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Casal constrói casa usando garrafas de vidro e paredes de taipa: o imóvel levou quase três anos para ser construído, superou chuvas, atrasos, orçamento de US$ 880 mil, possui inspiração em “earthships” e fica na Austrália
Escrito por Ruth Rodrigues
Publicado em 10/08/2026 às 17:57
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Descubra os detalhes da construção de uma moradia autossustentável que desafiou orçamentos, o clima e o tempo na Austrália.
O casal Kate Tucker e Matt Ellis concluiu em julho de 2025, após quase três anos de trabalho intenso na remota região de Cygnet, na Tasmânia, a construção de uma inovadora casa ecológica inspirada no conceito de “earthships”, superando custos que chegaram a 880.000 dólares por unidade, atrasos climáticos e a frustração inicial de não conseguir comprar um imóvel em Melbourne.
A decisão de mudar radicalmente de vida surgiu quando eles perceberam que, na região central de Melbourne, segundo Kate, “não tinham condições de morar onde nossa comunidade estava, onde todos os nossos amigos estavam”.
Diante disso, compraram um terreno de 1,5 hectare por 330 mil dólares no início de 2019 para erguer moradias autossustentáveis. O plano inicial previa a conclusão em 15 meses a partir de agosto de 2022, mas o projeto enfrentou sérios obstáculos após o carpinteiro principal adoecer gravemente e semanas de chuvas intensas paralisarem a região.
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Para contornar a crise financeira e de prazos, o casal organizou um mutirão colaborativo em outubro de 2024, recebendo 16 voluntários que ajudaram na construção em troca de abrigo, alimentação e aprendizado prático de técnicas sustentáveis.
Os princípios e a tecnologia por trás das earthships
O conceito de “earthship”, originado na crise energética da década de 1970 pelo arquiteto Michael Reynolds e adaptado pelo projetista Martin Freney, prioriza a autonomia residencial.
O Dr. Freney destaca que “o objetivo deles é serem autossuficientes em energia, água e tratamento de esgoto, e há uma série de princípios associados a isso, relacionados à sustentabilidade e à minimização da pegada ecológica dos habitantes”.
Embora construções do tipo já tenham sido rotuladas como “casas de hobbit” ou estruturas parecidas com “Star Wars”, o design evoluiu para um estilo contemporâneo.
A residência integrou soluções térmicas avançadas e materiais alternativos para garantir máxima eficiência, destacando-se por:
- Uso de paredes monolíticas de taipa e tubos geotérmicos subterrâneos para climatização natural sem gastos adicionais de energia;
- Instalação de uma estufa integrada voltada para o norte, abastecida com água cinza para produção de alimentos;
- Inclusão de garrafas de vidro recicladas nas paredes internas para filtrar a luz solar em tons de azul, verde e branco;
- Fundações de concreto mais práticas e duráveis para enfrentar o clima frio da Tasmânia.
Apesar dos altos investimentos, Matt justificou a escolha financeira afirmando que “O custo é praticamente o mesmo [que o de uma casa construída sob medida]”. “Mas a ideia é que a qualidade seja muito superior em termos de eficiência energética e sustentabilidade, e o custo de vida será significativamente menor.”
A nova rotina familiar e a realização do sonho
Com a conclusão da casa principal e as obras da residência do pai de Matt previstas para março de 2026, a estufa integrada tornou-se o coração do lar, descrita como “um lugar onde a família pode desacelerar e desfrutar da companhia uns dos outros”.
O esforço exaustivo valeu a pena para o casal, especialmente ao observarem o impacto positivo da mudança na rotina dos filhos e animais de estimação.
Como celebrou Matt, “você vê as crianças e os animais correndo para cima e para baixo na estufa, entrando e saindo das salas, e sabe que teve sucesso quando seus filhos ficam discretamente impressionados.” A aprovação final veio na voz de um dos filhos ao voltar da escola: “Que casa legal, mãe. Ninguém mais tem uma casa como a nossa, né?”
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ABC Net
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ruth Rodrigues.

