8 min de leitura
Estudantes mineiros transformam tampinhas recolhidas na universidade em plástico triturado e moldado para fabricar o assoalho de um carro experimental, levam o protótipo às pistas e testam na prática se uma solução reciclável, leve e resistente consegue percorrer mais distância usando menos energia em competição universitária real de eficiência
Escrito por Carla Teles
Publicado em 25/07/2026 às 14:00
Atualizado em 25/07/2026 às 14:01
Ciência e Tecnologia
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Tampinhas acumuladas na Universidade Federal de São João del-Rei foram trituradas e moldadas pela equipe Milhas Gerais para formar o assoalho de um carro experimental. A peça reciclável precisou reunir leveza e resistência antes de integrar o protótipo preparado para a Shell Eco-marathon Brasil 2025, competição universitária de eficiência energética.
Tampinhas recolhidas dentro de uma universidade mineira deixaram de ser tratadas como resíduos e passaram a formar uma parte estrutural de um carro experimental. Os integrantes da equipe Milhas Gerais, da Universidade Federal de São João del-Rei, trituraram e moldaram o plástico para fabricar o assoalho do protótipo levado a uma competição de eficiência energética.
O projeto foi apresentado pela Shell Brasil em material institucional publicado na seção de comunicados de 2025 sobre a Shell Eco-marathon Brasil. A página não informa o dia e o mês exatos da publicação, mas detalha o processo adotado pela equipe e classifica o assoalho como resistente, leve e totalmente reciclável.
Tampinhas acumuladas na universidade viraram matéria-prima
A ideia surgiu durante uma conversa entre os integrantes da equipe na oficina. Os estudantes já haviam reunido uma quantidade considerável de tampinhas na universidade e decidiram testar se o plástico poderia ser reaproveitado dentro do veículo.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Em vez de encaminhar o material diretamente ao descarte, o grupo procurou uma função técnica para ele. As tampinhas foram trituradas e transformadas em matéria-prima para a fabricação do assoalho do carro experimental.
A capitã da equipe, Taynara Marcelino, relatou que o grupo resolveu testar a proposta justamente porque o material já estava disponível na instituição. O resultado obtido durante o desenvolvimento mostrou que a ideia poderia ser incorporada ao protótipo.
A fonte não informa quantas tampinhas foram utilizadas, o peso total do plástico nem o tempo necessário para concluir o processo de fabricação da peça.
Plástico foi triturado antes de ganhar novo formato
Para deixar de ser um conjunto de pequenas peças e se transformar em um componente maior, o plástico precisou passar por processamento. As tampinhas foram trituradas para produzir fragmentos menores e mais uniformes.
Esse material fragmentado foi posteriormente moldado até adquirir o formato necessário para ocupar a área inferior do veículo. O processo permitiu transformar resíduos separados em uma placa funcional, adaptada às dimensões do protótipo.
A moldagem também precisava garantir que a superfície ficasse adequada para montagem. Irregularidades, falhas de compactação ou diferenças excessivas de espessura poderiam dificultar a instalação no carro.
O conteúdo institucional não descreve a temperatura utilizada, o equipamento de trituração, o tipo de molde ou a pressão empregada durante a fabricação.
Assoalho precisava reunir leveza e resistência
O assoalho de um carro experimental não atua apenas como acabamento. Ele precisa suportar a utilização do veículo e permanecer estável durante as etapas de inspeção e circulação.
Ao mesmo tempo, o peso é um fator importante em uma competição de eficiência energética. Uma peça excessivamente pesada aumenta a quantidade de energia necessária para colocar o protótipo em movimento.
O assoalho produzido com tampinhas surpreendeu a equipe pela combinação entre resistência e leveza. Essas características permitiram que o material reciclado fosse tratado como uma solução técnica e não apenas como um elemento visual.
A fonte não apresenta testes laboratoriais, valores de carga suportada, espessura, densidade ou comparação direta com assoalhos feitos de outros materiais.
Reciclabilidade diferenciou a solução
Além da leveza e da resistência descritas pela equipe, o assoalho foi apresentado como totalmente reciclável. Isso significa que o plástico utilizado não precisou perder definitivamente a possibilidade de retornar a um novo ciclo de aproveitamento.
A proposta se diferencia de materiais compósitos que podem apresentar bom desempenho, mas são difíceis de separar ou reciclar depois do uso. As tampinhas continuaram sendo uma matéria-prima plástica mesmo após a transformação em uma peça maior.
A reciclabilidade, contudo, depende da forma como a peça é construída e combinada com outros componentes. Colas, resinas ou materiais incompatíveis podem dificultar o processamento posterior.
O material divulgado não informa se foram utilizados aditivos, adesivos ou outros produtos durante a moldagem do assoalho.
Solução nasceu de um teste na oficina
A escolha das tampinhas não foi apresentada como resultado de um projeto industrial previamente definido. A ideia surgiu a partir de uma conversa entre integrantes que procuravam novas aplicações para o material reunido na faculdade.
Os estudantes decidiram testar a proposta e observar se a peça produzida atenderia às necessidades do veículo. O experimento saiu da discussão inicial e passou a integrar um protótipo preparado para enfrentar avaliações reais.
Esse processo aproxima o trabalho universitário da engenharia aplicada. Hipóteses precisam ser transformadas em componentes, enquanto erros de projeto exigem novas tentativas, ajustes e mudanças na fabricação.
