6 min de leitura
Ele vendia garrafas vazias no ferro-velho, coxinha, sacolé e pipa para conseguir alguns trocados, abandonou o sonho de viver do surfe por falta de dinheiro, começou descarregando caminhões em obras e hoje comanda a maior construtora do litoral sul paulista, está entre as 100 maiores do Brasil e patrocina atletas internacionais
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 27/07/2026 às 00:12
Atualizado em 27/07/2026 às 00:15
Curiosidades
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Trajetória de Rodrigo Pacheco reúne infância vendendo garrafas, alimentos e pipas, passagem pelo surfe, trabalho pesado em canteiros e expansão no mercado imobiliário, até uma reaproximação inesperada com o esporte por meio de atletas brasileiros presentes em competições internacionais de alto nível.
A trajetória de Rodrigo Pacheco começou longe dos escritórios, dos edifícios de alto padrão e dos contratos de patrocínio esportivo, em uma rotina marcada pela venda de garrafas vazias, alimentos e pipas no bairro Vila Mirim, em Praia Grande.
Criado no litoral paulista, ele buscava pequenas fontes de renda enquanto alimentava o sonho de seguir no surfe, modalidade em que disputou competições e venceu torneios antes de perceber que a falta de recursos tornava inviável uma carreira profissional.
Sem dinheiro para permanecer no circuito esportivo, Pacheco mudou de direção e entrou na construção civil, onde aprendeu tarefas básicas do canteiro, como preparar massa, ajudar pedreiros e descarregar caminhões de materiais antes de assumir funções administrativas.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Construção civil começou no canteiro de obras
A formação prática foi incentivada pelo pai, Francisco Silva, conhecido em Praia Grande como Seu Tatico, que defendia o conhecimento completo de uma obra antes de qualquer posição de comando e orientou o filho a começar pelas atividades operacionais.
Em vez de iniciar a trajetória dentro de um escritório, Rodrigo acompanhou materiais, equipes e etapas construtivas, experiência que mais tarde ajudaria no controle de custos, na execução dos projetos e na compreensão das necessidades de clientes e trabalhadores.
Segundo reportagem do R7, Pacheco fundou a Nossolar em 2004, empresa apresentada pelo veículo como a maior construtora e incorporadora do litoral sul paulista e integrante do grupo das cem maiores construtoras do Brasil no ranking da Intec Brasil.
Com atuação concentrada em empreendimentos residenciais, a companhia avançou para projetos de alto padrão em Praia Grande, apoiada por uma estratégia de reinvestimento que começou em escala reduzida e ganhou força conforme as primeiras unidades eram vendidas.
Primeiro imóvel abriu caminho para novos investimentos
Depois da morte do pai, Rodrigo recebeu um terreno de 135 metros quadrados e R$ 40 mil de um seguro de vida, mas parte do valor foi destinada pela família ao pagamento de dívidas deixadas por Francisco.
Dos recursos recebidos, R$ 25 mil da parte de cada filho foram utilizados para quitar compromissos financeiros, o que deixou Pacheco com R$ 15 mil disponíveis para iniciar a construção de uma casa e testar seu primeiro projeto independente.
Enquanto aplicava o dinheiro na obra, ele também passou a trabalhar na imobiliária administrada pela mãe e pelo tio, antigo sócio de Francisco, combinação que aproximou a experiência do canteiro das rotinas de venda, negociação e atendimento.
Vendida a primeira unidade, os recursos permaneceram dentro do negócio e financiaram novas construções, criando um ciclo progressivo no qual uma casa dava origem a duas, depois a quatro, oito e, mais tarde, a mais de 30 imóveis.
Na conta apresentada por Pacheco ao R7, a comercialização de uma casa naquele período podia render o equivalente ao dobro do valor aplicado no terreno e na construção, permitindo acelerar o crescimento sem abandonar a lógica de reinvestimento.
Ao mesmo tempo, o conhecimento acumulado no canteiro ajudava a acompanhar materiais, mão de obra e execução, enquanto a vivência na imobiliária ampliava o domínio sobre vendas, clientes e contratos, aproximando produção e comercialização dentro da mesma operação.
Das primeiras casas aos edifícios de alto padrão
Antes da criação formal da Nossolar, o empresário concluiu de forma independente seu primeiro edifício, um prédio pequeno com três andares, e dois anos depois avançou para uma segunda construção, dessa vez com cinco pavimentos.
