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Mãe deixou a escola ainda na 7ª série para trabalhar, passou décadas acompanhando os estudos dos filhos e, aos 40 anos, voltou a estudar depois que o próprio filho de 15 anos entrou na EJA, começou a cobrar sua volta e transformou a rotina da família
Escrito por Viviane Alves
Publicado em 07/08/2026 às 00:31
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Diarista Glicia Mara Moreira interrompeu os estudos ainda jovem para trabalhar e ajudar a família, mas retornou à escola em 2026 depois de acompanhar a adaptação do filho João Lucas ao Ceebja de Londrina, no Paraná.
Uma mudança na rotina escolar de um adolescente acabou transformando também a trajetória educacional da própria mãe em Londrina, no Paraná.
Glicia Mara Moreira, de 40 anos, retomou os estudos em março de 2026 depois de acompanhar o filho João Lucas Aparecido Moreira, de 15 anos, no Centro Estadual de Educação Básica para Jovens e Adultos de Londrina.
A diarista havia deixado a escola ainda na 7ª série do Ensino Fundamental para trabalhar e ajudar a família.
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Décadas depois, o contato com a experiência do filho no Ceebja fez Glicia reconsiderar uma etapa da própria vida que permanecia interrompida.
João Lucas acumulava uma defasagem de três anos na formação escolar e encontrou na modalidade uma estrutura de ensino à qual conseguiu se adaptar.
A evolução do adolescente passou a chamar a atenção da mãe e abriu espaço para uma decisão que mudaria a rotina dos dois.
Filho de 15 anos começou a cobrar a mãe
A influência dentro da família aconteceu em uma direção diferente daquela normalmente associada à relação entre pais e filhos.
João Lucas passou a incentivar a mãe a voltar para a escola e concluir os estudos.
Glicia havia interrompido a formação ainda jovem porque precisava trabalhar e contribuir com a família.
A educação permaneceu fora da própria rotina durante anos, mesmo enquanto ela acompanhava o desenvolvimento escolar dos filhos.
O adolescente começou então a questionar por que a mãe também não retomava os estudos.
A cobrança ganhou força conforme João Lucas avançava no Ceebja e se adaptava à nova modalidade de ensino.
Objetivo profissional também pesou na decisão
O retorno à escola passou a representar mais do que a conclusão de uma etapa interrompida na juventude.
Glicia pretende fazer um curso de cuidadora de idosos e percebeu que precisaria avançar na escolaridade para seguir esse objetivo profissional.
A decisão de voltar aos estudos passou, dessa forma, a reunir duas motivações.
Uma delas estava ligada ao incentivo do filho.
A outra envolvia a possibilidade de ampliar as oportunidades de trabalho no futuro.
A formação escolar voltou a ocupar espaço na vida da diarista depois de décadas dedicada ao trabalho e às responsabilidades familiares.
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Viviane Alves
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Os dois passaram a estudar ao mesmo tempo
João Lucas frequenta o Ceebja de segunda a sexta-feira.
Glicia precisa conciliar o trabalho como diarista com a nova rotina de estudante.
Os encontros presenciais acontecem às terças-feiras.
As demais atividades são realizadas por meio de uma plataforma digital.
Atualmente, Glicia cursa a etapa correspondente aos anos finais do Ensino Fundamental.
A previsão apresentada pela Secretaria da Educação do Paraná é de que ela consiga concluir os estudos em aproximadamente dois anos.
A casa da família passou, com isso, a reunir dois estudantes de gerações diferentes.
Tarefas e cobranças entraram na rotina da família
A educação deixou de ser apenas um assunto que Glicia acompanhava na vida do filho.
A mãe também passou a ter tarefas, compromissos escolares e prazos para cumprir.
João Lucas continuou recebendo incentivo para permanecer estudando, mas passou a exercer uma função semelhante em relação à mãe.
O adolescente cobra a continuidade dos estudos e incentiva Glicia a não abandonar novamente a formação.
A rotina criou uma relação de apoio mútuo dentro de casa.
Cada um passou a acompanhar de perto o esforço do outro para avançar na escolaridade.
Relação de incentivo passou a funcionar nos dois sentidos
A volta de Glicia à escola mostrou que o incentivo educacional dentro de uma família não precisa acontecer apenas dos pais para os filhos.
A própria estudante resumiu essa relação ao destacar que pais podem inspirar os filhos, enquanto os filhos também podem inspirar os pais.
João Lucas encontrou no Ceebja uma modalidade à qual conseguiu se adaptar.
Glicia encontrou na experiência do filho a motivação para retomar uma formação interrompida ainda na juventude.
A trajetória dos dois passou a ocorrer ao mesmo tempo, dentro da escola e também dentro de casa.
Retorno à escola muda planos para o futuro
A conclusão do Ensino Fundamental pode abrir caminho para que Glicia avance para outras etapas de formação.
O curso de cuidadora de idosos aparece como um dos objetivos que ajudaram a fortalecer a decisão de continuar estudando.
A experiência também transformou a relação da família com a educação.
Glicia deixou de acompanhar apenas a trajetória escolar do filho e passou a construir novamente a própria.
João Lucas, por sua vez, assumiu um papel ativo no retorno da mãe à escola.
A história iniciada com a adaptação do adolescente ao Ceebja acabou criando uma nova rotina para os dois.
Mãe e filho agora dividem tarefas, cobranças e incentivo, enquanto avançam juntos em etapas diferentes da formação.
O que você acha dessa inversão de papéis, em que um filho de 15 anos passa a incentivar a própria mãe a voltar para a escola e concluir os estudos? Deixe sua opinião!
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Viviane Alves.

