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10 construções que desafiam a água: conheça a casa sobre uma cachoeira, o restaurante submerso e o museu invadido por um lago
Escrito por Romário Pereira de Carvalho
Publicado em 31/07/2026 às 14:30
Atualizado em 31/07/2026 às 14:31
Curiosidades
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De uma casa sobre uma cachoeira a um restaurante submerso, projetos em vários países transformaram mares, rios, lagos e marés em partes fundamentais de residências, museus, parques, igrejas, piscinas, universidades e complexos residenciais
De uma casa erguida sobre uma cachoeira nos Estados Unidos a um restaurante instalado cinco metros abaixo do Mar do Norte, dez construções sobre a água mostram como arquitetos incorporaram rios, piscinas naturais, lagos e canais a projetos residenciais, culturais, religiosos, educacionais e públicos em diferentes países.
1. Casa da Cascata transforma cachoeira em parte da residência
Projetada em 1935 pelo arquiteto norte-americano Frank Lloyd Wright, a Casa da Cascata, conhecida como Fallingwater, foi construída em Stewart, na Pensilvânia, para servir como retiro de fim de semana da família Kauffman.
A residência não foi posicionada apenas diante da paisagem. Wright decidiu integrar a construção à cascata do córrego Bear Run, fazendo com que parte da casa avançasse sobre a queda d’água.
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Os terraços de concreto projetam-se da formação rochosa, enquanto uma escada instalada na sala de estar permite descer diretamente até a superfície da água.
Ao explicar sua solução, Wright afirmou que a formação rochosa elevada ao lado da cachoeira indicava a possibilidade de projetar a casa em balanço, estendendo a construção sobre a queda.
A Casa da Cascata foi designada Marco Histórico Nacional em 1976. Em 2019, passou a integrar a lista de Patrimônio Mundial da UNESCO.
2. Ópera de Oslo parece emergir das águas do fiorde
Em Oslo, na Noruega, a Ópera de Oslo foi projetada pelo escritório Snøhetta com linhas angulares que fazem o edifício parecer sair das águas do Fiorde de Oslo.
O telhado foi concebido como uma plataforma aberta ao público, criando um espaço de circulação no centro da capital norueguesa.
Revestido com granito branco e mármore de Carrara, o conjunto lembra um bloco de gelo à deriva sobre a água.
A implantação da ópera também foi acompanhada por uma ampla recuperação ambiental. Segundo o material consultado, o trabalho devolveu ao fiorde as condições de limpeza mais favoráveis registradas em quase 100 anos.
Com a melhoria da qualidade da água, áreas públicas de banho foram abertas. Mais de quarenta espécies de flora e fauna também retornaram à região.
3. Piscina das Marés usa rochas e água salgada do oceano
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Em Leça da Palmeira, Portugal, a Piscina das Marés utiliza as formações rochosas do litoral como parte de sua estrutura.
Projetado pelo arquiteto Álvaro Siza, o conjunto foi construído durante a década de 1960 e inaugurado em 1966.
Paredes de concreto, combinadas às rochas naturais, formam duas piscinas de água salgada abastecidas pela maré. O espaço também inclui vestiários, chuveiros e uma cafeteria.
As superfícies de concreto foram tratadas para se aproximarem da textura e da tonalidade do entorno, reduzindo visualmente o impacto da construção sobre a paisagem costeira.
O funcionamento ocorre apenas durante a época balnear, de junho a setembro. Desde 2011, a Piscina das Marés é reconhecida como Monumento Nacional de Portugal.
Entre 2019 e 2021, o conjunto passou por uma grande intervenção motivada pela deterioração do concreto armado, do tanque principal e do sistema de filtragem da água salgada.
O investimento chegou a 1,3 milhão de euros. Os trabalhos incluíram bombas de captação e circulação, equipamentos de filtragem e um sistema para tratamento da água.
4. Fondazione Querini Stampalia permite a entrada controlada da água
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Em Veneza, a Fondazione Querini Stampalia apresenta uma resposta arquitetônica às inundações provocadas pela chamada acqua alta do Mar Adriático.
A intervenção foi realizada pelo arquiteto Carlo Scarpa entre 1961 e 1963, no pavimento térreo de um palácio do século XVIII.
Em vez de tentar impedir completamente as inundações, Scarpa permitiu que a água entrasse e recuasse de maneira controlada, tornando o fenômeno parte do projeto.
A estrutura utiliza plataformas, canais e drenos de latão para conduzir a água sem danificar o edifício.
O piso combina pedra branca da Ístria e concreto escuro em formas geométricas que orientam tanto a circulação das pessoas quanto o movimento da água.
Uma passarela com níveis desencontrados também foi instalada para conectar o palácio a um espaço de exposição localizado no outro lado do canal interno.
5. Restaurante Under mergulha cinco metros no Mar do Norte
Localizado em Lindesnes, na Noruega, o Under é apresentado como o primeiro restaurante submerso da Europa. O projeto também foi desenvolvido pelo escritório Snøhetta.
