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Ele estava fora do Rio Grande do Sul quando a enchente tomou Roca Sales, recebeu mensagens desesperadas dos vizinhos, pediu que preparassem seu barco e voltou para encarar o Rio Taquari por 23 horas quase sem parar, ajudando no resgate de mais de 100 pessoas em uma noite de correnteza e gritos por socorro
Escrito por Carla Teles
Publicado em 28/08/2026 às 18:07
Atualizado em 28/08/2026 às 18:10
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Morador de Roca Sales, Sergio Benini retornou do Paraná em 4 de setembro de 2023 e entrou no Rio Taquari com seu barco; segundo relatos publicados à época, permaneceu cerca de 23 horas nos resgates, ajudou mais de 100 pessoas e participou de salvamentos dentro de casas tomadas pela água.
Sergio Benini não estava em Roca Sales quando a situação começou a se agravar no Vale do Taquari, no Rio Grande do Sul. Ele havia passado o fim de semana no Paraná e, durante a segunda-feira, 4 de setembro de 2023, acompanhou pelos grupos de mensagens o aumento do volume de água. Antes de retornar, pediu que seu barco fosse levado para um ponto onde pudesse alcançá-lo caso as ruas fossem bloqueadas. Quando chegou à cidade, por volta das 19h, diversos acessos já estavam comprometidos.
O que veio depois atravessou a noite e o dia seguinte. Segundo reportagem do Terra baseada em entrevista ao Fantástico, Benini permaneceu mais de 23 horas em atividade e ajudou a retirar mais de 100 pessoas da enchente com um barco pequeno. Em outro relato local, ele aparece atuando ao lado de outros moradores nos salvamentos, numa operação em que diferentes equipes se arriscaram em meio à correnteza.
Ele estava fora do Rio Grande do Sul quando começaram os pedidos de ajuda
No fim de semana anterior à cheia, Sergio Benini estava no Paraná. Ao acompanhar as informações que chegavam de Roca Sales durante o dia 4 de setembro, decidiu preparar o retorno e pediu antecipadamente que movimentassem seu barco. A decisão significava que, quando chegasse, não precisaria começar procurando a embarcação em uma cidade que já começava a ficar bloqueada pela água.
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O barco também não era uma estrutura de resgate oficial. Reportagem do Agora no Vale informa que a embarcação havia sido feita por Sergio e pelo irmão depois da enchente de 2020, tinha motor de 18 hp e fora concebida para enfrentar melhor a correnteza durante cheias. Naquela noite de setembro, o equipamento doméstico acabou assumindo uma função muito diferente.
Quando Sergio Benini chegou a Roca Sales, a enchente já avançava rapidamente pelas ruas. A partir dali, os deslocamentos passaram a ser feitos em busca de moradores que não conseguiam mais deixar suas casas por conta própria.
A água subiu tão rápido que a situação mudava entre uma viagem e outra
Benini relatou ao Grupo A Hora que a cheia de 2023 foi diferente da inundação enfrentada anteriormente. Havia mais água e correnteza. Em determinado ponto, a equipe retirou primeiro mulheres e crianças de uma residência; quando retornou para buscar os homens, a situação já havia mudado e eles estavam dentro da água.
A velocidade da subida do Rio Taquari transformava minutos em uma variável decisiva. Casas que ainda ofereciam algum espaço seguro poderiam se tornar armadilhas enquanto o barco fazia outro percurso pela cidade.
Reportagem publicada pelo Terra em 11 de setembro de 2023 registrou que moradores chegaram a subir para o segundo pavimento e para o espaço existente sob os telhados enquanto a água avançava. Benini descreveu pessoas gritando repetidamente por socorro e contou que partes de telhados precisaram ser arrancadas à mão durante os trabalhos.
A cena ajuda a explicar a dificuldade dos resgates: não bastava chegar de barco à residência. Em alguns casos, era necessário descobrir onde os moradores estavam presos e abrir uma passagem pela parte superior do imóvel para conseguir alcançá-los.
Uma família já havia se despedido porque acreditava que morreria
Entre as ocorrências descritas por Sergio Benini, uma aconteceu por volta das 2h. Segundo entrevista publicada pelo Grupo A Hora em 14 de setembro de 2023, uma família do outro lado da cidade estava cercada pela água em uma área de correnteza mais intensa e acreditava que não conseguiria sobreviver.
Benini e os demais envolvidos no resgate decidiram seguir até a residência. No imóvel, subiram sobre a cobertura, retiraram estruturas que impediam o acesso e romperam a laje. Por alguns instantes, não ouviram resposta de dentro da casa. Depois, uma mão apareceu pela abertura feita na estrutura e mostrou que ainda havia pessoas vivas ali.
Eram três moradores. Outra reportagem regional sobre a operação informa que, em um resgate de uma família presa sob uma laje, restavam aproximadamente 30 centímetros entre a água e o teto antes da abertura da passagem. O relato descreve o salvamento de um casal e de uma idosa.
O episódio ilustra o risco de casas se transformarem em espaços fechados durante uma inundação. À medida que a água ocupa os cômodos, quem sobe para o ponto mais alto pode ficar encurralado entre a superfície e o teto, sem uma saída convencional disponível.
Mais de 100 pessoas foram retiradas durante cerca de 23 horas
Os números variam conforme o relato e a composição das equipes mencionadas. O Terra e o Fantástico registraram que Sergio Benini ajudou a resgatar mais de 100 pessoas e permaneceu mais de 23 horas em atividade no Rio Taquari.
