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Após terremoto de magnitude 7,4, cinco brasileiros passam cerca de 11 horas removendo escombros e conseguem resgatar cachorra soterrada havia mais de 100 horas
Escrito por Noel Budeguer
Publicado em 27/08/2026 às 10:39
Atualizado em 27/08/2026 às 10:40
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Equipe formada por veterinários e bombeiros civis enfrentou risco de novos desabamentos, interrompeu o trabalho durante a noite e voltou no dia seguinte até conseguir alcançar Meli, encontrada viva em uma bolsa de ar entre os escombros.
Durante mais de quatro dias, uma cachorra permaneceu soterrada sob os escombros de um edifício de quatro andares destruído por um terremoto de magnitude 7,4. Quando cinco brasileiros chegaram ao local, praticamente não havia acesso ao ponto onde o animal estava preso e qualquer movimento errado poderia provocar um novo colapso.
A operação terminou apenas depois de aproximadamente 11 horas de trabalho distribuídas entre dois dias. O grupo conseguiu retirar Meli com vida depois de ela permanecer mais de 100 horas sob concreto, paredes quebradas e vigas, sobrevivendo graças a um pequeno espaço de ar formado no interior dos destroços.
Os brasileiros faziam parte do Grupo de Resgate Animal de Belo Horizonte, o GRABH, equipe especializada em resgate técnico de animais e atendimento veterinário em situações de desastre. Entre os integrantes enviados para a missão estavam médicos-veterinários e bombeiros civis, com idades entre 22 e 28 anos.
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Brasileiros passaram seis horas retirando escombros até ouvir Meli
O terremoto ocorreu na manhã de 10 de agosto de 2026 e atingiu magnitude 7,4, segundo o Serviço Geológico Colombiano. O epicentro foi registrado na região de San José del Palmar, no departamento de Chocó, e o tremor foi sentido em diversas partes do país.
Em uma das áreas afetadas, um edifício de quatro pavimentos desabou. Meli estava no piso térreo, em uma área ligada a um estabelecimento de reciclagem, quando toda a estrutura veio abaixo. Durante os dias seguintes, equipes e voluntários tentaram localizar sobreviventes entre os escombros.
Na quinta-feira, 13 de agosto, os cinco integrantes brasileiros começaram uma operação mais profunda na estrutura. Foram aproximadamente seis horas removendo partes do prédio até que finalmente conseguiram ouvir os gemidos da cachorra em um ponto praticamente inacessível.
O som confirmou que ela continuava viva, mas chegar até o animal ainda era extremamente perigoso. Segundo relatos divulgados após a operação, Meli estava apenas a cerca de um ou dois metros dos resgatistas, embora paredes destruídas, vigas e blocos de concreto impedissem qualquer acesso direto.
Retirar uma única peça poderia provocar novo desabamento
O maior problema era a instabilidade do prédio. Parte do material que cobria Meli ainda sustentava outros fragmentos da construção, e retirar uma peça sem planejamento poderia movimentar toda a estrutura.
Os resgatistas precisaram avançar lentamente, verificando a estabilidade de cada ponto antes de remover novos fragmentos. O objetivo não era apenas abrir uma passagem, mas evitar que toneladas de material desabassem novamente sobre a cachorra ou atingissem as pessoas que trabalhavam no interior dos escombros.
Depois das seis horas de trabalho, a equipe brasileira precisou deixar a estrutura e interromper a operação. Durante a noite, a situação ficou ainda mais preocupante quando Meli parou de emitir sons, eliminando temporariamente a principal evidência de que ainda permanecia viva.
Apesar disso, os resgatistas decidiram continuar a operação na manhã seguinte.
Cachorra voltou a emitir sons e equipe retornou com mais equipamentos
Na sexta-feira, 14 de agosto, chegou a informação de que Meli havia voltado a gemer entre os escombros. Os integrantes do GRABH retornaram ao prédio e encontraram condições melhores para continuar a abertura de um caminho.
Com o auxílio de novos equipamentos, partes da estrutura começaram a ser cortadas e removidas. Em determinado momento, a equipe conseguiu finalmente visualizar Meli entre os destroços e percebeu que ela própria tentava encontrar uma saída.
Mesmo assim, ainda foram necessárias aproximadamente cinco horas de trabalho para abrir espaço suficiente para retirar o animal sem causar outro desabamento. Somadas às seis horas do dia anterior, a participação da equipe brasileira chegou a cerca de 11 horas de trabalho direto.
A operação também contou com equipes colombianas, voluntários e instituições que atuavam na região atingida. Entre os grupos citados nas reconstruções do resgate aparecem integrantes da Cruz Vermelha, Polícia Ambiental, organizações de proteção animal e equipes especializadas em emergências.
Bolsa de ar entre os escombros pode ter sido decisiva para sobrevivência
Quando Meli finalmente foi retirada, mais de 100 horas haviam se passado desde o terremoto. Vídeos divulgados após o resgate mostram pessoas aplaudindo enquanto a cachorra era levada para fora da área destruída.
Uma das primeiras preocupações dos veterinários era a possibilidade de desidratação grave, alterações de temperatura ou ferimentos provocados pelo colapso. No entanto, o estado encontrado surpreendeu os profissionais.
Segundo a veterinária Amanda Talia de Castro Pereira, integrante da equipe brasileira, Meli havia permanecido dentro de uma espécie de bolsa de ar formada entre os escombros. O pequeno espaço permitiu que ela continuasse respirando durante os dias em que permaneceu soterrada.
A cachorra praticamente não conseguia se movimentar, mas não apresentava ferimentos graves quando foi retirada. Ela recebeu água, alimentação e posteriormente foi encaminhada para avaliação veterinária.
Assista o vídeo
Resgate ocorreu em meio a uma tragédia de grandes proporções
A sobrevivência de Meli ocorreu em meio a um dos terremotos mais graves registrados no país nos últimos anos. O tremor provocou desabamentos, destruição de milhares de imóveis e uma extensa operação de busca por vítimas em diferentes regiões.
O caso da cachorra ganhou repercussão justamente pelo tempo que ela permaneceu soterrada e pelas dificuldades encontradas para alcançá-la. Durante mais de quatro dias, o animal sobreviveu praticamente imóvel, cercado por concreto e sem acesso normal a água ou alimento.
A história teve ainda um desfecho doloroso para a família. De acordo com relato da integrante do GRABH, a tutora de Meli e um sobrinho morreram durante a tragédia. Outros familiares sobreviveram e puderam reencontrar a cachorra após o resgate.
Para os brasileiros envolvidos na operação, o momento em que Meli apareceu entre os escombros encerrou dois dias de trabalho delicado e uma busca que poderia ter terminado de maneira completamente diferente. Depois de mais de 100 horas soterrada, ela saiu viva de uma estrutura que havia se transformado em toneladas de concreto, vigas e paredes destruídas.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Noel Budeguer.

