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Família de mergulhadores encontra em naufrágio de frota espanhola 101 moedas de ouro, esconde 50 peças, devolve três ao oceano para encenar uma nova descoberta e, anos depois, vê investigação recuperar 37 moedas avaliadas em mais de US$ 1 milhão e condenar um dos integrantes à prisão
Escrito por Caio Aviz
Publicado em 17/08/2026 às 20:14
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As 101 moedas de ouro encontradas pela família Schmitt no naufrágio da frota espanhola de 1715 deveriam ter sido declaradas, mas 50 peças foram escondidas, três voltaram ao oceano para encenar uma nova descoberta e 37 acabaram recuperadas em uma investigação que levou Eric Schmitt à prisão
Uma família de mergulhadores encontrou 101 moedas de ouro durante explorações dos naufrágios da frota espanhola de 1715 na costa da Flórida. O tesouro poderia representar o ponto mais importante da trajetória dos exploradores, mas parte das peças desapareceu dos registros oficiais e começou a surgir anos depois em residências, cofres bancários, leilões e negociações privadas.
As informações foram divulgadas pela Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida, que recuperou 37 moedas avaliadas em mais de US$ 1 milhão. A investigação revelou que 50 peças não foram declaradas e que três delas teriam voltado ao oceano para encenar outra descoberta diante de novos investidores.
Frota espanhola transportava riquezas para a Europa
A frota partiu de Cuba em julho de 1715 carregada com ouro, prata, joias e diferentes produtos coloniais. As embarcações deveriam atravessar o Atlântico e levar as riquezas acumuladas nas colônias americanas até a Espanha.
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O carregamento, entretanto, não completou a viagem. Um furacão atingiu os navios nas proximidades do litoral da Flórida e espalhou grande parte da carga pelo fundo do mar.
Furacão destruiu os navios na costa da Flórida
Centenas de pessoas morreram durante o desastre, enquanto moedas, barras de metais preciosos e outros objetos permaneceram entre destroços, areia e sedimentos.
A tragédia transformou aquela faixa do litoral em uma das regiões mais conhecidas do mundo para a busca de tesouros submarinos. O local passou a ser chamado de Treasure Coast, ou Costa do Tesouro.
Buscas continuaram por mais de três séculos
Empresas autorizadas ainda procuram objetos da frota espanhola mais de 300 anos depois do naufrágio. Cada operação precisa respeitar regras específicas para exploração, registro e divisão dos materiais retirados do oceano.
A família Schmitt atuava como subcontratada da empresa 1715 Fleet – Queens Jewels LLC, responsável pelos direitos de salvamento em parte da região. O acordo obrigava os mergulhadores a declarar todos os artefatos recuperados.
Família encontrou as moedas durante mergulho em 2015
Eric Schmitt e seus familiares localizaram as 101 moedas de ouro em 17 de junho de 2015, durante uma operação realizada ao sul da entrada de Fort Pierce.
As peças estavam em águas com aproximadamente 4,5 metros de profundidade. A descoberta também incluía uma corrente de ouro ornamentada com cerca de 12 metros de comprimento.
O conjunto parecia confirmar o sucesso de uma família que trabalhava unida na busca de tesouros submarinos. Naquele momento, a descoberta recebeu atenção pública e foi apresentada como um dos grandes achados relacionados à frota espanhola.
Tesouro reunia diferentes moedas de ouro
O lote incluía moedas espanholas de diferentes valores e tamanhos. Entre elas estavam peças de oito, dois e um escudo, todas relacionadas ao comércio e à circulação de riquezas no período colonial.
Uma das moedas ganhou destaque especial. Conhecida como Tricentennial Royal, ela apresentava características raras e poderia alcançar um valor individual de centenas de milhares de dólares.
A presença dessa peça aumentava tanto a importância histórica quanto o valor financeiro da descoberta.
Somente 51 moedas foram declaradas
Os Schmitt apresentaram somente 51 das 101 moedas à empresa responsável e às autoridades. Essas peças seguiram o processo previsto para registro, avaliação e definição da propriedade.
As outras 50 não apareceram nos documentos oficiais. A investigação concluiu que os mergulhadores mantiveram ilegalmente metade do tesouro sob controle da família.
A ocultação impediu que as moedas passassem pelo procedimento obrigatório aplicado aos objetos históricos recuperados na costa da Flórida.
Fotografia teria registrado o tesouro completo
Anos depois, investigadores localizaram evidências digitais relacionadas às peças desaparecidas. Uma fotografia mostrava as moedas reunidas em um imóvel da família Schmitt em Fort Pierce.
Metadados e informações de geolocalização ajudaram as autoridades a relacionar a imagem ao local. O registro também reforçou a conclusão de que o conjunto encontrado em 2015 era maior do que o declarado oficialmente.
A tecnologia acabou criando uma ligação entre o tesouro retirado do oceano e as moedas que permaneceram escondidas em terra.
Mensagens revelaram a ocultação das moedas
O caso ganhou uma nova direção quando Eric Schmitt enviou uma sequência de mensagens a Brent Brisben, fundador da empresa responsável pelos direitos de salvamento.