A passagem das casas para os edifícios aumentou a complexidade técnica e financeira dos projetos, além de marcar a entrada definitiva da operação no mercado de incorporação imobiliária, setor em que a empresa ampliaria gradualmente sua presença regional.
De acordo com a reportagem do R7, a construtora chegou a responder por 16 edifícios, entre eles um empreendimento de 31 andares, dos quais 20 eram destinados a apartamentos, além de duas coberturas com 670 metros quadrados cada.
Na avaliação divulgada pelo veículo, cada uma dessas coberturas tinha valor estimado em aproximadamente R$ 15 milhões, número que mostra a distância entre as primeiras casas financiadas com recursos limitados e os projetos residenciais de alto padrão.
À medida que a operação imobiliária crescia, Pacheco também encontrou condições mais sólidas para retomar a ligação com o surfe, não mais como competidor profissional, mas como patrocinador de atletas brasileiros com presença em campeonatos internacionais.
Surfe voltou à trajetória por meio dos patrocínios
Entre os nomes apoiados pela empresa estava Adriano de Souza, o Mineirinho, campeão mundial de surfe em 2015, além de outros competidores brasileiros de projeção internacional ligados a uma modalidade fortemente associada à identidade de Praia Grande.
O patrocínio criou uma conexão direta entre a história pessoal do empresário e a estratégia institucional da construtora, porque o esporte abandonado por falta de recursos reapareceu anos depois como área de investimento e apoio profissional.
Na juventude, Pacheco havia deixado a tentativa de viver das ondas por não conseguir sustentar os custos de uma carreira competitiva; como empresário, passou a contribuir com atletas que enfrentavam despesas de treinamento, viagens e participação em torneios.
Essa reaproximação também preservou o vínculo com o litoral paulista, onde a empresa cresceu e onde sua trajetória começou entre pequenos trabalhos informais, competições de surfe e o aprendizado diário das tarefas realizadas dentro de uma obra.
História familiar também passou pelos imóveis
A origem da atividade empresarial remonta ao percurso de Francisco, que deixou o Ceará, onde nasceu em uma família com 13 filhos, e buscou oportunidades em Praia Grande por meio de trabalhos ligados ao turismo, ao comércio e aos imóveis.
Antes de investir na construção e no aluguel de pequenas casas, ele fotografou turistas na praia, alugou máquinas para que outras pessoas prestassem o mesmo serviço e administrou um quiosque, acumulando recursos para ampliar as fontes de renda familiar.
Com a melhora das condições financeiras, Francisco também entrou na política municipal e foi eleito vereador em Praia Grande, mas sua trajetória terminou durante um assalto em Santos, episódio que levou Rodrigo a assumir novas responsabilidades dentro dos negócios da família.
Após a perda, o filho passou a dividir a administração da atividade imobiliária com a mãe e o tio, ao mesmo tempo em que desenvolvia suas próprias construções e transformava a experiência operacional em uma empresa voltada a projetos maiores.
Empresa associou crescimento a ações sociais
Além dos patrocínios esportivos, Pacheco associou a empresa a iniciativas sociais e, durante a pandemia, segundo os números reunidos pelo R7, foram doadas 58 toneladas de alimentos em cestas básicas e 20 mil máscaras à população.
O empresário também manifestou interesse em ampliar o apoio a atletas paralímpicos e representantes de outras modalidades, mantendo o esporte como uma das frentes de atuação ligadas à imagem pública da construtora e à própria história pessoal.
Reunidas, as etapas da trajetória conectam venda de produtos na praia, competições de surfe, trabalho braçal em obras, administração imobiliária e construção de edifícios de alto padrão, sem romper o vínculo entre aprendizado prático e reinvestimento contínuo.
Ao trocar a tentativa de seguir profissionalmente no surfe pelo trabalho nos canteiros, Pacheco não abandonou completamente a modalidade, que permaneceu como referência até reaparecer dentro da estratégia de patrocínios construída ao redor da empresa.
Quantas trajetórias empresariais poderiam realmente mudar de direção quando o conhecimento adquirido nas tarefas mais simples encontra oportunidade, reinvestimento constante e espaço para recuperar uma paixão que, em outro momento, precisou ser deixada de lado?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

