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Mãe e filha reciclaram 8 mil garrafas para construir uma casa e, 5 anos depois, transformaram resíduos recolhidos no litoral em 7 cômodos com paredes que deixam a luz criar cores e reflexos no interior
Escrito por Alisson Ficher
Publicado em 15/08/2026 às 15:57
Atualizado em 15/08/2026 às 16:30
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Garrafas descartadas no litoral deram origem a uma experiência de construção que atravessou a pandemia, incorporou diferentes materiais reaproveitados e produziu efeitos incomuns de iluminação dentro dos ambientes, enquanto mãe e filha desenvolveram soluções próprias para transformar resíduos em partes permanentes de uma residência.
Edna Dantas e a filha, Maria Gabrielly Dantas, transformaram cerca de 8 mil garrafas de vidro descartadas em parte das paredes de uma casa com sete cômodos na Ilha de Itamaracá, em Pernambuco, onde o projeto começou durante a pandemia de covid-19.
Batizada de Casa de Sal, a construção fica na Praia do Sossego e surgiu depois que mãe e filha passaram a observar o descarte de resíduos em áreas próximas de mata, mar e mangue, onde havia presença significativa de garrafas de vidro.
Em 1º de maio de 2020, teve início a obra que, embora seja associada a um percurso de cinco anos, alcançou a configuração de sete cômodos aproximadamente dois anos depois, segundo as informações publicadas pelo Correio Braziliense.
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Com o passar do tempo, a iniciativa deixou de se resumir à residência feita com materiais reaproveitados e passou também a representar uma experiência de reutilização de resíduos, baseada em soluções desenvolvidas pelas próprias responsáveis durante a construção.
Garrafas recicladas ganharam posição vertical nas paredes
Em vez de acomodar as garrafas horizontalmente, como ocorre em algumas técnicas de construção com vidro, Edna e Maria Gabrielly optaram por instalá-las na vertical, escolha que se tornou uma das características mais marcantes das paredes da Casa de Sal.
Para compensar a diferença de formato entre a base e o gargalo, as duas alternaram o sentido das fileiras, criando sequências em que uma camada se apoia sobre a base das garrafas e a seguinte aparece invertida.
Desenvolvido ao longo do próprio projeto, o método foi descrito por Maria Gabrielly ao Correio Braziliense como uma solução que, segundo a pesquisa feita pelas responsáveis, tornaria a Casa de Sal a primeira residência a empregar garrafas verticalmente dessa maneira.
Ainda que o vidro seja o elemento visual mais evidente, as garrafas não recebem diretamente todo o peso da cobertura, pois uma armação de madeira reaproveitada sustenta o telhado, enquanto cimento e areia preenchem os espaços ao redor dos recipientes.
Dentro da residência, o reaproveitamento também aparece em outros componentes da obra, já que paletes reutilizados foram empregados em divisórias internas, ampliando o uso de materiais recuperados para além das milhares de garrafas incorporadas às paredes.
Além da função estrutural e do reaproveitamento, a posição vertical interfere na iluminação dos ambientes, porque a passagem da luminosidade através do vidro cria reflexos e feixes luminosos que mudam o aspecto interno dos cômodos em diferentes momentos do dia.
Luz atravessa as garrafas e transforma os ambientes
Esse efeito, conforme relatado por Maria Gabrielly, está ligado diretamente ao posicionamento das garrafas, que contribui tanto para a entrada de luz quanto para o desenho visual da residência, conectando a solução construtiva à aparência alcançada no interior.
Antes mesmo de a obra começar, mãe e filha já conviviam com o problema que motivaria o projeto, pois chegaram à Praia do Sossego em 2019 e passaram a observar pontos de descarte inadequado de resíduos nas proximidades.
Naquele período, ações realizadas na região buscavam transformar alguns desses locais em jardins ecológicos, enquanto a experiência de Edna com resíduos sólidos ajudava a identificar as garrafas de vidro entre os materiais encontrados com frequência nesses espaços.
Quando a pandemia avançou e a construção começou, em maio de 2020, parte desse material descartado passou a receber outra destinação, em uma iniciativa também relacionada à quantidade de resíduos observada nas praias depois das temporadas de maior movimento turístico, segundo a Itatiaia.
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Embora cerca de 8 mil garrafas tenham sido incorporadas à residência, o volume recolhido pelas duas ultrapassou essa marca, e Maria Gabrielly afirmou, em abril de 2025, que o total recuperado já havia superado 13 mil unidades de vidro.
Parte das garrafas que ficaram fora das paredes ganhou outro uso, segundo o relato publicado pelo Correio Braziliense, sendo destinada à montagem de quatro estruturas comunitárias para recebimento de resíduos, chamadas pelas responsáveis pelo projeto de eco-lixeiras.
Madeira, paletes e móveis também foram reaproveitados
O reaproveitamento não ficou restrito ao vidro, porque madeira e móveis descartados também foram incorporados ao projeto, enquanto paletes reciclados passaram a compor divisórias internas e a madeira recuperada foi empregada na sustentação do telhado.
Apesar da associação do projeto a um período de cinco anos, os sete cômodos foram concluídos nos dois primeiros anos após o início da obra, conforme as informações publicadas pelo Correio Braziliense sobre a construção.
Já a estrutura principal avançou especialmente durante o primeiro ano e meio, conforme registro publicado pela Itatiaia em junho de 2026, embora os sete cômodos tenham sido finalizados dentro dos dois primeiros anos da obra iniciada em 2020.
Ao longo desse processo, a Casa de Sal passou a reunir diferentes formas de reaproveitamento em um mesmo espaço, mantendo as milhares de garrafas como elemento central de paredes que permitem a passagem da luz e produzem efeitos visuais dentro da residência.
Ao observar garrafas, madeira, móveis e paletes descartados ganhando funções permanentes dentro dessa casa, fica a questão sobre quantos outros materiais tratados diariamente como lixo ainda poderiam encontrar novos usos antes de seguirem definitivamente para o descarte.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Alisson Ficher.