A experiência também mostra como materiais disponíveis dentro da própria instituição podem alimentar projetos de pesquisa, extensão e competição acadêmica.
Equipe Milhas Gerais já testava materiais alternativos
A utilização das tampinhas faz parte de uma sequência de experiências conduzidas pela equipe Milhas Gerais. Antes desse projeto, o grupo já havia trabalhado com uma resina produzida à base de mamona.
O desenvolvimento da resina ocorreu em parceria com professores da universidade. A continuidade dessas experiências mostra que a procura por materiais alternativos não se limitou a uma única edição da competição.
Em outra participação, os estudantes também chegaram a produzir uma carenagem utilizando pastas plásticas escolares. As peças foram montadas e pintadas para compor o veículo.
Essas experiências revelam uma estratégia de testar materiais acessíveis, avaliar suas propriedades e buscar aplicações compatíveis com as exigências de um protótipo.
Carro experimental não disputa prova de velocidade
A Shell Eco-marathon não determina o vencedor pelo carro que completa o circuito no menor tempo. O objetivo é medir a eficiência no consumo de energia.
Os protótipos devem percorrer um circuito utilizando a menor quantidade possível de combustível ou eletricidade. A equipe vencedora é aquela que consegue avançar a maior distância com o menor gasto energético dentro de sua categoria.
Nesse contexto, cada componente pode influenciar o resultado. Peso, aerodinâmica, atrito, transmissão, estratégia do piloto e eficiência do sistema de propulsão atuam em conjunto.
O assoalho feito com tampinhas entra nessa equação ao buscar reduzir peso sem perder a resistência necessária para o uso no veículo.
Protótipo precisa passar por inspeção técnica
Antes de acessar o circuito, os veículos participantes passam por uma inspeção. O procedimento verifica se os projetos atendem às regras técnicas e de segurança da competição.
A presença de materiais reciclados não reduz o nível de exigência. O assoalho precisa permanecer fixado, manter sua integridade e não colocar em risco o funcionamento do protótipo ou a segurança do piloto.
A competição brasileira possui categorias de combustão interna, bateria elétrica e hidrogênio. Os participantes também são divididos entre as classes protótipo e conceito urbano.
O material fornecido não identifica a categoria energética específica do carro da equipe Milhas Gerais nem informa sua classificação final na edição.
Cerca de 500 estudantes participam do evento
A oitava edição brasileira da Shell Eco-marathon reúne aproximadamente 500 estudantes. Além de equipes de diferentes regiões do Brasil, o evento recebe participantes do Peru, da Colômbia e do México.
Os universitários são responsáveis por projetar, construir e operar os próprios veículos. A competição funciona como um ambiente de aplicação prática para conhecimentos de engenharia, materiais, energia e gestão de projetos.
Ao longo de quatro décadas, o programa internacional recebeu protótipos feitos com diferentes materiais, incluindo bambu, fibras naturais, resinas biodegradáveis e componentes produzidos por impressão 3D.
A variedade demonstra que não existe uma única solução para produzir um veículo eficiente. Cada equipe precisa equilibrar disponibilidade, desempenho, custo, peso e possibilidade de fabricação.
Menos peso pode significar maior distância
A relação entre peso e eficiência é central no desenvolvimento dos carros experimentais. Quanto maior a massa transportada, mais energia tende a ser necessária durante acelerações, retomadas e subidas.
Reduzir o peso, entretanto, não significa retirar materiais sem avaliar as consequências. O veículo precisa preservar estabilidade e resistência suficientes para completar o percurso.
Ao transformar tampinhas em um assoalho leve, a equipe procurou diminuir a massa sem abandonar a função estrutural da peça.
O efeito exato sobre o consumo final não foi divulgado. Não há dados que permitam afirmar quantos quilômetros adicionais o veículo conseguiu percorrer especificamente por causa do assoalho reciclado.
Projeto transforma coleta em aplicação técnica
Campanhas de coleta de tampinhas costumam estar associadas à reciclagem convencional ou a ações sociais. No projeto mineiro, o plástico reunido dentro da universidade foi direcionado para uma aplicação de engenharia.
O material passou por trituração, moldagem e instalação até formar uma parte visível e funcional do veículo. As tampinhas deixaram de ser unidades descartadas e passaram a compor uma peça projetada para enfrentar testes técnicos.
A iniciativa também permite que os estudantes acompanhem diferentes etapas do ciclo do material, desde a coleta até a incorporação em um produto.
Esse contato ajuda a mostrar que a reciclagem não termina na separação do resíduo. Para que o plástico ganhe uma nova função, ainda são necessários projeto, processamento, testes e controle de qualidade.
Tampinhas chegaram às pistas dentro do protótipo
O assoalho desenvolvido pela equipe Milhas Gerais demonstra como uma solução iniciada em uma conversa de oficina pode avançar até uma competição universitária real.
O projeto não comprova que tampinhas possam substituir todos os materiais utilizados pela indústria automotiva. Ele apresenta uma aplicação específica, desenvolvida para um protótipo de eficiência energética.
A principal inovação está em transformar um resíduo comum em uma peça leve, resistente e reciclável, capaz de cumprir uma função concreta dentro do carro.
Você acredita que plásticos recolhidos em universidades poderiam ser transformados em peças para outros projetos de engenharia, construção e mobiliário? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

