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Aos 84 anos, Dona Vivi pega ônibus todos os dias, atravessa Belo Horizonte para estudar e ajuda a revelar um grupo surpreendente de 230 alunos com mais de 80 anos que ainda frequentam a EJA na capital mineira
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 07/08/2026 às 00:32
Atualizado em 07/08/2026 às 00:33
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Vicentina Gonçalves Ferreira nunca teve oportunidade de frequentar formalmente uma escola e, mais de oito décadas depois de nascer, transformou o deslocamento diário até o Barreiro em parte da rotina para aprender, conviver e fazer novas amizades.
Uma rotina incomum passou a fazer parte da vida de Vicentina Gonçalves Ferreira, de 84 anos, em Belo Horizonte.
Conhecida como Dona Vivi, ela entra no ônibus todos os dias e atravessa parte da capital mineira para chegar ao Centro de Convivência Barreiro, onde participa da Educação de Jovens e Adultos da rede municipal.
A sala de aula representa uma experiência que permaneceu distante durante grande parte de sua trajetória.
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Vicentina contou à Prefeitura de Belo Horizonte que nunca teve oportunidade de frequentar formalmente uma escola.
Mais de oito décadas depois de nascer, aprender passou a dividir espaço em sua rotina com viagens de ônibus, encontros com colegas e novas amizades.
A história também revelou um número que ajuda a dimensionar a presença de idosos dentro da EJA.
Em abril de 2026, 230 estudantes com mais de 80 anos estavam matriculados na Educação de Jovens e Adultos da rede municipal de Belo Horizonte.
Escola entrou na rotina depois dos 80 anos
A trajetória escolar de Dona Vivi começou muito depois da idade tradicionalmente associada à alfabetização e ao ensino básico.
A ausência de oportunidades durante as primeiras décadas de sua vida fez com que a escola permanecesse como algo distante.
Aos 84 anos, essa realidade mudou.
Vicentina passou a reservar parte dos dias para frequentar as aulas e realizar o deslocamento necessário até o Barreiro.
O acesso à educação ganhou um significado que ultrapassa a aprendizagem de conteúdos.
A escola também abriu espaço para novas experiências sociais.
Pessoas diferentes passaram a fazer parte da rotina da estudante, criando oportunidades de conversa, convivência e amizade.
O ambiente escolar tornou-se, dessa maneira, um ponto de encontro que ocupa um lugar importante na vida de Dona Vivi.
Viagem de ônibus virou parte do caminho até as aulas
O estudo começa antes mesmo de Vicentina chegar ao Centro de Convivência Barreiro.
O transporte público faz parte da rotina necessária para manter sua presença nas atividades.
Todos os dias de aula, Dona Vivi utiliza ônibus para atravessar Belo Horizonte e chegar ao local onde estuda.
A idade não eliminou a disposição para realizar o percurso.
O trajeto se tornou parte de uma experiência que ela não teve oportunidade de viver durante a infância.
A situação chama atenção justamente por mostrar uma estudante de 84 anos incorporando compromissos escolares à rotina diária.
Caderno, colegas, professores e transporte passaram a dividir espaço em uma fase da vida normalmente associada ao encerramento de atividades profissionais e à redução de compromissos.
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Viviane Alves
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230 estudantes com mais de 80 anos mostram uma realidade maior
A história de Vicentina parece excepcional quando observada isoladamente.
Os números da rede municipal de Belo Horizonte mostram, porém, que a presença de pessoas acima dos 80 anos na Educação de Jovens e Adultos forma um grupo expressivo.
A capital mineira contabilizava 230 estudantes dessa faixa etária matriculados na EJA em abril de 2026.
O dado coloca Dona Vivi dentro de uma realidade muito maior.
Centenas de moradores continuam frequentando espaços educacionais mesmo depois de ultrapassar oito décadas de vida.
Esse recorte também ajuda a mostrar como a EJA reúne estudantes com trajetórias bastante diferentes.
Parte dos alunos precisou abandonar ou adiar a formação escolar ao longo da vida.
Outros, como Vicentina, nunca tiveram a oportunidade de frequentar formalmente uma escola nos períodos tradicionais de ensino.
A modalidade passa a funcionar, nesses casos, como uma porta de entrada que permaneceu fechada durante décadas.
Sala de aula também virou espaço para novas amizades
O aprendizado não é o único elemento destacado por Dona Vivi ao falar sobre a experiência.
A convivência passou a ocupar uma posição importante dentro dessa nova rotina.
Vicentina encontrou na escola a possibilidade de conhecer pessoas diferentes e construir novas amizades.
O contato diário com colegas transformou a experiência educacional em algo que ultrapassa livros, atividades e conteúdos apresentados durante as aulas.
A dimensão social ganha relevância principalmente entre estudantes idosos.
A presença em ambientes coletivos cria oportunidades de participação, diálogo e formação de vínculos.
No caso de Dona Vivi, a escola passou a reunir exatamente esses elementos.
Aprender tornou-se importante, mas estar entre outras pessoas também ganhou significado.
EJA permite recuperar um direito que ficou distante por décadas
A Educação de Jovens e Adultos foi criada para atender pessoas que não tiveram acesso ou continuidade de estudos na idade considerada regular.
As trajetórias presentes dentro das salas de aula costumam refletir diferentes circunstâncias pessoais, familiares e profissionais.
O caso de Vicentina mostra uma dessas possibilidades.
A ausência de oportunidade escolar durante grande parte de sua vida não impediu que a estudante buscasse esse acesso décadas depois.
A idade também não eliminou a necessidade de deslocamento.
Aos 84 anos, Dona Vivi continua entrando no ônibus e seguindo até o Barreiro para participar das aulas.
O número de estudantes acima dos 80 anos matriculados na capital mineira reforça que o interesse pela educação não desaparece necessariamente com o avanço da idade.
Presença de idosos muda o retrato tradicional da educação
A imagem mais comum de uma sala de aula costuma estar associada a crianças, adolescentes ou jovens.
A realidade encontrada na EJA de Belo Horizonte amplia esse retrato.
Estudantes que já ultrapassaram os 80 anos continuam ocupando carteiras, participando de atividades e reconstruindo uma relação com a educação.
Os 230 alunos registrados nessa faixa etária representam histórias individuais que chegaram à escola em momentos muito diferentes.
A trajetória de Dona Vivi oferece um exemplo concreto desse cenário.
O aprendizado que não aconteceu durante a infância passou a fazer parte da vida aos 84 anos.
O transporte diário mostra que frequentar as aulas também exige organização, disposição e continuidade.
Educação ganhou um novo significado aos 84 anos
Vicentina não passou a frequentar a escola apenas para cumprir uma etapa formal.
A experiência trouxe mudanças para sua rotina.
O estudo criou novos compromissos, apresentou novas pessoas e abriu um espaço de convivência que antes não fazia parte de seus dias.
A história também ajuda a colocar em evidência uma parcela pouco lembrada dos estudantes brasileiros.
Pessoas com mais de 80 anos continuam buscando alfabetização, formação básica e contato com o ambiente escolar.
Belo Horizonte possuía pelo menos 230 exemplos desse fenômeno dentro da rede municipal em abril de 2026.
Dona Vivi é uma dessas estudantes.
Aos 84 anos, ela transforma uma viagem de ônibus aparentemente comum em parte de um caminho que levou mais de oito décadas para chegar à sala de aula.
Você encararia viagens diárias de ônibus aos 84 anos para realizar o sonho de estudar ou acredita que cidades deveriam ampliar ainda mais as opções de ensino perto da casa dos estudantes idosos? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

