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Aos 38 anos, ator que viveu anos entre novelas e holofotes da Globo rompe com a antiga identidade, adota um novo nome, deixa o Rio e transforma o chassi de um ônibus em casa no norte de Goiás, onde vive sem geladeira, fora das redes públicas de energia e esgoto e cercado por árvores frutíferas na Chapada dos Veadeiros
Escrito por Ana Alice
Publicado em 13/08/2026 às 21:21
Atualizado em 13/08/2026 às 21:22
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Entre a televisão e uma rotina fora das redes públicas de energia e esgoto, Angel Ferreira transformou um ônibus em casa na Chapada dos Veadeiros enquanto mantém carreira no teatro e novos projetos artísticos.
Um ônibus parado em uma área rural, sem geladeira e fora das redes públicas de energia e esgoto, passou a ocupar um papel inesperado na vida de um ator conhecido por novelas da Globo.
Angel Ferreira, nome artístico adotado por Igor Angelkorte, vive atualmente em Cavalcante, no norte da Chapada dos Veadeiros, em Goiás, onde transformou o chassi do veículo em casa.
A mudança continua fazendo parte da rotina do artista em 2026.
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Em entrevista publicada em 8 de agosto, Angel confirmou que permanece no município goiano, cultiva árvores frutíferas ao redor da propriedade e mantém uma estrutura doméstica adaptada à falta de conexão com serviços públicos convencionais.
A casa não está ligada às redes de eletricidade e esgoto, segundo o próprio ator.
Isso não significa, porém, que ele tenha abandonado a carreira ou decidido viver completamente isolado.
Neste mês de agosto, Angel está em São Paulo com o monólogo “Sidarta”, em temporada no Teatro Estúdio entre 8 de agosto e 27 de setembro de 2026.
Paralelamente, trabalha na reta final de seu primeiro romance de ficção.
A combinação ajuda a explicar uma fase em que palco, cidade e vida rural passaram a conviver na mesma trajetória.
Ônibus virou casa em Cavalcante, na Chapada dos Veadeiros
A propriedade escolhida por Angel fica em Cavalcante, município no norte de Goiás e dentro da região da Chapada dos Veadeiros.
Foi ali que o ator transformou o chassi de um ônibus em residência.
O interior aparece em fotografias e vídeos publicados pelo próprio artista nas redes sociais.
Entre os objetos visíveis estão itens simples do cotidiano, como filtro de barro, rede e cadeira.
A ausência de uma geladeira também faz parte da rotina descrita por ele.
Mais importante para entender como a casa funciona é o fato de o terreno não estar conectado às redes públicas de energia e esgoto.
Em vez de uma estrutura convencional de saneamento, Angel relatou que as águas utilizadas na propriedade passam por um biodigestor e depois seguem para uma fossa de bananeiras.
O sistema exige adaptações justamente por estar fora da infraestrutura normalmente encontrada em áreas urbanas.
Nos arredores da casa, o ator afirma que vem plantando principalmente árvores frutíferas.
Também disse que trabalha na restauração do bioma, com a intenção de recuperar vegetação de Cerrado ao redor da residência.
A proposta não é manter uma grande produção de alimentos.
Segundo Angel, hortas não são sua principal atividade no terreno.
A imagem de um ônibus cercado por vegetação pode sugerir uma rotina afastada de outras pessoas, mas o próprio ator rejeita essa descrição.
Angel afirma que consegue chegar ao centro de Cavalcante em cerca de dez minutos de carro e mantém contato frequente com moradores, produtores locais, amigos e outros artistas.
“Minha casa está sempre aberta. Sempre chegam amigos, amigas”, afirmou ao site Heloisa Tolipan.
Pessoas próximas chegam a acampar na propriedade, de acordo com seu relato.
Além disso, o local acabou recebendo artistas de passagem, o que aproximou a residência da atividade cultural que Angel mantém na cidade.
Essa relação com Cavalcante não começou apenas dentro do ônibus.
O ator também é um dos fundadores da Casa Candeia de Cultura, espaço criado no município em 2024 e associado a atividades artísticas na região.
Seu perfil profissional registra a participação na criação do projeto.
Igor Angelkorte passou a usar Angel Ferreira como nome artístico
Antes dessa fase, o público conhecia o ator principalmente como Igor Angelkorte.
O novo nome começou a ganhar repercussão no fim de 2024, quando ele explicou publicamente que passaria a utilizar Angel Ferreira como nome artístico.
A mudança não ocorreu no registro civil.
