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Primeiro cavalo mecânico elétrico da Scania comercializado no Brasil chega com 410 cv, roda até 250 km carregado e recupera energia em cerca de 50 minutos, enquanto transportadora com mais de 1.000 caminhões aposta no modelo silencioso para acelerar uma frota que pretende ser 100% sustentável até 2035
Escrito por Carla Teles
Publicado em 28/08/2026 às 18:33
Atualizado em 28/08/2026 às 18:35
Logística e Transporte
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O cavalo mecânico elétrico Scania 30 G 4×2 entra na frota da Reiter Log com 300 kW de potência, cerca de 410 cv e autonomia estimada em 250 km carregado, enquanto a empresa amplia veículos a gás e biometano e mira substituir combustíveis fósseis totalmente até 2035 em sua operação.
O cavalo mecânico elétrico Scania 30 G 4×2 começou a integrar em 2026 a frota da Reiter Log no Brasil, marcando a entrada em operação do primeiro modelo desse tipo da fabricante comercializado no país. Com aproximadamente 410 cv, autonomia estimada em até 250 quilômetros e proposta voltada a aplicações específicas, o caminhão passa a dividir espaço com veículos a gás, biometano e outras soluções de menor emissão.
Segundo informações publicadas pelo canal VIDA DE ESTRADEIRO em 26 de agosto de 2026, a Reiter Log colocou o modelo em operação dentro de uma estratégia que pretende levar sua frota a utilizar integralmente fontes alternativas de energia até 2035. A transportadora já vinha ampliando a participação de caminhões sustentáveis e possui mais de mil cavalos mecânicos em sua operação.
Cavalo mecânico elétrico entrega cerca de 410 cv e quatro velocidades
O conjunto elétrico utiliza 300 kW de potência, equivalentes a aproximadamente 410 cv, associados a uma transmissão de quatro velocidades. De acordo com as informações técnicas apresentadas no material, a escolha desse câmbio busca manter o motor em faixas mais eficientes diante das diferentes condições encontradas nas rodovias brasileiras, incluindo variações de relevo que interferem diretamente no consumo energético.
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A autonomia informada chega a 250 quilômetros mesmo considerando o veículo carregado, uma carreta acoplada e condições de topografia utilizadas como referência pela fabricante. Isso não transforma o caminhão em uma solução universal para qualquer rota. Pelo contrário, o próprio posicionamento apresentado para o modelo indica que sua aplicação inicial está concentrada em trajetos nos quais a distância diária possa ser planejada dentro da capacidade disponível.
Autonomia de 250 km coloca elétrico em operações específicas
No transporte rodoviário brasileiro, percursos de centenas ou milhares de quilômetros ainda fazem parte da rotina de muitas transportadoras. Por isso, os 250 quilômetros oferecidos pelo cavalo mecânico elétrico fazem mais sentido em distribuição, deslocamentos entre centros logísticos e contratos com rotas previamente definidas do que em viagens longas sem infraestrutura de recarga disponível ao longo do caminho.
Essa limitação ajuda a explicar por que a Reiter Log não apresenta a eletrificação como substituta imediata de todas as demais tecnologias de sua frota. Cada matriz energética passa a ocupar o espaço em que consegue entregar melhor resultado operacional, combinando elétricos em percursos compatíveis com sua autonomia e combustíveis como gás e biometano em trajetos de maior distância.
Recarga pode levar cerca de 50 minutos com equipamento de maior potência
O padrão de carregamento informado para o caminhão é o CCS2, e o sistema aceita potência de recarga de até 375 kW. Com um carregador capaz de fornecer essa capacidade, o tempo apresentado fica em torno de 50 minutos. Equipamentos de menor potência aumentam esse intervalo, fazendo com que a disponibilidade de infraestrutura seja tão importante quanto a autonomia do próprio veículo.
O modelo também consegue regenerar energia durante desacelerações, devolvendo parte da energia ao sistema de baterias em situações de redução de velocidade. Essa característica não elimina a necessidade de recarga externa, mas amplia a eficiência energética do conjunto e integra uma lógica diferente daquela utilizada por caminhões convencionais movidos exclusivamente por motores a combustão.
Silêncio muda uma das características mais reconhecíveis de um caminhão pesado
Outro aspecto que chama atenção durante a operação é o baixo nível de ruído produzido pelo conjunto elétrico. Sem o funcionamento típico de um grande motor a diesel, o cavalo mecânico elétrico se movimenta de maneira consideravelmente mais silenciosa, característica especialmente perceptível em operações urbanas, pátios logísticos e trajetos realizados próximos a áreas residenciais.
A mudança na motorização não significa abandonar elementos conhecidos pelos motoristas da marca. O veículo mantém uma configuração de cabine derivada dos caminhões rodoviários da Scania e reúne recursos associados a conforto e segurança. Entre os sistemas mencionados está a frenagem automática de emergência, destinada a auxiliar o condutor diante de determinadas situações de risco na estrada.
