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Imigrante comprou em 1901 uma pequena fábrica de pregos em Porto Alegre, transformou o negócio familiar numa siderúrgica e hoje a Gerdau possui cerca de 30 mil funcionários, instalações industriais em dez países e fornece aço para aproximadamente 100 mil clientes
Escrito por Valdemar Medeiros
Publicado em 03/08/2026 às 17:28
Atualizado em 03/08/2026 às 17:29
Indústria
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João Gerdau comprou uma fábrica de pregos em 1901 e criou a base da siderúrgica que hoje emprega 30 mil pessoas e atende 100 mil clientes.
Em 1901, o imigrante alemão João Gerdau comprou a Companhia Fábrica de Pregos Pontas de Paris, em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul. O negócio era pequeno, familiar e concentrado na produção de pregos usados em construções, móveis, cercas e outras atividades comuns naquela época.
A fábrica cresceu, começou a produzir o próprio aço e abriu unidades em diferentes regiões. Mais de um século depois, a Gerdau tornou-se a maior empresa brasileira produtora de aço, reúne cerca de 30 mil trabalhadores e fornece produtos para aproximadamente 100 mil clientes.
João Gerdau comprou uma pequena fábrica de pregos em Porto Alegre
João Gerdau nasceu na Alemanha e chegou ao Brasil durante o século XIX. Antes de entrar na indústria, trabalhou no comércio e participou de outros negócios no Rio Grande do Sul, onde construiu a vida ao lado da família.
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Em 1901, ele comprou a Companhia Fábrica de Pregos Pontas de Paris. A empresa funcionava em Porto Alegre e produzia um item simples, mas necessário para o crescimento das cidades, das propriedades rurais e das pequenas oficinas.
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A compra marcou o começo da história da Gerdau. O nome da família passou a ser ligado à fábrica, que continuou funcionando enquanto aumentava a produção e conquistava novos compradores no mercado brasileiro.
Produção de pregos sustentou o começo da Gerdau
Nos primeiros anos, os pregos eram o principal produto da empresa. Eles eram fabricados em vários tamanhos para atender carpinteiros, construtores, agricultores, comerciantes e profissionais que trabalhavam com madeira.
A produção exigia arame de aço, máquinas de corte e equipamentos capazes de formar a cabeça e a ponta de cada prego. Mesmo sendo um produto pequeno, era necessário manter medidas regulares para que todas as peças tivessem boa qualidade.
A Gerdau continuou ligada aos pregos mesmo depois de entrar em áreas maiores da indústria. Em 2021, a companhia lançou uma embalagem especial inspirada no primeiro pacote vendido pela fábrica em 1901.
Família Gerdau manteve o negócio depois da morte do fundador
João Gerdau morreu em 1917, mas a fábrica não encerrou suas atividades. Seus familiares assumiram a administração e continuaram ampliando uma empresa que ainda dependia principalmente da produção e da venda de pregos.
O comando passou por diferentes gerações. Cada grupo de administradores enfrentou mudanças na economia brasileira, novos concorrentes, períodos de crise e a necessidade de investir em máquinas mais modernas.
A presença da família continuou mesmo com a profissionalização da empresa. Em 2007, a quinta geração chegou à gestão executiva, enquanto executivos sem ligação familiar também passaram a ocupar os principais cargos.
Usina Riograndense iniciou a produção de aço da Gerdau em 1948
A maior mudança aconteceu em 1948, quando a Gerdau assumiu o controle da Usina Riograndense. A partir daquele momento, a empresa deixou de apenas usar o aço comprado de outros fornecedores e começou a produzir sua própria matéria-prima.
Produzir aço era muito mais complexo do que fabricar pregos. A operação exigia fornos, grandes máquinas, profissionais especializados e sistemas capazes de controlar a temperatura e a qualidade do metal.
A compra da usina criou a base para a expansão da companhia. Com aço próprio, a Gerdau conseguiu aumentar a produção, desenvolver novos produtos e depender menos de outras empresas para conseguir matéria-prima.
Gerdau ampliou suas fábricas para outras regiões do Brasil
Durante muitos anos, a empresa ficou concentrada no Rio Grande do Sul. Essa situação começou a mudar conforme a procura por aço aumentou e novas obras de infraestrutura avançaram em diferentes partes do país.
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Em 1969, a Gerdau inaugurou a Siderúrgica AçoNorte, em Pernambuco. Em 1971, abriu uma filial da Comercial Gerdau em São Paulo e inaugurou a unidade Cosigua, no Rio de Janeiro.
A expansão aproximou as fábricas dos consumidores. Com unidades em várias regiões, a empresa conseguiu reduzir distâncias, melhorar o transporte dos produtos e atender com maior rapidez construtoras, lojas e indústrias.
