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Microrganismo unicelular cresce mais que o dobro, vira um predador canibal, devora seus próprios clones em minutos e depois retorna ao tamanho normal
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 29/07/2026 às 09:40
Ciência e Tecnologia
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Estudo publicado na PNAS revela que o Euplotes gigatrox pode alterar o corpo, abandonar bactérias e transformar indivíduos geneticamente idênticos em alimento.
Um microrganismo unicelular surpreendeu pesquisadores ao demonstrar uma capacidade extrema de transformação corporal e comportamental.
O Euplotes gigatrox pode crescer mais que o dobro, mudar o formato do corpo, alterar sua locomoção e começar a devorar células da própria espécie.
O comportamento foi registrado em populações clonadas mantidas em laboratório, nas quais todos os indivíduos analisados eram geneticamente idênticos.
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Os resultados foram apresentados em um estudo publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, a PNAS.
Segundo os pesquisadores, a transformação não ocorre em toda a população. Apenas uma pequena parcela das células assume a forma gigante e canibal.
Transformação cria um predador completamente diferente
Em seu estado convencional, o Euplotes gigatrox apresenta um corpo pequeno, alongado e adaptado ao consumo de bactérias.
O microrganismo utiliza estruturas semelhantes a pequenos pelos, chamadas cílios, para produzir correntes de água ao redor da célula.
Essas correntes direcionam partículas de alimento até o organismo, permitindo que ele capture bactérias presentes no ambiente.
Entretanto, algumas células passam por uma mudança profunda e assumem uma forma descrita pelos pesquisadores como supergigante.
O corpo se torna mais robusto, enquanto o comprimento supera duas vezes o tamanho observado no estágio convencional.
As estruturas responsáveis pela alimentação também aumentam. Dessa maneira, o organismo deixa de consumir apenas partículas microscópicas.
Segundo Patrick Keeling, biólogo celular da Universidade da Colúmbia Britânica, a diferença entre as formas é impressionante ao microscópio.
Supergigante abandona bactérias e devora clones
Após a transformação, o microrganismo deixa de se alimentar de bactérias e passa a caçar células menores da própria espécie.
Durante os experimentos, os pesquisadores observaram que cada supergigante conseguia engolir aproximadamente uma presa a cada dez minutos.
O ataque ocorre de maneira incomum. A célula gigante passa por cima do indivíduo menor antes de incorporá-lo completamente.
Esse comportamento representa uma forma de canibalismo entre clones, já que predador e presa possuem composição genética idêntica.
Embora outros ciliados também apresentem práticas canibais, os cientistas consideram a transformação do Euplotes gigatrox especialmente marcante.
A mudança envolve tamanho, formato, alimentação, velocidade e locomoção, criando praticamente um novo estágio de vida.
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Viviane Alves
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Alterações atingem mais de 42% dos genes analisados
A transformação não se limita à aparência externa do microrganismo.
Os cientistas identificaram diferenças na expressão de mais de 42% dos genes analisados entre as células convencionais e as gigantes.
O resultado indica que o processo depende de uma reorganização molecular ampla e cuidadosamente controlada.
Portanto, o crescimento não ocorre de maneira aleatória. A célula ativa mecanismos específicos para desenvolver novas capacidades predatórias.
Os pesquisadores ainda não descobriram qual fator inicia essa mudança.
Hipóteses relacionadas à falta de alimento e ao excesso de indivíduos foram descartadas durante os experimentos.
Outros elementos ainda deverão ser investigados para explicar por que somente algumas células passam pela transformação.
Corpo gigante aumenta velocidade, mas limita movimentos
O estágio supergigante oferece vantagens importantes para a captura de presas maiores.
Essas células conseguem se deslocar mais rapidamente, ampliando sua capacidade de alcançar indivíduos menores.
O novo corpo, porém, também apresenta limitações. Os gigantes caminham apenas sobre superfícies e costumam seguir trajetórias circulares.
As células convencionais, por sua vez, conseguem nadar por distâncias maiores e explorar espaços mais amplos.
Segundo Ben Larson, pesquisador do Rensselaer Polytechnic Institute e coautor do estudo, um corpo maior exige mais energia.
A capacidade de ingerir presas grandes pode compensar esse gasto metabólico e oferecer vantagens durante a reprodução.
Célula gigante pode gerar nove indivíduos normais
A transformação do Euplotes gigatrox não é permanente.
Os supergigantes podem manter o novo formato ao se dividirem em duas células de tamanho semelhante.
O retorno ao estágio convencional ocorre por meio de divisões celulares assimétricas.
Uma única célula gigante consegue produzir até nove células normais em apenas 24 horas.
Os novos indivíduos, entretanto, apresentam menor capacidade de retornar imediatamente ao estágio canibal.
Os autores sugerem que esse comportamento pode representar um período de “resfriamento” antes de outra transformação.
Equilíbrio evolutivo impede população formada apenas por gigantes
Somente uma pequena parcela da população assume a forma supergigante.
Os pesquisadores acreditam que essa limitação pode estar relacionada a um equilíbrio evolutivo essencial para a sobrevivência da espécie.
Um supergigante não consegue devorar outro indivíduo igualmente transformado.
Uma população composta somente por células gigantes perderia rapidamente sua principal fonte de alimento.
A estratégia depende, portanto, da existência de células menores disponíveis para serem consumidas.
Transformações semelhantes também surgiram de forma independente em outros grupos de ciliados ao longo da evolução.
Organismo unicelular revela comportamento complexo
O estudo demonstra que organismos formados por apenas uma célula podem apresentar comportamentos muito mais sofisticados do que parecem.
O Euplotes gigatrox consegue alterar sua estrutura, modificar a alimentação, desenvolver novas formas de locomoção e retornar ao estágio original.
Essa capacidade cria uma estratégia temporária de caça e sobrevivência semelhante a comportamentos observados em animais.
Apesar das descobertas, os cientistas ainda precisam compreender o gatilho responsável pelo surgimento dos supergigantes.
O que você acha mais surpreendente: um organismo unicelular conseguir devorar os próprios clones ou retornar ao tamanho normal após a transformação? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