Segundo documentos citados pelo Treasure Coast Newspapers, Eric teria admitido que 50 das 101 moedas encontradas durante o mergulho não foram declaradas.
As mensagens também indicaram a existência de uma fotografia do achado completo e de um recibo relacionado à divisão das peças.
Moedas começaram a aparecer em vendas particulares
Parte do tesouro voltou a circular entre 2023 e 2024. Algumas moedas foram oferecidas em negociações privadas, enquanto outras chegaram a compradores e estabelecimentos especializados.
A movimentação chamou a atenção das autoridades porque as características das peças permitiam relacioná-las à descoberta realizada pela família Schmitt em 2015.
Três moedas foram vendidas a compradores diferentes por valores que, somados, ultrapassaram US$ 50 mil, segundo documentos da investigação.
Buscas chegaram a casas, cofres e leilões
A Comissão de Conservação de Peixes e Vida Selvagem da Flórida trabalhou com o FBI e executou mandados de busca em diferentes locais.
Os investigadores encontraram moedas em residências particulares, cofres bancários e operações de leilão. A recuperação permitiu reconstruir parte do caminho percorrido pelo tesouro desde que deixou o fundo do mar.
Ao todo, as autoridades anunciaram a recuperação de 37 moedas avaliadas conjuntamente em mais de US$ 1 milhão, conforme informou a Associated Press.
Leiloeiro comprou cinco peças sem conhecer a origem
Cinco moedas estavam com um leiloeiro da Flórida que não sabia que os objetos pertenciam ao lote ocultado, segundo as autoridades.
Os investigadores concluíram que o profissional havia comprado as peças de Eric Schmitt sem conhecer a origem irregular do material. Depois da identificação, as moedas foram entregues às autoridades para autenticação.
Especialistas em preservação histórica participaram do processo para verificar se os objetos realmente pertenciam ao tesouro encontrado em 2015.
Três moedas foram colocadas novamente no oceano
A investigação revelou uma estratégia incomum criada para transformar peças ocultadas em uma aparente descoberta legítima.
Segundo a comissão da Flórida, Eric Schmitt levou três moedas de ouro de volta ao local do naufrágio em 2016 e as colocou novamente no fundo do mar.
O objetivo seria permitir que novos investidores da 1715 Fleet – Queens Jewels LLC encontrassem as peças durante outra operação de salvamento.
Descoberta diante de investidores seria uma encenação
As moedas poderiam ser retiradas novamente do oceano diante de câmeras e participantes da expedição. Dessa forma, pareceriam fazer parte de um novo achado realizado de maneira legítima.
A encenação ajudaria a explicar a presença das peças e aumentaria a confiança dos investidores na capacidade da operação de localizar tesouros.
O plano transformou artefatos históricos recuperados de um naufrágio em instrumentos de uma fraude construída no próprio fundo do mar.
Investigação encontrou 37 das 50 moedas escondidas
A recuperação das 37 moedas representou um dos principais resultados da investigação. As peças deveriam ser devolvidas aos responsáveis legais depois da conclusão dos procedimentos judiciais e administrativos.
Na época do anúncio oficial, outras 13 moedas continuavam desaparecidas. As autoridades afirmaram que manteriam as buscas para localizar o restante do tesouro.
A comissão também destacou que os objetos da frota espanhola possuem valor cultural e histórico, além do preço alcançado no mercado de colecionadores.
Eric Schmitt enfrentou acusações criminais
Eric Schmitt recebeu acusações relacionadas à negociação de propriedade roubada. O caso avançou porque algumas vendas ocorreram entre 2023 e 2024, dentro do prazo permitido para a responsabilização criminal.
O desaparecimento original das moedas havia acontecido em 2015. Com o passar dos anos, o prazo para acusações relacionadas diretamente à retirada das peças se tornou um dos pontos considerados pelas autoridades.
Eric foi o único integrante da família formalmente acusado pelas negociações posteriores identificadas durante a investigação.
Acordo judicial levou mergulhador à prisão
Eric Schmitt chegou a um acordo para consolidar parte das acusações apresentadas no condado de St. Lucie.
Em maio de 2025, ele recebeu uma pena de um ano e um dia de prisão, conforme noticiado pelo Treasure Coast Newspapers.
O acordo também estabeleceu cinco anos de liberdade condicional. Durante esse período, Eric não poderia participar de operações de salvamento marítimo.
Assista o vídeo
Tesouro que deveria consagrar família terminou em condenação
A descoberta das 101 moedas tinha todos os elementos de uma história de sucesso: um naufrágio espanhol, peças de ouro preservadas por três séculos e uma família dedicada à exploração submarina.
A ocultação de 50 moedas, entretanto, mudou completamente o destino do achado. O tesouro começou a reaparecer em vendas privadas, levou investigadores a residências e cofres bancários e terminou com a recuperação de dezenas de peças.
Três moedas ainda teriam percorrido o caminho mais improvável de toda a história. Depois de permanecerem durante séculos no oceano e serem finalmente encontradas, elas voltaram ao fundo do mar para participar de uma descoberta encenada.
O que mais surpreende nesse caso: esconder metade das moedas ou devolver três delas ao oceano para simular uma nova descoberta?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Caio Aviz.

