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Nascida sem mãos, jovem se apaixona pela bateria e aprende a tocar do seu jeito, até universitários encararem um desafio de “uma em um milhão” e passarem um semestre criando próteses 3D que seguram as baquetas e fazem seu som chegar ao mesmo volume dos colegas
Escrito por Ana Alice
Publicado em 25/08/2026 às 20:27
Atualizado em 25/08/2026 às 20:28
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Estudantes de engenharia transformaram impressão 3D, testes mecânicos e observação prática em próteses personalizadas para uma jovem baterista, criando encaixes flexíveis capazes de segurar baquetas sem impedir a vibração necessária ao som.
Um grupo de estudantes de engenharia da Tennessee Tech University, nos Estados Unidos, passou um semestre projetando e testando próteses impressas em 3D para Aubrey Sauvie, então aluna do ensino fundamental em Murfreesboro, no Tennessee.
Nascida sem mãos, a jovem tocava caixa na banda da escola, mas precisava de uma solução capaz de segurar as baquetas e produzir som com volume e qualidade semelhantes aos dos outros percussionistas.
O projeto foi desenvolvido em 2024 dentro do Tech Engineering for Kids (TEK), iniciativa ligada à disciplina Dynamics of Machinery, do professor de engenharia mecânica Stephen Canfield.
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O programa aproxima universitários de crianças que precisam de equipamentos assistivos personalizados que não são encontrados facilmente no mercado.
No caso de Aubrey, duas equipes de alunos acabaram trabalhando juntas.
O desafio era mais complexo do que simplesmente criar um encaixe para as baquetas: as próteses precisavam permanecer firmes nos braços, acompanhar os movimentos da bateria, permitir vibração suficiente das baquetas e continuar confortáveis durante o uso.
Aubrey já tocava bateria antes das novas próteses
Aubrey não começou a tocar depois que recebeu o equipamento.
Antes do projeto, ela já fazia parte da banda de sua escola e encontrava maneiras próprias de realizar diversas atividades cotidianas.
Para tocar, uma das soluções era posicionar as baquetas junto aos braços, mas o método dificultava manter a posição e conseguir a resposta sonora desejada.
Reportagens locais publicadas na época registraram que as baquetas podiam escorregar durante a execução e que Aubrey tinha dificuldade para alcançar a firmeza de ataque necessária em algumas passagens.
Foi nesse contexto que o caso chegou ao Tech Engineering for Kids.
Segundo a Tennessee Tech, o resultado final permitiu que a estudante alcançasse qualidade sonora e volume comparáveis aos dos demais bateristas da banda.
Duas equipes de engenharia decidiram trabalhar juntas
Inicialmente, os universitários estavam divididos em grupos diferentes.
Branson Blaylock, que já tinha experiência com impressão 3D, queria trabalhar especificamente no projeto de Aubrey.
Quando sua equipe não foi escolhida, ele procurou o professor e o grupo selecionado para propor a união das duas equipes.
A colaboração permitiu dividir o trabalho em subgrupos.
Enquanto parte dos estudantes se concentrava no desenho, impressão e testes mecânicos, outros mantinham contato mais próximo com Aubrey e sua família para observar como ela utilizava os braços e quais ajustes seriam necessários.
Stephen Canfield contou que chegou a considerar improvável que a ideia inicial funcionasse.
“Quando eles compartilharam comigo o plano original, disse que tinham uma chance em um milhão de fazer aquilo funcionar”, relatou o professor.
Os estudantes seguiram adiante e chegaram a uma configuração funcional depois de sucessivas adaptações.
Impressão 3D permitiu criar próteses sob medida
Em vez de fabricar moldes compostos convencionais e posteriormente produzir as peças definitivas, os universitários decidiram imprimir praticamente todo o equipamento diretamente em 3D.
Segundo a universidade, somente os componentes de aperto não foram fabricados integralmente dessa maneira.
Cada prótese foi desenvolvida especificamente para um dos braços de Aubrey e não era intercambiável com a outra.
Cordões permitiam regular o ajuste, enquanto a estrutura apresentava um padrão semelhante a uma colmeia.
Esse desenho ajudava a oferecer flexibilidade e conforto diante de variações de temperatura.
O sistema também poderia ser ajustado conforme a jovem crescesse.
Canfield afirmou que esperava inicialmente que os alunos imprimissem moldes para depois fabricar as próteses por outro processo.
O grupo concluiu, porém, que esse caminho poderia comprometer justamente uma das características mais importantes para tocar bateria: a flexibilidade.
Suportes especiais mantêm as baquetas firmes e livres para vibrar
A parte destinada às baquetas recebeu atenção especial.
Os universitários imprimiram acessórios no mesmo material flexível utilizado na estrutura principal.
As baquetas entram em pequenos suportes, permanecendo suficientemente presas para não escapar durante os movimentos.
Ao mesmo tempo, o encaixe não pode ser rígido demais.
Segundo a Tennessee Tech, a solução permite que as baquetas vibrem e reverberem quando atingem o tambor, característica necessária para produzir um som mais robusto.
Foi esse equilíbrio entre firmeza e movimento que permitiu aproximar o desempenho acústico de Aubrey do som produzido pelos colegas da banda.
Assista o vídeo
Estudantes submeteram as próteses a testes de resistência
A equipe também tentou descobrir quanto o material suportaria antes de entregar as próteses.
Blaylock afirmou que os universitários realizaram diferentes testes de resistência, incluindo jogar as peças contra uma parede e aplicar peso sobre elas.
Segundo o estudante, os componentes permaneceram intactos.
Ele também declarou que o material utilizado suportava temperaturas extremas, embora esses números tenham sido apresentados pela própria equipe e não acompanhados, na publicação da universidade, de um relatório técnico independente de certificação.
O processo não terminou na primeira impressão.
Aubrey testava as versões desenvolvidas e os estudantes faziam alterações até chegar ao encaixe considerado adequado.
Uma reportagem posterior sobre o trabalho registrou que foram produzidas várias versões antes do modelo final.
Projeto de engenharia foi além de uma atividade de sala de aula
Para os estudantes, o trabalho fazia parte da formação em engenharia mecânica, mas precisava resolver um problema real de uma usuária real.
Andre Braden afirmou que aquela havia sido a primeira vez em que conseguira aplicar diretamente o conhecimento adquirido em sala de aula em uma solução com impacto concreto para outra pessoa.
O programa TEK segue exatamente essa lógica.
Criado há mais de duas décadas, ele coloca alunos diante de demandas de crianças e famílias do Tennessee que precisam de tecnologias assistivas personalizadas.
Em 2026, a universidade informou que o projeto continua produzindo desde dispositivos sensoriais e assentos ajustáveis até próteses desenvolvidas para tarefas específicas.
Próteses podem receber outros acessórios no futuro
A estrutura desenvolvida para Aubrey também abriu espaço para outras aplicações.
Integrantes da equipe disseram que pretendiam continuar trabalhando com ela e estudar novos acessórios capazes de se encaixar na mesma base, adaptando as próteses para outras tarefas.
A própria mãe da jovem explicou posteriormente que o conceito permitiria, em teoria, substituir os terminais destinados às baquetas por outros acessórios produzidos conforme a necessidade.
Na bateria, porém, o primeiro objetivo já havia sido alcançado.
Depois de um semestre de desenho, impressão, testes e correções, os estudantes entregaram um equipamento personalizado que permitiu a Aubrey segurar as duas baquetas, executar os movimentos necessários e produzir um som mais próximo daquele obtido pelos demais integrantes da banda.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

