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Pelo menos dezessete buscas falharam ao longo de décadas até um pesquisador com robô submarino achar, a 61 metros de profundidade, o jato executivo que sumiu em 1971
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 31/07/2026 às 14:37
Atualizado em 31/07/2026 às 14:46
Ciência e Tecnologia
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O Jet Commander de dez lugares sumiu em 27 de janeiro de 1971, logo após decolar de Burlington, no Vermont, com cinco homens a bordo. Em 19 de maio de 2024, o pesquisador Garry Kozak e sua equipe localizaram os destroços perto da Ilha Juniper, no Lago Champlain.
Cinquenta e três anos se passaram entre o desaparecimento e a resposta. O jato executivo que sumiu numa noite de neve no Vermont foi finalmente localizado no fundo do Lago Champlain pelo pesquisador subaquático Garry Kozak e uma equipe que usava um veículo operado remotamente, conforme reportagem da Associated Press publicada em 12 de junho de 2024 e distribuída pela NPR, pela CBS News e por outros veículos americanos.
Os destroços estavam a cerca de 61 metros de profundidade, os 200 pés informados pela equipe, perto da Ilha Juniper, pouco mais de cinco quilômetros a sudoeste de Burlington. A pintura personalizada da aeronave, com listras vermelhas e creme, continuava reconhecível depois de mais de cinco décadas submersa, e o registro N400CP apareceu nas imagens captadas pelo robô.
A noite de 27 de janeiro de 1971
O voo saiu do aeroporto de Burlington com destino a Providence, em Rhode Island. Era noite, nevava, e a aeronave desapareceu pouco depois da decolagem, perto do ponto em que a torre de controle registrou o último rastreamento por rádio.
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A bordo estavam cinco homens: os pilotos Donald Myers e George Nikita e os passageiros Richard Windsor, Robert Williams e Frank Wilder. Os três passageiros eram funcionários da Cousins Properties, incorporadora imobiliária sediada em Atlanta, na Geórgia, que tocava um projeto de construção em Burlington na época.
Por que o lago engoliu o rastro
As buscas iniciais não encontraram nada, e o tempo trabalhou contra. Quatro dias depois do desaparecimento, o Lago Champlain congelou, o que inviabilizou qualquer varredura na superfície durante o restante do inverno.
A escala do lugar explica boa parte da dificuldade. O Lago Champlain tem cerca de 1.270 quilômetros quadrados e chega a aproximadamente 122 metros no ponto mais profundo. Procurar um jato de dez lugares nesse volume de água, com a tecnologia disponível nos anos 1970, era um problema quase sem solução. Quando o gelo derreteu, na primavera de 1971, pedaços do avião apareceram em Shelburne Point, mas a busca subaquática realizada em maio daquele ano não localizou o corpo principal da aeronave.
As buscas que não deram em nada
Pelo menos outras dezessete tentativas foram feitas ao longo das décadas seguintes, sem resultado. Uma delas aconteceu em 2014, e o gatilho foi o noticiário internacional: o desaparecimento do voo da Malaysia Airlines naquele ano despertou interesse pelo caso e a expectativa de que tecnologia nova finalmente resolvesse o mistério do Champlain.
Não resolveu. A busca de 2014 terminou como todas as anteriores, sem qualquer vestígio da fuselagem. Foi justamente esse fracasso que deixou Kozak intrigado e o levou a mudar de método, trocando a varredura direta pela análise de material já existente.
Como o pesquisador chegou às anomalias
Em vez de sair rastreando o lago do zero, Kozak foi atrás de um levantamento de sonar já feito no Champlain pelo Museu Marítimo do Lago Champlain em parceria com o Middlebury College. Estudando aquelas imagens, identificou quatro anomalias no fundo, pontos onde o relevo não se comportava como sedimento natural.
Em 2022, um colega entrou na história. Hans Hug, dono da empresa Sonar Search and Recovery, sediada em Exeter, no estado de New Hampshire, e um amigo dele que possuía um veículo operado remotamente se ofereceram para investigar. A equipe localizou uma aeronave, mas não era a certa: tratava se de um avião militar. No inverno seguinte, o pesquisador voltou ao mesmo levantamento de sonar e encontrou mais uma anomalia que tinha passado despercebida.
O sonar e o robô que confirmaram
A varredura da nova anomalia foi feita com um sistema de sonar de varredura lateral de alta resolução da fabricante EdgeTech. O equipamento produz imagens acústicas do fundo, capazes de revelar formato e dimensão de objetos sem que ninguém precise descer até lá.
O que apareceu tinha silhueta compatível com uma aeronave, e o robô submarino foi enviado para confirmar visualmente. As imagens captadas em 19 de maio de 2024 mostraram o que parecia ser um motor de avião e, principalmente, a pintura personalizada em listras vermelhas e creme, idêntica à do jato desaparecido, além da matrícula N400CP na lateral. A avaliação de Kozak sobre o conjunto de evidências foi curta: 99% de certeza absoluta.
O que as famílias sentiram
A localização dos destroços trouxe respostas e reabriu feridas ao mesmo tempo. Barbara Nikitas, sobrinha do piloto George Nikita, descreveu o momento como uma sensação de paz misturada a uma tristeza forte, e contou que a família teve dificuldade para lidar com as primeiras fotos.
Frank Wilder, filho do passageiro de mesmo nome e morador da região da Filadélfia, disse que passar 53 anos sem saber se o avião estava no lago ou em alguma montanha da região foi angustiante. Ele se declarou aliviado por finalmente saber a localização, e ao mesmo tempo consciente de que a descoberta levanta novas questões a resolver. Barbara Nikitas, que mora no sul da Califórnia, e a prima Kristina Nikita Coffey, filha do piloto e moradora do Tennessee, foram quem liderou os esforços recentes de busca e reaproximou os parentes das cinco vítimas.
O que acontece com os destroços
O Conselho Nacional de Segurança nos Transportes dos Estados Unidos, conhecido pela sigla NTSB, ficou responsável por investigar e verificar se a aeronave localizada é mesmo a que desapareceu em 1971. O órgão não realiza operações de resgate de destroços, procedimento caro e que, no caso, envolveria uma decisão delicada.
Charles Williams, filho do passageiro Robert Ransom Williams III, resumiu o dilema ao dizer que a existência de vestígios humanos no local e a decisão sobre perturbá los ou não é algo que as famílias ainda teriam de enfrentar. Ele chamou Kozak de herói pela persistência. O reencontro entre os parentes produziu outro efeito, descrito por ele: cada família guardava pedaços diferentes da história, e a troca de documentos e informações montou um quadro que ninguém tinha sozinho. Com a localização definida, os familiares passaram a organizar uma cerimônia em memória das vítimas.
E você, imagina passar cinquenta e três anos sem saber onde ficou o avião de alguém da sua família? Conta aqui nos comentários se você acha que os destroços deveriam ser retirados do fundo do lago ou se o lugar deveria ser preservado como está.
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Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

