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Estudantes passaram três anos construindo um carro coberto por células solares, enfrentaram falhas elétricas, levaram o protótipo ao deserto da Califórnia e conseguiram atingir 82 km/h, ficando perto do recorde mundial de 90 km/h
Escrito por Flavia Marinho
Publicado em 07/08/2026 às 22:12
Atualizado em 07/08/2026 às 22:16
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Após aproximadamente três anos de construção, estudantes da Cal Poly superaram problemas elétricos e levaram o carro solar Dawn a 82 km/h no deserto da Califórnia, ficando perto dos 90 km/h do recorde mundial citado pela universidade e transformando o protótipo em um teste prático dos limites da energia solar.
A estudante de Engenharia Aeroespacial Lacey Davis precisou se acomodar dentro do cockpit estreito de um carro coberto por células solares antes de partir pelo enorme leito seco de El Mirage, na Califórnia. Quando terminou a tentativa, o protótipo construído por universitários havia alcançado 51 mph, aproximadamente 82 km/h, uma velocidade próxima do recorde mundial de 56 mph, cerca de 90 km/h, citado naquele momento.
O resultado veio em agosto de 2019, depois de aproximadamente três anos de desenvolvimento e de uma tentativa anterior prejudicada por problemas elétricos. A Cal Poly, universidade onde o projeto foi desenvolvido, publicou os detalhes da experiência e identificou o veículo como Dawn, criação dos estudantes do PROVE Lab.
A história não envolve um automóvel criado para substituir os carros convencionais usados nas ruas. O Dawn nasceu como um protótipo experimental movido por energia solar, no qual estudantes puderam construir, testar, encontrar problemas, corrigir sistemas e descobrir até onde o projeto poderia chegar.
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Durante aproximadamente três anos, estudantes construíram e aperfeiçoaram o carro solar Dawn
Lacey Davis fazia parte do PROVE Lab, o Laboratório de Protótipos de Veículos da Cal Poly. Durante aproximadamente três anos, ela e outros estudantes trabalharam na construção e no aperfeiçoamento de um carro movido pela energia captada do Sol.
O objetivo era ambicioso. A equipe queria desenvolver um veículo experimental capaz de disputar um recorde mundial de velocidade para carros solares. Isso exigia muito mais do que simplesmente colocar células solares sobre uma estrutura e acelerar.
O desempenho dependia do funcionamento conjunto dos diferentes sistemas do veículo. Energia, parte elétrica, estrutura e capacidade de colocar o carro em movimento precisavam trabalhar de maneira suficientemente eficiente para que o Dawn pudesse enfrentar uma tentativa cronometrada.
A ideia de perseguir o recorde havia partido de Graham Doig, então integrante do corpo docente de Engenharia Aeroespacial. O projeto, porém, encontraria obstáculos importantes antes de finalmente chegar ao deserto.
Falhas elétricas impediram uma tentativa anterior e obrigaram a equipe a voltar para o projeto
O Dawn já deveria ter enfrentado uma tentativa de recorde antes da corrida de 2019. Problemas elétricos prejudicaram o veículo no ano anterior e fizeram com que a tentativa planejada fosse cancelada.
A equipe precisou retornar ao carro e trabalhar novamente no sistema responsável por uma parte essencial de seu funcionamento. O desafio cresceu quando Graham Doig deixou a universidade para trabalhar na iniciativa privada.
O professor de Engenharia Aeroespacial Paulo Iscold assumiu a orientação do projeto. Uma das primeiras tarefas foi justamente refazer partes do sistema elétrico que havia impedido o carro de avançar. Outros sistemas também precisaram de novos ajustes.
O episódio transformou a busca por velocidade em algo maior do que uma única corrida. Antes de descobrir o quanto o carro poderia acelerar, os estudantes precisaram descobrir por que ele havia falhado e como fazê-lo funcionar novamente.
