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Japão debate falta de sono após primeira-ministra dizer que dorme até 3 horas por noite e cria cabine para cochilar em pé por 20 minutos
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 12/08/2026 às 16:53
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Sanae Takaichi reacendeu o debate sobre privação de sono no Japão, enquanto a cabine Giraffenap oferece uma alternativa para cochilos rápidos durante jornadas intensas de trabalho
A rotina de sono da primeira-ministra japonesa Sanae Takaichi colocou novamente em discussão a relação do Japão com o trabalho e o descanso. Em 2026, ela afirmou que costuma dormir no máximo três horas por noite, declaração que provocou críticas e preocupação em um país conhecido pelas extensas jornadas profissionais.
O debate ocorre em um cenário no qual dormir pouco está longe de ser uma situação isolada. Dados do Ministério da Saúde do Japão apontados na reportagem mostram que mais de um terço dos adultos japoneses dorme menos de seis horas por noite, enquanto a recomendação para adultos fica entre sete e nove horas dentro de 24 horas.
Sanae Takaichi colocou a falta de sono no centro do debate sobre trabalho no Japão
Sanae Takaichi assumiu como primeira-ministra em 21 de outubro de 2025 e sua intensa rotina profissional passou a receber atenção. A líder japonesa chegou a ser criticada por convocar uma reunião às 3 horas da madrugada e, posteriormente, revelou quanto consegue descansar diariamente.
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A primeira-ministra afirmou que dorme, no máximo, três horas por noite. Para a maioria das pessoas, uma rotina dessa intensidade representa uma restrição importante de sono e não é recomendada de maneira habitual.
A declaração também levantou um questionamento particularmente relevante no Japão. O país tenta combater os efeitos provocados pelo excesso de trabalho, enquanto parte da sociedade passou a discutir os limites entre dedicação profissional e sobrecarga.
Mais de um terço dos adultos japoneses dorme menos de seis horas diariamente
O problema ultrapassa a rotina da chefe de governo. Segundo os últimos dados do Ministério da Saúde do Japão mencionados no levantamento, mais de um terço dos adultos do país relata dormir menos de seis horas durante a noite.
Longas jornadas profissionais, deslocamentos demorados, estresse e uso de telas até tarde estão entre os fatores que reduzem o período disponível para descanso. Com pouco tempo livre, alguns japoneses tentam recuperar parte do sono durante os deslocamentos no transporte público ou até cochilando sentados em praças.
Entre os países desenvolvidos citados, o Japão apresenta média diária de apenas 5 horas e 52 minutos de sono. A Coreia do Sul aparece logo depois, com somente dez minutos adicionais.
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Cabine Giraffenap foi desenvolvida para permitir que trabalhadores cochilem em pé
A própria tecnologia japonesa passou a buscar soluções para essa falta de tempo. Em 1º de agosto de 2023, foi apresentada a Giraffenap, uma cabine desenvolvida especificamente para permitir pequenos períodos de descanso enquanto o usuário permanece na posição vertical.
A estrutura lembra uma cabine telefônica, porém seu interior foi projetado para sustentar o corpo durante o cochilo. O equipamento possui quatro pontos de apoio posicionados nos pés, canelas, nádegas e cabeça, distribuindo o peso corporal sem exigir esforço constante para manter o equilíbrio.
Os suportes também podem ser regulados conforme a altura e o tipo físico de cada usuário. O nome Giraffenap faz referência às girafas e à capacidade desses animais de permanecerem em pé durante pequenos períodos de descanso.
Cochilo de 20 minutos busca oferecer descanso rápido sem substituir uma noite completa
A cabine não foi projetada para alguém passar uma noite inteira dormindo. Sua finalidade é permitir cochilos de aproximadamente 20 minutos, oferecendo uma alternativa para momentos em que faltam espaço e tempo para descansar.
Segundo a empresa responsável pela tecnologia, permanecer na posição vertical ajuda a evitar que a pessoa entre em um sono muito profundo. A proposta é permitir que o usuário desperte depois do breve intervalo e consiga retornar às atividades.
Durante uma experiência com o equipamento, foi possível relaxar sem necessariamente adormecer. O corpo permaneceu apoiado pelos suportes e, depois de alguns minutos, a posição vertical deixou de causar a mesma sensação de estranhamento.
Falta de sono também aparece na Coreia do Sul e atinge parte dos brasileiros
A dificuldade para conseguir períodos adequados de descanso não está limitada aos japoneses. Na Coreia do Sul, a questão ganha destaque principalmente entre jovens submetidos a rotinas intensas de estudos.
Dormir chegou até mesmo a virar competição no país. Centenas de pessoas se reuniram às margens de um rio em Seul para disputar quem conseguia relaxar melhor, enquanto participantes tiveram os batimentos cardíacos monitorados.
No Brasil, dados do Ministério da Saúde mencionados no levantamento indicam que 20% dos brasileiros dormem menos de seis horas por noite. A privação de sono foi associada a maior propensão a depressão e problemas metabólicos, incluindo obesidade, hipertensão e diabetes.
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Caio Aviz
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Tecnologia oferece cochilo rápido, mas não resolve o déficit de sono
A Giraffenap mostra como uma necessidade cotidiana acabou estimulando uma solução incomum no Japão. A cabine transforma um espaço reduzido em uma estrutura de descanso vertical e permite que trabalhadores aproveitem aproximadamente 20 minutos para relaxar.
O equipamento, entretanto, não pretende substituir o sono convencional. Uma soneca curta pode ajudar temporariamente uma pessoa privada de descanso, mas não ocupa o lugar de uma noite completa de sono.
A discussão provocada pela rotina de Sanae Takaichi e a existência de uma cabine para dormir em pé acabam revelando duas faces do mesmo problema. Em um país onde o tempo de descanso é reduzido, o principal desafio continua sendo aumentar as horas destinadas ao sono e reconhecer que dormir é uma necessidade, e não tempo perdido.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

