3 min de leitura
Nem planeta, nem lua e muito menos um sistema comum: descoberta publicada na Nature revela um misterioso corpo celeste com quase a massa de Júpiter orbitando uma anã marrom a 71 anos-luz da Terra, desafia as regras da astronomia moderna, coloca em dúvida as classificações tradicionais dos corpos celestes e reforça que o Sistema Solar pode ser apenas uma exceção em meio à enorme diversidade de sistemas planetários existentes no Universo
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 24/07/2026 às 21:06
Atualizado em 24/07/2026 às 21:07
Ciência e Tecnologia
1 pessoa reagiu a isso.
Prefira o CPG no Google
Descoberta publicada na revista Nature apresenta uma configuração orbital incomum, localizada a cerca de 71 anos-luz da Terra, e levanta dúvidas sobre o termo “exolua”
Astrônomos identificaram fortes evidências de um objeto com massa planetária orbitando uma anã marrom no sistema CD-35 2722.
Por sua vez, essa anã marrom gira ao redor de uma estrela pequena. Portanto, foi encontrada uma estrutura orbital difícil de classificar.
O estudo foi publicado em 22 de julho de 2026, na revista científica Nature. A pesquisa foi liderada por Kevin Hoy, da Universidade Diego Portales, no Chile.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Além disso, participaram pesquisadores do Observatório Europeu do Sul (ESO) e de outras instituições científicas.
Como é formado o sistema CD-35 2722
Primeiramente, o sistema está localizado a aproximadamente 71 anos-luz da Terra.
No centro está uma anã vermelha com cerca de 40% da massa do Sol. Ao redor dela, orbita a anã marrom CD-35 2722 B.
Finalmente, ao redor dessa anã marrom, foi detectado um terceiro corpo. Sua massa mínima corresponde a aproximadamente 90% da massa de Júpiter.
Assim, a estrutura pode ser resumida da seguinte maneira:
- Uma anã vermelha ocupa a região central do sistema;
- Uma anã marrom orbita essa estrela;
- Um objeto de massa planetária orbita a anã marrom.
Consequentemente, o corpo recém-identificado apresenta uma dinâmica semelhante à de um satélite.
Entretanto, ele não gira ao redor de um planeta. Além disso, sua massa é muito superior à das luas conhecidas do Sistema Solar.
Exossatélite ou exolua? Entenda por que os cientistas ainda discutem a classificação
Por enquanto, os pesquisadores utilizam a expressão “exossatélite” para descrever o objeto.
Embora “exolua” seja uma classificação mais específica, ainda não existe uma definição formal amplamente aceita para luas localizadas fora do Sistema Solar.
Além disso, o objeto é massivo o suficiente para ser considerado um planeta. Contudo, ele não orbita diretamente uma estrela.
Segundo Kevin Hoy, as palavras criadas para definir o Sistema Solar estão chegando ao limite quando são aplicadas a configurações tão diferentes.
Até agora, mais de 6 mil exoplanetas foram descobertos. Entretanto, nenhum satélite orbitando um exoplaneta foi confirmado de maneira incontestável.
Observações com o Very Large Telescope revelaram detalhes da órbita do objeto
Para investigar o sistema, foram analisados espectros da anã marrom obtidos com o instrumento CRIRES+.
O equipamento está instalado no Very Large Telescope (VLT), operado pelo Observatório Europeu do Sul, no Chile.
As observações foram realizadas entre outubro de 2023 e fevereiro de 2026.
Em seguida, foi aplicado o método da velocidade radial. Dessa forma, pequenas oscilações provocadas pela atração gravitacional do objeto foram detectadas.
Além disso, o sinal observado indica uma órbita de aproximadamente 170 dias.
Pesquisadores trabalham com duas hipóteses para explicar a origem do sistema
Agora, os pesquisadores consideram duas possibilidades principais.
Primeiramente, o objeto pode ter surgido no material localizado ao redor da própria anã marrom.
Nesse cenário, matéria suficiente teria sido acumulada até formar um corpo comparável a Júpiter.
Por outro lado, pode ter ocorrido uma captura gravitacional.
Nesse caso, o objeto teria surgido em outra região. Posteriormente, ele teria sido capturado pela gravidade da anã marrom.
Entretanto, esse processo exige condições específicas, incluindo a perda de energia orbital.
Próximas observações poderão confirmar uma nova classe de objetos na astronomia
Ainda não é possível determinar qual hipótese explica corretamente a origem do sistema.
Por isso, novas observações serão realizadas para verificar se o sinal continua aparecendo de maneira consistente.
Com isso, a órbita poderá ser compreendida com maior precisão.
Finalmente, a descoberta reforça que o Sistema Solar talvez não represente um modelo universal de formação planetária.
Assim, o CD-35 2722 pode apresentar a primeira evidência de uma classe de objetos que a astronomia ainda não sabe exatamente como nomear.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