Usinas adquiridas aceleraram o crescimento da siderúrgica
A Gerdau também cresceu por meio da compra de outras empresas. Em 1988, assumiu a Usina Barão de Cocais, em Minas Gerais, após vencer o leilão realizado para a venda da unidade.
Em 1992, a empresa entrou no setor de aços especiais com a compra da Siderúrgica Piratini, no Rio Grande do Sul. Esses tipos de aço são usados em produtos que precisam suportar grande peso, pressão ou desgaste.
Em 1997, a Gerdau tornou-se sócia da Açominas, atual unidade de Ouro Branco, em Minas Gerais. A fábrica passou a ter uma função central na produção de aço da companhia.
Internacionalização da Gerdau começou pelo Uruguai em 1980
A expansão para fora do Brasil começou em 1980, quando a Gerdau comprou a siderúrgica Laisa, no Uruguai. Foi a primeira grande operação industrial da empresa em outro país.
Em 1989, a companhia entrou na América do Norte ao comprar a Courtice Steel, no Canadá. Depois, passou a manter operações em países como Estados Unidos, Argentina, Peru e México.
A presença internacional aproximou a empresa de novos mercados. Em vez de enviar todo o aço a partir do Brasil, a Gerdau passou a produzir perto de muitos dos clientes atendidos em outras partes das Américas.
Gerdau apresenta números diferentes sobre sua presença internacional
A página de recrutamento da Gerdau informa que a companhia possui presença industrial em dez países. A mesma página registra cerca de 30 mil trabalhadores e aproximadamente 100 mil clientes atendidos.
Um documento oficial da empresa publicado em 2026 também cita presença em dez países. No entanto, o perfil atual da área de Relações com Investidores informa operações em sete países das Américas.
A diferença pode estar ligada a mudanças feitas na estrutura internacional e à atualização de cada página. O perfil atual apresenta fábricas no Brasil, Estados Unidos, Canadá, México, Argentina, Uruguai e Peru.
Gerdau produz diferentes tipos de aço para a indústria
A empresa fabrica aços longos, especiais e planos. Os aços longos aparecem em produtos compridos, como vergalhões, barras, perfis e fios usados principalmente em construções, máquinas e equipamentos.
Os aços especiais são desenvolvidos para suportar condições mais difíceis. Eles podem ser utilizados em automóveis, caminhões, máquinas agrícolas e peças que precisam resistir a altas temperaturas, impactos e pressão.
Os aços planos são vendidos em formas como chapas e bobinas. Esses materiais são usados em veículos, máquinas, equipamentos industriais, grandes estruturas e diferentes projetos de infraestrutura.
Cerca de 100 mil clientes compram produtos da Gerdau
A Gerdau informa atender aproximadamente 100 mil clientes. Esse grupo inclui desde grandes indústrias até construtoras, empresas de transporte, produtores rurais, distribuidores e pequenas lojas de materiais.
Na construção civil, o aço é usado em casas, edifícios, pontes, estradas e outras obras. Os vergalhões, por exemplo, são colocados dentro do concreto para aumentar a resistência das estruturas.
Os produtos também chegam aos setores automotivo, agrícola, naval, energético e industrial. Uma mesma empresa pode fornecer aço para carros, máquinas, equipamentos, torres de energia e grandes projetos.
Gerdau reúne cerca de 30 mil trabalhadores no mundo
A pequena fábrica de pregos deu lugar a uma empresa com cerca de 30 mil trabalhadores. Eles atuam em usinas, minas, escritórios, centros comerciais, laboratórios e unidades de distribuição.
A produção de aço precisa de profissionais de várias áreas. A operação envolve engenheiros, mecânicos, eletricistas, operadores de máquinas, técnicos de segurança, especialistas em meio ambiente e equipes de transporte.
Em 2018, Gustavo Werneck tornou-se o primeiro presidente da empresa sem ligação com a família fundadora. A mudança representou mais um passo na profissionalização da administração da Gerdau.
Comercial Gerdau distribui aço para diferentes regiões
A empresa não depende apenas das grandes usinas para chegar aos clientes. A Comercial Gerdau mantém mais de 70 lojas espalhadas pelo Brasil, onde oferece produtos e serviços ligados ao aço.
Essas unidades atendem compradores que não precisam adquirir grandes quantidades diretamente das fábricas. Pequenas construtoras, serralherias, agricultores, lojas e indústrias locais podem retirar materiais com maior facilidade.
Entre os produtos vendidos estão pregos, arames, vergalhões, colunas, treliças, eletrodos e outros itens usados em construções e atividades industriais.