Em entrevista mais recente, Angel esclareceu que Igor continua sendo seu nome legal e pode ser utilizado em documentos, enquanto Angel Ferreira é a forma pela qual prefere ser reconhecido social e artisticamente.
Ele também afirmou que a decisão não está relacionada a uma transição de gênero.
A explicação ajuda a diferenciar a mudança artística de uma alteração formal de nome.
Na entrevista publicada em dezembro de 2024, o ator contou que vinha experimentando outras formas de assinatura e relacionou o processo a uma fase de autoconhecimento e renovação pessoal.
Angel também reconheceu que trocar um nome já conhecido pelo público poderia trazer consequências profissionais, mas disse que não queria basear uma decisão pessoal apenas em retorno financeiro.
A mudança aconteceu depois de mais de uma década de trabalhos conhecidos na televisão.
Assista o vídeo
Carreira inclui novelas como “Babilônia” e “Terra e Paixão”
Antes da Chapada dos Veadeiros se tornar parte central de sua rotina, Angel construiu carreira no teatro, no cinema e na TV.
Entre os trabalhos registrados em seu currículo estão “Além do Horizonte”, “Babilônia”, “Justiça”, “O Outro Lado do Paraíso” e “Terra e Paixão”.
Também atuou em produções para cinema e streaming.
Seu histórico profissional inclui ainda trabalhos como diretor e roteirista.
No teatro, um dos projetos que mais acompanharam essa mudança pessoal foi “Sidarta”, monólogo inspirado no romance homônimo de Hermann Hesse.
A montagem foi preparada ao longo de vários anos e ganhou temporadas no Rio de Janeiro entre 2024 e 2025.
Segundo o currículo profissional do artista, o espetáculo também foi indicado ao Prêmio Shell de Teatro de 2025.
Foi justamente durante uma das temporadas cariocas que outro episódio chamou atenção nas redes sociais.
“Sidarta” teve sessão com 12 pessoas antes de ganhar público
Em dezembro de 2024, Angel publicou um vídeo depois de uma apresentação de “Sidarta” com baixa presença de espectadores.
Segundo relato feito pelo próprio ator na época, uma das sessões havia recebido apenas 12 pessoas.
A repercussão do desabafo mudou o movimento da temporada.
Dias depois, Angel afirmou que uma sessão chegou a reunir 120 espectadores e relacionou o aumento da procura à circulação do vídeo.
A peça continuou seu caminho depois daquele episódio.
Em janeiro de 2025, estava prevista uma passagem pela Chapada dos Veadeiros, inclusive pela Casa Candeia de Cultura, criada pelo próprio artista em Cavalcante.
A Rádio MEC também registrou a trajetória do espetáculo e sua passagem do Rio para Goiás.
Em agosto de 2026, o monólogo chegou a uma nova etapa.
Angel voltou aos palcos em São Paulo, onde “Sidarta” está programado para permanecer em cartaz até 27 de setembro.
Assim, morar em uma área rural no norte de Goiás não significou abandonar viagens ou trabalhos em grandes cidades.
Assista o vídeo
Vida no ônibus convive com teatro e novo projeto literário
A agenda artística também ganhou outro projeto.
Angel afirmou em agosto de 2026 que estava terminando de escrever seu primeiro romance de ficção, chamado “A religião das máquinas”.
Ele descreveu o projeto como um romance autoficcional, futurista e ligado a uma perspectiva neorrural.
Até a entrevista, a obra ainda estava em fase final de escrita, sem informação segura sobre lançamento comercial.
O contraste entre o tema do livro, o trabalho no teatro e a residência em um ônibus aparece em diferentes frentes de sua produção recente.
Na propriedade de Cavalcante, a rotina envolve administrar recursos de uma casa fora das redes públicas, cuidar do terreno e manter contato com a comunidade.
Fora dali, o ator segue viajando para apresentações e projetos artísticos.
A escolha também não foi apresentada por ele como uma rejeição completa à vida urbana ou à própria carreira.
Em entrevista de agosto, Angel explicou que chegou a um momento em que queria rever prioridades depois de alcançar objetivos profissionais e financeiros que havia perseguido anteriormente.
“Preciso de pouco”, resumiu ao falar sobre a rotina que mantém em Cavalcante.
A frase acompanha uma casa onde geladeira deixou de ser item obrigatório, o saneamento exigiu soluções próprias e um antigo chassi ganhou função de residência.
Ao mesmo tempo, a cerca de dez minutos de carro está o centro da cidade; a centenas de quilômetros dali continuam os palcos, filmagens e outros trabalhos ligados à carreira iniciada quando o público ainda o conhecia como Igor Angelkorte.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