Depois dos reparos, o protótipo foi testado antes de seguir para o deserto da Califórnia
Quando o Dawn voltou a ficar pronto, a melhor época planejada pela equipe para tentar o recorde já havia passado. Ainda assim, os estudantes decidiram continuar.
O carro passou por testes em Santa Margarita e depois seguiu para El Mirage, no sul da Califórnia. O local possui um grande leito seco onde provas cronometradas de velocidade já eram realizadas havia décadas.
A paisagem aberta também criou uma situação incomum para Lacey Davis. A estudante se acomodou dentro do pequeno cockpit do Dawn e partiu por uma superfície extensa, praticamente sem os elementos encontrados em uma pista convencional.
Era ali que aproximadamente três anos de construção, correções e testes finalmente seriam colocados à prova em velocidade.
Lacey Davis acelerou pelo leito seco de El Mirage e levou o Dawn a 82 km/h
Com Lacey Davis ao volante, o carro solar começou a percorrer El Mirage. A estudante tinha acesso ao velocímetro dentro do veículo, enquanto integrantes da equipe também acompanhavam o desempenho usando um carro de apoio como referência.
O Dawn alcançou 51 mph, aproximadamente 82 km/h. A marca mundial perseguida pelos estudantes era de 56 mph, cerca de 90 km/h, registrada no Japão em 2014.
A diferença foi de apenas 5 mph. A equipe não conquistou o recorde, mas conseguiu algo que não havia sido possível na tentativa anterior: levar o carro até o ambiente escolhido, completar a corrida e medir seu desempenho em condições reais.
Para um projeto universitário que havia enfrentado falhas elétricas e precisado de novas intervenções técnicas, atingir mais de 80 km/h usando um protótipo solar experimental representou uma etapa importante do desenvolvimento.
O carro ficou perto do recorde, mas o aprendizado estava também nos problemas encontrados
Paulo Iscold resumiu uma das lições deixadas pelo projeto ao afirmar que nem tudo acontece exatamente como planejado e que superar falhas havia se tornado parte do processo de engenharia.
Lacey Davis também relatou que os problemas elétricos e as mudanças enfrentadas pela equipe exigiram bastante dos estudantes. Ainda assim, novos integrantes chegaram ao projeto e ajudaram a levar o Dawn novamente aos testes.
A Cal Poly, universidade responsável pela publicação sobre o projeto, registrou que a equipe pretendia continuar trabalhando principalmente na parte solar e no sistema elétrico para buscar os quilômetros por hora que ainda faltavam.
A experiência mostra uma parte da engenharia que nem sempre aparece quando um projeto pronto é apresentado. Antes dos 82 km/h, houve falha, cancelamento, revisão de sistemas, novos testes e outra tentativa.
Dawn não foi criado para disputar espaço com carros comuns, mas para testar até onde a energia solar poderia chegar
Comparar diretamente o Dawn com um automóvel convencional mudaria o sentido do projeto. Os estudantes não estavam apresentando um carro pronto para circular diariamente pelas cidades.
O veículo funcionava como um protótipo experimental, construído para explorar desempenho e permitir que os universitários colocassem conhecimentos de engenharia em prática enquanto perseguiam uma marca de velocidade.
Por isso, os 82 km/h ganham outro significado. Eles mostram o resultado que um grupo universitário conseguiu extrair de um veículo solar depois de aproximadamente três anos de construção e de problemas que chegaram a impedir uma tentativa anterior.
O recorde de cerca de 90 km/h não caiu naquela corrida. Ainda assim, Lacey Davis e seus colegas conseguiram levar ao deserto um carro que antes havia parado por problemas elétricos e fizeram o Dawn atingir uma velocidade que colocou o projeto perto da marca perseguida.
Se estudantes conseguiram chegar a 82 km/h depois de transformar falhas em novos testes, até onde projetos universitários como esse podem avançar quando existe espaço para experimentar, errar e corrigir? Conte sua opinião nos comentários.
Fonte
Cal Poly
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Flavia Marinho.