Sucata ferrosa virou matéria-prima importante para a Gerdau
A Gerdau é uma das maiores recicladoras de sucata metálica da América Latina. A companhia transforma cerca de 10 milhões de toneladas desse material em novos produtos de aço todos os anos.
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A sucata pode vir de carros antigos, máquinas, eletrodomésticos, estruturas metálicas e resíduos de fábricas. Depois de separada e preparada, ela é derretida e usada novamente na produção.
Cerca de 70% do aço fabricado pela companhia tem a sucata como base. Esse processo reduz o desperdício de metal e permite que materiais antigos voltem ao mercado em novos produtos.
Usina de Ouro Branco é a maior fábrica de aço da Gerdau
A unidade de Ouro Branco, em Minas Gerais, é a maior fábrica de aço da empresa no mundo. Sua capacidade anual chega a 4,5 milhões de toneladas de aço.
A usina fabrica produtos usados em diferentes setores da economia. O complexo possui grandes fornos, linhas de produção, equipamentos de transporte interno e sistemas que funcionam de forma contínua.
A unidade também recebeu investimentos em automação, internet 5G, inteligência artificial e controle digital. Essas tecnologias ajudam a acompanhar máquinas, reduzir falhas e melhorar o uso de energia e matérias-primas.
Minério de ferro abastece a produção de aço em Minas Gerais
A Gerdau também atua na mineração para obter parte do minério de ferro usado em suas fábricas. A produção é destinada principalmente ao abastecimento da unidade de Ouro Branco.
Em 2009, a companhia iniciou oficialmente a produção de minério de ferro em Minas Gerais. A atividade permitiu que a empresa controlasse uma parte maior do caminho entre a retirada da matéria-prima e a fabricação do aço.
A nova estrutura da Mina de Miguel Burnier deverá aumentar a capacidade de produção em 5,5 milhões de toneladas por ano. O minério será usado pela própria Gerdau em suas operações.
Florestas de eucalipto fornecem carvão vegetal para as usinas
A Gerdau mantém mais de 230 mil hectares de base florestal em Minas Gerais. Parte da área possui plantações de eucalipto, enquanto cerca de 90 mil hectares são destinados à conservação da mata nativa.
A madeira plantada é usada na produção de carvão vegetal. Esse material funciona como redutor nos fornos, ajudando a retirar o oxigênio presente no minério de ferro durante a fabricação do ferro-gusa.
A empresa afirma ser a maior produtora mundial de carvão vegetal usado na fabricação de aço. O uso desse material reduz parte da necessidade de carvão mineral de origem fóssil.
Ações da Gerdau são negociadas no Brasil e nos Estados Unidos
O crescimento levou a companhia ao mercado de ações. Atualmente, os papéis da Gerdau são negociados na B3, em São Paulo, e na Bolsa de Valores de Nova York.
A chegada à bolsa norte-americana ocorreu em 1999. Ao vender ações, a empresa passou a contar com investidores que compram pequenas partes da companhia e acompanham seus resultados.
Por ser uma empresa de capital aberto, a Gerdau precisa divulgar informações financeiras, riscos, investimentos e decisões importantes. Esses dados permitem que acionistas e o mercado acompanhem o desempenho do negócio.
Gerdau encerrou 2025 com receita de R$ 69,9 bilhões
Em 2025, a receita líquida da Gerdau chegou a R$ 69,9 bilhões. O valor representa o total obtido com as vendas depois dos descontos, devoluções e impostos ligados à comercialização dos produtos.
O Ebitda ajustado alcançou R$ 10,1 bilhões. Esse indicador mostra parte do resultado das atividades da empresa antes da retirada de juros, impostos, perda de valor das máquinas e outros ajustes contábeis.
Os números mostram a dimensão alcançada pela antiga fábrica de pregos. A empresa movimenta bilhões de reais por ano para manter usinas, minas, lojas, trabalhadores, projetos e operações internacionais.
A empresa completou 125 anos como gigante brasileira do aço
Em 2026, a Gerdau completou 125 anos de história. A companhia atravessou duas guerras mundiais, crises econômicas, mudanças políticas e grandes transformações na indústria brasileira.
A empresa passou dos pregos aos vergalhões, chapas, bobinas e aços especiais. Também entrou na mineração, na reciclagem, na geração de energia e em novos negócios ligados à construção e à infraestrutura.
O empreendimento comprado por João Gerdau em 1901 tornou-se uma das maiores empresas industriais do país. A trajetória mostra como uma pequena fábrica familiar conseguiu crescer, produzir o próprio aço e alcançar clientes em diferentes mercados.
Fonte
gerdau
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Valdemar Medeiros.

