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África inaugura usina solar com 526 MWh em baterias que entrega energia 24 horas por dia para um dos maiores complexos de cobre do continente
Escrito por Roberta Souza
Publicado em 27/08/2026 às 14:19
Atualizado em 27/08/2026 às 14:36
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Projeto na República Democrática do Congo combina 233 MWp de energia solar com armazenamento em baterias e fornece pelo menos 30 MW de potência firme para a mina Kamoa-Kakula
Uma instalação que combina 233 MWp de energia solar com um sistema de baterias de 526 MWh entrou em operação comercial na República Democrática do Congo para fornecer eletricidade renovável de forma contínua ao complexo de cobre Kamoa-Kakula. O projeto alcançou a operação comercial em 12 de agosto de 2026 e entrega pelo menos 30 MW de potência firme, conforme informações publicadas pela CrossBoundary Energy em 25 de agosto.
O marco chama atenção porque a empresa classifica a instalação como o primeiro projeto operacional solar com baterias destinado a fornecer energia de base na África. Além disso, apenas 16 meses separaram a assinatura do contrato de compra de energia, em abril de 2025, do início da operação comercial.
Agora, a estrutura fornece eletricidade para a Kamoa Copper S.A., joint venture formada por Ivanhoe Mines, Zijin Mining Group e o governo da República Democrática do Congo. O objetivo é garantir energia mais estável e renovável para um dos maiores complexos de mineração de cobre da África.
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Sistema combina 233 MWp de painéis solares com gigantesca bateria de 526 MWh
O coração do projeto está na combinação entre geração fotovoltaica e armazenamento. A instalação possui 233 MWp de capacidade solar, enquanto o BESS — sistema de armazenamento de energia em baterias — soma 123 MVA e 526 MWh.
Essa configuração muda a maneira como a eletricidade solar pode atender uma grande operação industrial. Afinal, uma usina fotovoltaica convencional depende diretamente da disponibilidade de sol.
Nesse caso, porém, as baterias armazenam parte da eletricidade e permitem seu fornecimento quando a geração solar diminui. Dessa forma, o sistema foi projetado para entregar pelo menos 30 MW de potência firme à operação de mineração.
A solução coloca em evidência como a combinação entre geração renovável e armazenamento pode avançar em grandes consumidores industriais. Ao mesmo tempo, o projeto mostra uma aplicação de escala elevada para uma tecnologia que ganha espaço conforme os custos das baterias diminuem.
A própria CrossBoundary afirma que o custo da eletricidade renovável firme caiu cerca de 50% em cinco anos. Segundo a companhia, isso já permite que soluções solares com armazenamento sejam competitivas diante de alternativas térmicas convencionais de geração de base.
Projeto saiu do contrato para a operação comercial em apenas 16 meses
Outro número que chama atenção é o prazo.
A Kamoa Copper assinou o contrato de compra de energia com a CrossBoundary Energy em abril de 2025. Em seguida, o empreendimento avançou até alcançar a operação comercial em 12 de agosto de 2026.
Portanto, todo o intervalo entre a assinatura do PPA e a operação foi de apenas 16 meses.
Segundo a CrossBoundary, uma instalação solar com BESS de escala semelhante leva, em média, aproximadamente 29 meses entre a assinatura do contrato de compra de energia e a operação comercial na África, com base em dados da publicação African Energy.
Nesse cenário, o empreendimento congolês ficou 13 meses abaixo dessa referência. Em termos proporcionais, o prazo de 16 meses foi cerca de 45% menor que os 29 meses citados como média pela empresa.
Além disso, a CrossBoundary classifica o empreendimento como o projeto solar/BESS desse tipo e escala entregue mais rapidamente no continente africano.
A velocidade de implantação ganha importância porque grandes operações de mineração precisam de enorme capacidade de produção e fornecimento elétrico previsível para manter equipamentos e unidades de processamento funcionando.
Energia solar passa a atender uma das maiores operações de cobre da África
O destino da eletricidade também aumenta a dimensão estratégica do projeto.
A energia abastece o complexo de mineração de cobre Kamoa-Kakula, próximo de Kolwezi. A CrossBoundary descreve o empreendimento como o maior complexo de mineração de cobre da África.
A Kamoa Copper afirma que a nova instalação acrescentará 30 MW de energia renovável confiável para apoiar seus planos de crescimento da produção de cobre.
Consequentemente, o projeto une dois setores cada vez mais conectados: mineração e energia renovável.
O cobre é fundamental para redes elétricas, motores, equipamentos industriais e diversas tecnologias ligadas à eletrificação. Porém, extrair e processar o metal exige grandes volumes de eletricidade.
