6 min de leitura
Pedreiros estão trocando o tijolo por placas de PVC preenchidas com concreto que já vêm com o acabamento pronto e erguem uma casa inteira em sete dias, sem reboco nem entulho
Escrito por Bruno Teles
Publicado em 04/08/2026 às 11:24
Atualizado em 04/08/2026 às 11:31
Construção
Seja o primeiro a reagir!
Prefira o CPG no Google
O sistema se chama Concreto PVC, foi criado no Canadá no início dos anos 1980 e chegou ao Brasil em 1998, na construção de uma escola em Macaé. Ganhou escala com o Minha Casa, Minha Vida e com a reconstrução de cidades atingidas por enchentes.
A parede chega pronta e o acabamento vem junto. É esse o princípio do sistema construtivo conhecido como Concreto PVC, em que placas de PVC ocas e de duplo encaixe são montadas no canteiro, preenchidas com concreto e permanecem ali como revestimento definitivo, conforme reportagem de Altair Santos publicada pelo portal da Cimento Itambé em março de 2011.
O método dispensa pintura, reboco e cerâmica, porque a fôrma não é retirada depois da concretagem. Uma habitação de interesse social pode ser erguida em sete dias, e uma residência de 56 metros quadrados com painéis de 64 milímetros consome aproximadamente 7,5 metros cúbicos de concreto.
Como o sistema funciona na prática
A lógica inverte o que se faz na construção convencional. No método tradicional, a fôrma de madeira é montada, o concreto é despejado, a fôrma é retirada e a parede ainda precisa de chapisco, reboco e pintura.
ARTIGO CONTINUA ABAIXO
Veja também
Aqui, os perfis de PVC são encaixados por módulos, formando paredes duplas com um vão oco no meio. Esse vão recebe armadura de aço e concreto despejado no próprio local da obra. Quando a mistura cura, o PVC continua no lugar, funcionando ao mesmo tempo como estrutura de contenção e como acabamento interno e externo. O sistema é conhecido internacionalmente como Royal Building System.
De onde veio a tecnologia
A origem é canadense. O método foi desenvolvido pela Royal Group Technologies no início da década de 1980 e chegou ao Brasil em 1998, com a construção de uma escola no município de Macaé, no Rio de Janeiro.
Aqui, ele passou a ter consultoria da Associação Brasileira de Cimento Portland para ajustar o concreto usado no sistema. A exigência técnica é específica: a mistura precisa ser bem fluida, com abatimento de 25 centímetros ou mais, e usar brita zero ou pedrisco, para que preencha todos os vãos sem deixar falhas. No Rio Grande do Sul, tem sido empregado concreto leve com pérolas de EPS, o isopor, para melhorar conforto térmico e acústico.
Onde o método pegou no Brasil
A expansão veio pela via da habitação popular. Segundo o levantamento de 2011, o sistema estava bem difundido no Rio Grande do Sul e havia alcançado outros 11 estados por meio do programa Minha Casa, Minha Vida.
A lista incluía Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Minas Gerais, Goiás, Bahia e Alagoas. Reportagem posterior da revista Grandes Construções registrou que a tecnologia já somava mais de 500 mil metros quadrados de área construída no país, em projetos que vão de casas populares a prédios.
O empurrão veio das enchentes
Dois desastres aceleraram a adoção. Em São Paulo, a companhia estadual de habitação firmou parceria com a detentora da tecnologia no país para reconstruir casas em São Luiz do Paraitinga, município devastado pelas chuvas em 2010.
O mesmo caminho foi seguido na região serrana do Rio de Janeiro após as enchentes que atingiram Petrópolis e Teresópolis. A velocidade de execução é justamente o argumento que faz o sistema ser escolhido em reconstrução pós-desastre, quando famílias estão desabrigadas e o cronograma convencional de obra não atende.
Os números que o setor divulga
Dados da associação de cimento, reproduzidos pela imprensa especializada, dão a dimensão do ganho de produtividade. Para construir 20 casas populares de aproximadamente 43 metros quadrados, o prazo estimado é de 30 dias, com 24 operários e custo médio de R$ 480 por metro quadrado, valores de quando a reportagem foi publicada.
O setor também aponta redução de desperdício de aproximadamente 90% em relação a obras convencionais, além de economia de até 73% no consumo de energia elétrica e 75% no de água durante a construção. Reportagem da Gazeta do Povo, de 2011, registrou geração de resíduos 80% menor e consumo de água e energia 70% mais baixo, além de durabilidade estimada em pelo menos 50 anos e custo de obra até 15% inferior.
Onde o método é aplicado além de casa popular
O uso não se restringe a habitação de interesse social. O sistema é empregado em casas de diversos padrões, prédios industriais, edifícios residenciais de até cinco pavimentos e construções comerciais como escolas, hospitais e postos de combustíveis.
Há ainda a possibilidade de combinação com técnicas convencionais. O método pode ser usado junto com alvenaria tradicional, e o morador que quiser ampliar depois pode fazer isso pelo sistema comum. O PVC também aceita pintura, textura e revestimento cerâmico, para quem não gosta do acabamento original.
O que a norma diz sobre conforto
Um ponto técnico importante diz respeito ao desempenho da parede. O sistema é apresentado como adaptado às oito zonas bioclimáticas brasileiras definidas pela norma NBR 15220-3, da Associação Brasileira de Normas Técnicas, que trata de desempenho térmico de edificações.
Também é apontado como atendendo aos valores de isolamento acústico exigidos para paredes externas, internas e geminadas em unidades residenciais. O uso do concreto leve com pérolas de EPS, adotado no Rio Grande do Sul, é uma das formas de reforçar esse desempenho, principalmente em regiões de temperatura extrema.
O que precisa de atenção na execução
Assista o vídeo
Nenhum sistema construtivo dispensa cuidado técnico, e este tem exigências próprias. A fundação precisa ser dimensionada conforme o solo do terreno, como em qualquer obra.
Os dois pontos críticos específicos são o preenchimento completo dos perfis com concreto, já que uma falha interna não fica visível depois de fechada a parede, e o uso de armadura compatível com o cálculo estrutural. A fluidez da mistura não é detalhe de conveniência, é o que garante que o vão inteiro seja preenchido, e é por isso que a especificação de abatimento e de granulometria da brita aparece em todas as descrições técnicas do método.
Uma ressalva sobre a idade dos dados
A reportagem que originou esta matéria é de março de 2011, e boa parte dos números aqui vem daquele período ou dos anos seguintes. Custo por metro quadrado, número de estados atendidos e volume de área construída certamente mudaram desde então.
O que permanece atual é a descrição do método: painéis de PVC encaixados, preenchidos com concreto armado no local, que ficam incorporados à parede e dispensam revestimento. Publicações recentes sobre o sistema seguem descrevendo o mesmo funcionamento, com destaque para a resistência do polímero a umidade, cupim e corrosão em regiões litorâneas.
E você, moraria numa casa com parede de PVC por fora e por dentro? Conta aqui nos comentários o que você acha de sistema construtivo industrializado no Brasil, e diga se prefere obra rápida ou o método tradicional de tijolo e reboco.
Tags
placas de PVC
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Bruno Teles.