A estrutura foi implantada em uma região onde tempestades marítimas vindas do norte e do sul se encontram.
O local reúne espécies adaptadas a ambientes de água salgada e salobra, permitindo que a construção também seja usada para observação e pesquisa.
O edifício é formado por um monólito de concreto inclinado que parte da costa rochosa e mergulha no Mar do Norte. A parte mais baixa fica cinco metros abaixo da superfície.
Dentro do restaurante, uma janela de onze metros de largura ocupa a parede do fundo e permite observar o ambiente marinho.
A iluminação vista pelos visitantes muda conforme o horário do dia e as estações do ano.
Além de receber clientes, o Under funciona como centro de pesquisa sobre a vida marinha. Sua parte externa também atua como um recife artificial.
6. Igreja sobre a Água coloca a cruz no centro de um lago
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No Japão, a Igreja sobre a Água transforma um espelho d’água em parte central do espaço religioso.
A capela foi projetada por Tadao Ando em 1988 e construída em Tomamu, um resort de montanha localizado em Hokkaido.
O projeto havia sido originalmente pensado para a costa de Kobe, onde a capela pareceria flutuar sobre o mar.
Em Tomamu, o oceano foi substituído por um lago artificial abastecido por um riacho.
A parede atrás do altar funciona como uma grande janela de correr. A cruz foi instalada fora da construção, isolada sobre a água e posicionada diante dos bancos.
Durante o inverno, o espelho d’água congela, alterando a paisagem vista do interior da capela.
7. Floating University leva salas de aula para um tanque de água
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Em Berlim, na Alemanha, a Floating University levou atividades educacionais para um tanque de retenção de águas pluviais do antigo aeroporto de Tempelhof.
A área permaneceu fechada ao público durante 80 anos antes de receber o projeto desenvolvido pelo coletivo Raumlabor.
Construído de maneira colaborativa, o campus utiliza madeira e andaimes, com estruturas inspiradas em plataformas de petróleo.
O complexo possui áreas de aprendizagem, auditório, torre de laboratório, cozinha, bar e um sistema experimental de filtragem de água.
Nesse caso, uma infraestrutura criada originalmente para armazenar águas pluviais foi transformada em espaço de ensino e experimentação.
8. Little Island sustenta parque de 2,4 acres sobre o Rio Hudson
Inaugurado em 2021, o Little Island é um parque público construído sobre o Rio Hudson, em Nova York.
Projetado pelo Heatherwick Studio, o espaço ocupa uma área total de 2,4 acres e inclui locais de convivência e apresentações.
O parque é sustentado por 280 estacas de concreto. A estrutura também possui 132 elementos de concreto em formato de tulipa.
Cada peça apresenta uma capacidade de carga diferente, definida de acordo com o peso do solo, dos gramados, das árvores e dos mirantes instalados sobre ela.
O projeto também reutilizou estacas de madeira remanescentes do antigo Pier 54, destruído pelo furacão Sandy.
Essas estruturas foram mantidas no rio como forma de preservar a vida marinha existente no local.
9. Sluishuis abre passagem para a água entrar no edifício
Em Amsterdã, nos Países Baixos, o Sluishuis é um complexo residencial construído diretamente sobre a água.
Inaugurado em 2022, o projeto foi desenvolvido pelos escritórios BIG e Barcode Architects.
O edifício eleva-se em uma das extremidades, permitindo que a água entre no pátio interno.
No lado oposto, o volume desce de maneira escalonada, fazendo com que a aparência da construção mude conforme o ponto de observação.
O complexo possui 44 apartamentos, uma marina central, jardins flutuantes e uma passarela pública instalada na cobertura.
A configuração reinventa a quadra urbana tradicional ao combinar moradia, circulação pública e áreas ligadas diretamente à água.
10. Museu Zaishui permite que o lago invada o piso
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Em Rizhao, na China, o Museu Zaishui transforma um lago artificial em parte da própria área de exposição.
Projetado pelo arquiteto Junya Ishigami, o edifício possui 20 mil metros quadrados e foi concebido para ampliar a integração entre arquitetura e natureza.
Aberturas na construção permitem que a água do lago entre e cubra partes do piso.
O prédio apresenta setores com diferentes larguras e alturas, criando mudanças na percepção do ambiente ao longo do percurso.
Colunas instaladas em intervalos regulares emergem da superfície do lago e sustentam uma cobertura de concreto.
Dessa maneira, a água não funciona apenas como cenário externo. Ela atravessa o edifício e passa a integrar permanentemente a experiência dentro do museu.
Esta matéria foi elaborada com base nas informações do material fornecido sobre a Casa da Cascata, Ópera de Oslo, Piscina das Marés, Fondazione Querini Stampalia, Under, Igreja sobre a Água, Floating University, Little Island, Sluishuis e Museu Zaishui, com dados, números e declarações preservados conforme o conteúdo consultado.
Fonte
https://casavogue.globo.c
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Romário Pereira de Carvalho.