Por isso, fornecer energia renovável firme diretamente para uma grande mina pode reduzir a exposição da operação às limitações da rede elétrica e ao uso de geração térmica complementar.
A CrossBoundary também afirma que sistemas desse tipo podem reduzir a exposição das empresas à volatilidade dos preços do diesel e aos riscos associados ao seu abastecimento.
Baterias permitem usar a energia do sol mesmo quando a geração diminui
O grande diferencial técnico está no armazenamento.
Os 526 MWh de baterias funcionam como uma reserva capaz de absorver parte da eletricidade produzida pelo parque fotovoltaico. Depois, essa energia pode ser despachada conforme a necessidade da operação.
Assim, a geração solar deixa de depender exclusivamente da coincidência entre produção instantânea e consumo.
Esse conceito é especialmente relevante para mineração. Uma operação industrial de grande porte não pode simplesmente interromper suas atividades sempre que a geração fotovoltaica cai.
Portanto, o BESS ajuda a transformar uma fonte naturalmente variável em uma oferta muito mais previsível. É justamente essa combinação que permite ao projeto entregar 30 MW de potência firme.
Além disso, a própria escala chama atenção. Os 526 MWh de armazenamento equivalem, matematicamente, a energia suficiente para sustentar uma carga constante de 30 MW por aproximadamente 17,5 horas, caso toda essa capacidade estivesse disponível exclusivamente para esse nível de descarga. Trata-se apenas de uma relação matemática entre capacidade e potência, e não de uma autonomia operacional divulgada pela empresa.
A instalação reforça, portanto, a evolução dos grandes sistemas de tecnologia e armazenamento aplicados diretamente à indústria.
Instalação pode evitar quase 79 mil toneladas de CO₂ por ano
Além dos números anunciados na entrada em operação, a página técnica do projeto da CrossBoundary apresenta outra dimensão relevante.
Segundo a companhia, a instalação foi projetada para gerar aproximadamente 300 mil MWh de energia limpa por ano e evitar cerca de 78.750 toneladas de emissões de CO₂ anualmente.
No entanto, esses números devem ser tratados como estimativas do projeto, e não como resultados ambientais já medidos após um ano completo de funcionamento.
Ainda assim, eles mostram a escala pretendida para a redução da dependência de alternativas fósseis.
A CrossBoundary afirma que clientes que adotam sistemas solares com baterias para fornecimento contínuo podem reduzir tanto emissões quanto riscos relacionados ao diesel.
Com isso, o projeto também ganha importância dentro da discussão sobre novos investimentos necessários para sustentar o crescimento da mineração africana sem elevar na mesma proporção o consumo de combustíveis fósseis.
Projeto pode virar referência para outras grandes minas
A entrada em operação comercial transforma o empreendimento em um teste concreto de uma ideia que há poucos anos enfrentava uma limitação importante: como usar grandes volumes de energia solar em operações que precisam funcionar continuamente.
As baterias estão começando a mudar essa equação.
No caso de Kamoa-Kakula, a solução integra 233 MWp solares e 526 MWh de armazenamento para garantir pelo menos 30 MW de fornecimento firme. Além disso, o projeto saiu do contrato para a operação comercial em apenas 16 meses.
Para a CrossBoundary, o resultado demonstra que sistemas renováveis de grande escala podem ser implantados rapidamente para atender minas localizadas em regiões onde confiabilidade energética é uma questão crítica.
Por outro lado, isso não significa que energia solar e baterias substituirão automaticamente todas as outras fontes utilizadas por grandes minas. Cada empreendimento depende de demanda, infraestrutura elétrica, disponibilidade solar, custos, dimensionamento das baterias e condições locais.
Ainda assim, Kamoa-Kakula oferece um exemplo concreto de que armazenamento em grande escala pode levar a energia solar muito além do fornecimento restrito às horas de maior incidência de sol.
Dos painéis solares às baterias, projeto muda a escala da energia renovável na mineração africana
A operação comercial iniciada em agosto coloca a República Democrática do Congo diante de um projeto incomum pela combinação de escala, velocidade e aplicação industrial.
São 233 MWp de geração solar, 526 MWh de armazenamento e pelo menos 30 MW de potência firme direcionados para uma grande operação de cobre.
Mais do que instalar painéis solares ao lado de uma mina, o projeto tenta resolver justamente uma das maiores limitações das fontes renováveis variáveis: entregar eletricidade quando o consumidor precisa, e não apenas quando o recurso natural está disponível.
Se o desempenho operacional confirmar as expectativas apresentadas pela CrossBoundary, a instalação poderá se tornar uma referência importante para outras minas e grandes consumidores industriais interessados em combinar energia solar, baterias e fornecimento elétrico contínuo.
Fonte
CrossBoundary Energy
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Roberta Souza.

