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Mãe de dois filhos vivia em casa de bambu que alagava nas monções e precisava de reparos até duas vezes por ano, até ajudar a construir uma moradia de três cômodos e conseguir abrir dois pequenos negócios
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 07/08/2026 às 20:42
Atualizado em 07/08/2026 às 20:43
Indústria
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No Nepal, Reshmi deixou uma casa de bambu atingida pelas monções, por cobras e escorpiões e participou da construção de uma moradia resistente com três cômodos. A mudança encerrou reparos frequentes, permitiu abrir uma loja e uma alfaiataria e direcionar mais recursos para a educação dos dois filhos.
Quando as monções chegavam às planícies do Nepal, Reshmi sabia que parte do pouco dinheiro disponível poderia voltar para a casa. A mãe de dois filhos vivia em uma moradia de bambu que alagava durante as chuvas e precisava de reparos uma ou duas vezes por ano. Água no piso, deterioração da estrutura e animais dentro da residência faziam parte da rotina.
Cobras, insetos e escorpiões conseguiam entrar na construção. Além do medo, havia uma consequência financeira: recursos que poderiam atender educação e cuidados médicos eram consumidos pelos reparos frequentes.
Em junho de 2025, Habitat for Humanity, organização internacional voltada a soluções de habitação, publicou a trajetória de Reshmi e a construção da nova casa no Nepal.
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Monções transformavam a casa em uma despesa que sempre voltava
A antiga residência era feita com bambu tradicional e ficava em uma região sujeita às chuvas intensas das monções. Quando a água chegava, o piso alagava e o telhado sofria com o volume de chuva.
O problema se repetia. Reshmi precisava realizar reparos uma ou duas vezes por ano, mas a estrutura voltava a se deteriorar. Para uma família com recursos limitados, isso significava gastar novamente com algo que já havia sido consertado.
O risco não vinha apenas da água. A proximidade da vegetação permitia que cobras, insetos e escorpiões entrassem na residência, aumentando a sensação de insegurança para a mãe e os dois filhos.
Tecnologia combinou bambu tratado com técnicas modernas de construção
A mudança começou com a utilização da Tecnologia de Estrutura de Bambu e Cimento, conhecida pela sigla CBFT. A solução emprega bambu tratado para aumentar sua proteção contra pragas, umidade e apodrecimento e o combina com técnicas modernas de construção.
O bambu tem presença antiga na vida das comunidades rurais do Nepal. O problema está no material sem tratamento, que fica mais vulnerável à umidade, às pragas e à deterioração. O sistema procura preservar as vantagens do bambu enquanto melhora seu desempenho na moradia.
Habitat for Humanity, organização internacional voltada a soluções de habitação, registra que as casas feitas com essa tecnologia foram desenvolvidas para suportar terremotos de magnitude entre 7 e 8 e ventos de até 300 quilômetros por hora. Esses são os parâmetros apresentados pela fonte responsável pela publicação do caso.
Reshmi não recebeu apenas a casa, ela participou da construção
A nova moradia também carrega o trabalho da própria Reshmi. Durante a obra, ela transportou areia, brita e terra até o local e participou de diferentes atividades necessárias para erguer a residência.
Sua participação chegou à instalação elétrica da casa. Assim, a mãe que durante anos precisava encontrar formas de reparar a antiga moradia passou a trabalhar diretamente na construção daquela que substituiria a estrutura vulnerável.
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O esforço ajuda a explicar por que a transformação não ficou restrita às paredes. Reshmi participou fisicamente de uma obra que mudaria a forma como a família enfrentava as chuvas e organizava seus recursos.
Nova casa passou a ter cozinha, dois quartos e três cômodos
A construção pronta ficou com três cômodos, sendo uma cozinha e dois quartos. Pela primeira vez, a família passou a contar com uma residência que não reproduzia a mesma rotina de alagamentos, entrada de animais e reparos recorrentes.
A limpeza também ficou mais simples. Para Reshmi, isso representou uma diferença prática no cotidiano, principalmente depois de anos convivendo com um piso atingido pelas águas das monções.
A mudança mais importante, porém, apareceu na sensação de segurança e na possibilidade de planejar os gastos. O dinheiro deixou de ser constantemente direcionado para recuperar a antiga estrutura deteriorada.
Fim dos reparos abriu espaço para uma loja e uma alfaiataria
Livre daquele ciclo de manutenção, Reshmi conseguiu abrir uma pequena loja e uma alfaiataria. Os dois negócios passaram a gerar renda para atender às necessidades da família.
A melhora também alcançou os filhos. Parte da renda passou a ajudar na educação das crianças, que foram enviadas para uma escola em regime de internato. O contraste com a antiga situação é marcante: dinheiro que antes desaparecia nos reparos passou a ter outros destinos.
A casa, portanto, não resolveu apenas um problema físico. A estabilidade da moradia criou condições para Reshmi trabalhar, ampliar sua renda e investir mais na educação dos dois filhos.
O custo de reconstruir sempre pode prender uma família ao mesmo problema
A história de Reshmi também ajuda a compreender uma dificuldade presente em comunidades de baixa renda de diferentes países. Quando uma família precisa gastar repetidamente para recuperar partes da própria moradia, o custo não termina quando o primeiro conserto fica pronto.
Esse paralelo também é fácil de entender no contexto brasileiro. Famílias expostas a chuvas e moradias vulneráveis podem enfrentar a mesma escolha difícil entre reparar a casa e direcionar recursos para outras necessidades. Isso não significa que a tecnologia usada no Nepal possa ser aplicada diretamente no Brasil, pois cada região possui condições próprias.
O ponto central está na durabilidade. No caso de Reshmi, substituir a antiga estrutura que precisava de reparos frequentes por uma moradia de três cômodos construída com uma tecnologia mais resistente alterou também a forma como a família utilizava o dinheiro.
Durante anos, as monções significaram alagamento, deterioração e novos gastos. Depois da construção, Reshmi deixou para trás esse ciclo e conseguiu direcionar sua energia para dois pequenos negócios e para a educação dos filhos.
Se uma casa mais resistente pode liberar uma família de gastos repetidos e abrir espaço para educação e renda, investir primeiro na qualidade da moradia pode ser uma das formas mais diretas de combater a pobreza?
Fonte
Habitat for Humanity
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