Reiter Log já vinha transformando uma frota com mais de mil caminhões
A chegada do elétrico ocorre dentro de um processo iniciado anos antes. Em 2021, a transportadora ampliou sua estratégia de baixo carbono com a aquisição de 124 caminhões Scania movidos a gás natural e biometano. Em 2026, outra compra acrescentou 220 unidades movidas a gás à estratégia de renovação e diversificação energética da companhia.
A frota da Reiter Log reúne pouco mais de mil cavalos mecânicos, e uma parcela crescente já utiliza tecnologias alternativas ao diesel. Fontes setoriais indicavam em agosto de 2026 que mais de 40% da frota operava com fontes renováveis, enquanto a expansão prevista deveria levar a empresa a superar 600 veículos sustentáveis até o fim do ano. A meta declarada é chegar a 2035 sem depender de uma frota convencional baseada apenas em combustível fóssil.
Infraestrutura aparece como um dos maiores obstáculos à mudança da frota
A própria experiência da empresa mostra que comprar caminhões alternativos resolve apenas parte da equação. Em um país de dimensões continentais, a localização dos pontos de abastecimento e recarga determina quais rotas podem efetivamente receber novas tecnologias. Para sustentar os veículos a gás, a transportadora precisou desenvolver uma estrutura própria enquanto expandia essas operações.
A Reiter Log mantém nove pontos de abastecimento distribuídos de forma estratégica, permitindo ampliar o alcance dos caminhões abastecidos com gás e biometano. A rede ajuda a conectar operações a partir do Rio Grande do Sul com outros mercados brasileiros e demonstra por que a descarbonização do transporte pesado depende tanto dos veículos quanto da estrutura disponível para mantê-los circulando.
Biometano movimenta milhões de metros cúbicos por mês na estratégia
O biometano ganhou espaço relevante nesse sistema. Segundo o material apresentado, cerca de 3 milhões de metros cúbicos do combustível são utilizados mensalmente nos pontos ligados à operação. O volume ajuda a explicar por que a companhia aposta em diferentes tecnologias simultaneamente, em vez de concentrar toda a transformação da frota exclusivamente nos caminhões elétricos.
A ligação da empresa com atividades do agronegócio também abre espaço para produção própria. Resíduos da atividade agropecuária podem ser utilizados na geração de biogás e posteriormente purificados até se transformarem em biometano. Mesmo com essa produção, porém, o volume consumido exige manutenção de fornecedores externos, formando uma cadeia que conecta agronegócio, combustível renovável e transporte rodoviário.
Clientes sustentáveis já representam mais da metade da receita
A estratégia também começou a aparecer nos contratos. A empresa informou ter 34 clientes que já optam por operações classificadas como sustentáveis, grupo responsável por mais de 50% de sua receita. Isso indica que a transição energética deixou de ser apenas uma decisão interna da transportadora e passou a responder também a exigências de embarcadores interessados em reduzir emissões associadas às próprias cadeias logísticas.
Nos anos de 2024 e 2025, a companhia afirma ter evitado mais de 15 mil toneladas de emissões por meio das iniciativas implementadas. A estratégia apresentada prioriza reduzir diretamente a geração de gases antes de recorrer a mecanismos de compensação, utilizando uma combinação de veículos elétricos, gás, biometano, soluções híbridas e outras alternativas aplicadas conforme as necessidades das rotas.
Mais caminhões elétricos dependerão também de custo e infraestrutura
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Mesmo com a estreia do modelo, a transportadora evita antecipar uma expansão acelerada dos cavalos mecânicos elétricos. O investimento inicial elevado e o cenário de juros são apontados como fatores capazes de interferir nas próximas decisões. A empresa considera necessário testar o veículo na operação real antes de definir quanto espaço essa tecnologia ganhará dentro da frota nos próximos anos.
Essa cautela mostra uma diferença importante entre meta ambiental e execução operacional. O objetivo de chegar a 2035 com uma frota baseada em fontes alternativas permanece, mas o caminho poderá reunir tecnologias distintas. Em vez de apostar que uma única solução atenderá todo o transporte pesado brasileiro, a estratégia combina eletrificação, gás, biometano e sistemas híbridos conforme distância, carga, infraestrutura e viabilidade econômica.
Primeiro elétrico coloca na estrada uma mudança que ainda terá de provar seu alcance
O cavalo mecânico elétrico da Scania chega à operação da Reiter Log com números que chamam atenção, aproximadamente 410 cv, até 250 quilômetros de autonomia e possibilidade de recarga em cerca de 50 minutos nas condições adequadas, mas também evidencia os limites atuais da eletrificação pesada. O veículo foi pensado para aplicações determinadas, não para substituir imediatamente todos os caminhões de longa distância.
Com mais de mil cavalos mecânicos e uma meta de transformar integralmente a matriz da frota até 2035, a transportadora passa a testar na prática até onde o elétrico pode avançar ao lado de gás e biometano. Você acredita que caminhões elétricos conseguirão dominar também as longas rodovias brasileiras ou gás e biometano continuarão indispensáveis? Deixe sua opinião nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

