5 min de leitura
Enquanto a China tenta conter os impactos de tufões e enchentes, uma onda de vídeos falsos produzidos por inteligência artificial se espalha rapidamente, gera pânico, dificulta o trabalho das autoridades e expõe um novo risco das tecnologias de IA para situações de desastre
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 28/07/2026 às 16:43
Curiosidades
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
Vídeos falsos criados por inteligência artificial passaram a representar um novo desafio para a China durante enchentes e tufões, ampliando a desinformação, dificultando operações de resgate e levando autoridades e especialistas a reforçarem alertas sobre a importância de confiar apenas em fontes oficiais.
A China enfrenta um novo desafio durante a resposta a desastres naturais. Além dos danos provocados pelo tufão Noul, que atingiu o país no fim de semana, vídeos falsos produzidos com inteligência artificial (IA) passaram a circular em grande escala e preocupam autoridades responsáveis pelas operações de emergência.
Nos últimos meses, fortes tempestades e enchentes foram acompanhadas por uma onda de conteúdos manipulados nas redes sociais. As publicações incluem imagens falsas de corpos em áreas alagadas, registros de enchentes em cidades não afetadas e informações incorretas sobre ações de resgate.
Em alguns casos, boatos sobre supostos cortes de energia provocaram compras de emergência por parte da população, aumentando o clima de insegurança durante os desastres.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Recomendado para você
Curiosidades
A Bolsa virou o jogo entre dois impérios do varejo: o dono da Havan chegou a R$ 11,4 bilhões, enquanto Luiza Trajano caiu ao 262º lugar — e a diferença impressiona até quem acompanha os bilionários
Dono da Havan ocupa a 31ª posição entre os bilionários brasileiros, enquanto principal acionista individual do Magazine Luiza aparece no 262º lugar.
Atualmente, Luciano Hang possui uma fortuna estimada em R$…
Caio Aviz
21
Vídeos falsos exploram acontecimentos reais para ganhar credibilidade
Parte dos conteúdos utiliza fatos verdadeiros para tornar a desinformação mais convincente.
No início de julho de 2026, por exemplo, enchentes na cidade de Hengzhou, na região de Guangxi, fizeram centenas de cobras escaparem de uma fazenda de criação.
Logo depois, começaram a circular vídeos manipulados mostrando crocodilos sendo soltos em um rio, embora esse episódio nunca tenha ocorrido.
Enquanto equipes realizavam evacuações e operações de resgate, as autoridades passaram a combater também a propagação dessas informações falsas, buscando reduzir o risco de pânico entre os moradores.
Segundo Huang Zhihua, vice-chefe responsável pela segurança pública online do Departamento de Polícia de Zhejiang, muitos criadores de conteúdo utilizam tragédias para aumentar o número de seguidores e visualizações.
De acordo com o representante, informações falsas são produzidas deliberadamente para chamar a atenção do público, mesmo durante situações de emergência.
Nas últimas semanas, prisões, detenções e multas foram aplicadas contra pessoas acusadas de criar e divulgar vídeos falsos relacionados aos desastres.
Especialistas alertam para crescimento da desinformação gerada por IA
Apesar das medidas adotadas pelas autoridades, especialistas afirmam que a inteligência artificial tornou muito mais fácil produzir conteúdos altamente realistas.
Em artigo publicado pelo jornal da Escola Central do Partido Comunista Chinês, o professor Chen Bin explicou que ferramentas de IA permitem criar rapidamente textos, imagens, áudios e vídeos convincentes, mesmo sem conhecimento técnico especializado.
Já o professor Gao Fuping, da Universidade de Ciências Políticas e Direito da China Oriental, afirmou, em entrevista à BBC, que as motivações variam.
Segundo ele, alguns usuários produzem esse conteúdo por diversão. Outros buscam ganhos financeiros com o aumento do tráfego nas redes sociais. Há ainda aqueles que desejam provocar pânico ou instabilidade social.
O pesquisador também destacou que muitas pessoas acreditam, de forma equivocada, que suas ações na internet não podem ser rastreadas.
Tecnologia de detecção ainda não acompanha a evolução da IA
Especialistas também defendem que todo conteúdo produzido por inteligência artificial seja identificado.
Entretanto, eles reconhecem que essas marcações podem ser removidas durante novas edições dos arquivos.
Para Xu Xiaoke, pesquisador da Universidade Normal de Pequim, entrevistado pela BBC, será necessário ampliar a verificação da localização geográfica, das datas, dos horários e da origem das imagens.
Mesmo assim, o especialista alerta que as tecnologias de detecção ainda evoluem mais lentamente do que as ferramentas de geração, criando um permanente desafio para plataformas digitais e autoridades.
Investimentos em inteligência artificial convivem com crise de confiança
Desde 2017, o governo chinês definiu a inteligência artificial como uma das principais forças para impulsionar o desenvolvimento tecnológico do país.
Segundo a agência estatal Xinhua, atualmente existem mais de 6 mil empresas de IA em atividade na China.
Nesse contexto, Xu Xiaoke defende a criação de uma infraestrutura confiável de informação, baseada em sistemas oficiais de alerta e canais de comunicação acessíveis aos veículos de imprensa.
Ao mesmo tempo, episódios anteriores contribuíram para reduzir a confiança da população em informações oficiais.
No início de julho de 2026, jornalistas receberam orientação para suavizar a descrição de uma ruptura na barragem de Liulan, próxima de Nanning. Posteriormente, a água liberada provocou pelo menos 26 mortes.
Antes disso, em 2021, autoridades locais foram presas sob acusação de ocultar ou subnotificar 139 mortes durante enchentes na província de Henan.
Autoridades reforçam importância de consultar fontes oficiais
Diante desse cenário, especialistas e órgãos de segurança alertam que a desinformação pode agravar ainda mais situações de emergência.
Por isso, Gao Kai, representante do Departamento de Segurança Pública de Ningbo, orienta que informações sobre desastres divulgadas por fontes desconhecidas sejam tratadas com cautela.
Segundo ele, durante enchentes, tufões e outras emergências, a população deve priorizar comunicados oficiais e informações divulgadas por órgãos credenciados, reduzindo os riscos provocados pela circulação de vídeos falsos gerados por inteligência artificial.
E você, acredita que a inteligência artificial pode tornar a desinformação ainda mais perigosa durante desastres naturais?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