Já uma reportagem do Grupo A Hora sobre sobreviventes da cheia registra que Sergio, Jeremias e o pedreiro Luiz Gracioli participaram de uma sequência de resgates que ultrapassou 140 moradores de Roca Sales. O mesmo material relata situações em que foi necessário romper estruturas de casas para retirar pessoas encurraladas.
Por isso, a forma mais segura de apresentar a atuação individual de Sergio é afirmar que ele participou do salvamento de mais de 100 moradores, sem atribuir sozinho todos os resgates realizados pelas diferentes equipes naquela noite.
O próprio Benini relatou que só deixou o barco por volta das 19h do dia seguinte. Foram aproximadamente 23 horas praticamente dedicadas à procura e retirada de moradores, em uma cidade onde a correnteza, o frio e a escuridão dificultavam cada deslocamento.
Barco pequeno passou por uma cidade tomada por correnteza e obstáculos
A cheia criou riscos que iam além da profundidade da água. O trabalho ocorreu em ruas transformadas em canais, com correnteza suficiente para comprometer o controle da embarcação e estruturas urbanas parcialmente submersas.
O pequeno barco era a ferramenta que permitia chegar onde veículos e deslocamentos a pé já não conseguiam avançar. Ao mesmo tempo, cada percurso significava expor tripulantes e moradores resgatados aos obstáculos de uma cidade coberta pela inundação.
O Agora no Vale relata que Sergio e Luiz Grazzioli iniciaram uma longa jornada de salvamentos naquela noite, utilizando a embarcação construída depois da enchente de 2020. A reportagem atribui aos dois o resgate de aproximadamente 140 moradores e registra que famílias chegaram a permanecer sobre telhados pedindo socorro.
Outro levantamento do Grupo A Hora mostra que Sergio Benini não foi o único morador a assumir riscos extraordinários naquela madrugada. Luiz Gracioli e Jeremias também aparecem entre os envolvidos nos resgates, inclusive em operações que exigiram quebrar estruturas de concreto para chegar aos sobreviventes.
Ele poderia ter ficado em casa, mas decidiu voltar para o rio
Na entrevista ao Grupo A Hora, Benini explicou que sua própria casa não era atingida pela enchente e que, portanto, poderia ter permanecido em segurança. Ainda assim, afirmou que sabia que havia moradores esperando por ajuda e decidiu continuar nos resgates.
Esse ponto muda a dimensão da história. Não se tratava de alguém tentando escapar de sua própria residência, mas de um morador que tinha um recurso útil — um barco — e decidiu colocá-lo a serviço de pessoas presas em outras partes da cidade.
A embarcação, preparada após uma cheia anterior, tornou-se naquele 4 de setembro uma das ferramentas disponíveis para atravessar áreas que já não podiam ser percorridas normalmente. O cenário descrito pelas fontes inclui casas inundadas, famílias sobre telhados e moradores incapazes de abandonar os imóveis sem auxílio externo.
Sergio Benini seguiu até a noite do dia seguinte, numa sequência de viagens que terminou associada ao salvamento de mais de uma centena de pessoas.
Roca Sales transformou moradores comuns em parte da linha de resgate
A enchente atingiu Roca Sales e outros municípios do Vale do Taquari no começo de setembro de 2023. Reportagem do Grupo A Hora publicada no dia 16 descreveu famílias surpreendidas pela rápida elevação do rio e uma sequência de histórias de sobrevivência em municípios como Roca Sales, Muçum e Encantado.
Nesse cenário, a resposta não ficou restrita às equipes públicas de emergência. Barcos particulares, trabalhadores e moradores participaram de operações improvisadas enquanto famílias aguardavam socorro em pontos elevados das casas.
A história de Sergio Benini ganhou repercussão justamente por reunir esses elementos: ele estava fora do estado, voltou para Roca Sales, colocou seu próprio barco na água e passou cerca de 23 horas ajudando moradores. Em alguns dos momentos mais críticos, equipes precisaram abrir telhados e lajes para alcançar quem já não tinha como sair pelas portas.
As fontes independentes utilizadas nesta matéria confirmam o período de aproximadamente 23 horas, os mais de 100 resgates e as operações em telhados. O número exato de ligações recebidas por Benini não aparece confirmado nesses materiais e, por isso, não é apresentado aqui como dado fechado.
Uma noite em que cada nova viagem significava procurar quem ainda esperava
Quando o nível do Rio Taquari finalmente permitiu dimensionar o que havia acontecido, Sergio Benini já havia atravessado uma noite inteira e grande parte do dia seguinte sobre a água. O pequeno barco preparado depois de uma enchente anterior se tornou instrumento para alcançar famílias que, em alguns casos, já estavam confinadas nos pontos mais altos das casas.
Mais do que a quantidade final de resgatados, os relatos revelam como a velocidade da água obrigou moradores a tomar decisões em questão de minutos. Houve pessoas que subiram para telhados, outras ficaram presas sob lajes e equipes que precisaram retornar a locais onde a situação havia mudado completamente entre uma passagem e outra.
Sergio dividiu parte desses trabalhos com outros moradores e voluntários, e os diferentes relatos registram mais de 100 pessoas socorridas em sua atuação e mais de 140 quando considerados grupos de resgate dos quais participou.
E você, teria coragem de colocar um barco na água e continuar entrando em uma cidade tomada pela correnteza sabendo que outras pessoas ainda aguardavam socorro? Conte nos comentários o que mais chamou sua atenção nessa história de Roca Sales.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

