mudanças costeiras registrou taxa média de recuo de 137,4 metros por ano em Roseta antes da instalação de estruturas de proteção. Em determinados pontos, a erosão alcançou aproximadamente 173 metros por ano.
Outros levantamentos encontraram valores diferentes conforme o período analisado. Entre 1971 e 1990, por exemplo, o recuo médio calculado em Roseta foi de 106 metros por ano, enquanto Damieta perdeu 10,4 metros anualmente.
Muros e quebra-mares tentam conter o avanço do mar
Para reduzir a perda de terras, autoridades construíram muros costeiros, espigões e quebra-mares em diferentes pontos do delta. Em Roseta, um muro com aproximadamente 4,85 quilômetros foi instalado a partir de 1991 para proteger a extremidade do promontório.
As obras diminuíram a erosão em áreas diretamente protegidas, mas estudos indicam que o deslocamento dos sedimentos e das correntes pode transferir o problema para trechos vizinhos. Assim, a costa permanece dependente de monitoramento e de novas medidas de proteção.
Esta matéria foi elaborada com base em informações da NASA, do USGS e de estudos científicos publicados nas revistas Geomorphology e Marine Geology, com dados, números e conclusões preservados conforme os materiais consultados.
Fonte
https://olhardigital.com.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

