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Mensagem em uma garrafa escrita por garoto de 13 anos em 1969 é encontrada 50 anos depois por menino de 9 anos em praia remota da Austrália, revela pedido por resposta e leva família a localizar o autor décadas após o bilhete ser lançado ao mar
Escrito por Geovane Souza
Publicado em 31/08/2026 às 15:36
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Paul Gilmore deixou a Inglaterra com a família aos 13 anos e lançou ao mar uma carta pedindo que o desconhecido que a encontrasse respondesse. O bilhete desapareceu por meio século até ser descoberto por Jyah Elliott entre dunas no sul da Austrália. A história ainda teria outro capítulo décadas depois, quando remetente e destinatário finalmente conseguiram se encontrar.
Em 17 de novembro de 1969, o britânico Paul Gilmore estava a bordo do TSS Fairstar, atravessando oceanos com a família rumo a uma nova vida na Austrália, quando decidiu escrever algumas linhas em um papel do próprio navio. Colocou a carta dentro de uma garrafa, lançou-a ao mar e deixou um pedido simples para quem a encontrasse: “please reply”, ou “por favor, responda”.
Paul tinha 13 anos. Na mensagem, informou que vinha da Inglaterra, viajava para Melbourne e estava a cerca de 1.000 milhas de Fremantle, na Austrália Ocidental. Também escreveu o endereço para onde sua família pretendia se mudar, no subúrbio de Mitcham, no estado de Victoria.
Nenhuma resposta chegou durante sua adolescência. A carta desapareceu e Paul seguiu a vida. Quase 50 anos depois, em julho de 2019, outro menino encontrou a garrafa em Talia Beach, uma área remota da Península de Eyre, no sul da Austrália.
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Jyah Elliott tinha 9 anos quando encontrou a garrafa entre as dunas de Talia Beach
Jyah Elliott estava com o pai, Paul Elliott, em uma pescaria quando começou a explorar as dunas próximas à praia. Foi ali que encontrou uma pequena garrafa de vidro transparente, com tampa branca, parcialmente protegida pela areia.
O papel dentro dela estava úmido e não saía pela abertura. Segundo o pai do menino, a solução encontrada foi quebrar a garrafa para retirar a carta sem destruir ainda mais o documento. Ao olhar a data, a família inicialmente desconfiou que pudesse ser uma brincadeira.
Jyah ficou tão empolgado que, segundo sua mãe, Carla Elliott, primeiro disse ter encontrado uma mensagem de 1869. Ela pediu que ele conferisse novamente. O menino então percebeu que o ano correto era 1969.
A folha envelhecida trazia o nome de Paul Gilmore, sua idade e informações sobre a viagem. O papel também tinha identificação da Sitmar Line, companhia responsável pelo Fairstar, reforçando a ligação do documento com a travessia registrada naquele período.
Família enviou uma carta ao endereço escrito em 1969 e começou uma busca pela internet
Jyah decidiu fazer exatamente aquilo que o garoto de 13 anos havia pedido meio século antes. Escreveu uma resposta e a família a enviou pelo correio ao endereço de Mitcham registrado no bilhete.
O problema era que Paul Gilmore já não morava naquele endereço havia décadas. A família Elliott então publicou imagens da carta nas redes sociais, enquanto usuários começaram a consultar arquivos históricos em busca do antigo passageiro.
A repercussão chamou a atenção da ABC News, que iniciou sua própria busca. A genealogista de Melbourne Sue McBeth encontrou documentos que ajudaram a ligar o adolescente da carta à família Gilmore. A investigação chegou a parentes na Austrália e no Reino Unido e, em poucos dias, o mistério sobre a identidade do remetente estava resolvido.
Havia, porém, uma coincidência difícil de prever. Quando sua mensagem lançada ao mar reapareceu, Paul estava novamente em um navio. Aos 63 anos, fazia um cruzeiro pelo Mar Báltico e estava temporariamente fora de alcance quando os familiares começaram a tentar avisá-lo.
Paul não havia lançado apenas uma mensagem ao mar durante aquela viagem
A descoberta ganhou outro detalhe quando Annie Crossland, irmã de Paul, relembrou a travessia de 1969. Ela contou à ABC que o irmão escrevia mensagens e colocava os papéis em garrafas durante a viagem.
Segundo Annie, foram cerca de seis garrafas lançadas ao mar. O próprio Paul explicou posteriormente que escrevia bilhetes a cada poucos dias na esperança de encontrar um correspondente em algum lugar do mundo.
Durante décadas, ele não recebeu nenhuma resposta.
Isso significa que outras mensagens escritas pelo garoto podem ter tido destinos completamente diferentes. Não há confirmação de que tenham sobrevivido, mas Paul chegou a dizer, depois da descoberta de 2019, que outros exemplares ainda poderiam aparecer.
Também não é provável que a garrafa encontrada por Jyah tenha permanecido 50 anos continuamente flutuando no oceano. O oceanógrafo David Griffin explicou à Associated Press que as correntes da região tornariam improvável uma permanência tão longa em mar aberto. A hipótese considerada mais plausível é que ela tenha chegado a alguma praia relativamente cedo, permanecido enterrada durante anos ou décadas e depois sido novamente exposta pela movimentação da areia ou por tempestades.
Viagem de 1969 fazia parte de uma grande onda de migração britânica para a Austrália
A história da garrafa ocorreu durante um período de intensa migração entre Reino Unido e Austrália. A família Gilmore fazia parte dos britânicos que viajaram para o país dentro de programas de passagem subsidiada organizados pelo governo australiano no pós-guerra.
Os participantes ficaram conhecidos popularmente como “Ten Pound Poms”. De acordo com o Parlamento da Austrália, adultos que atendessem aos requisitos podiam viajar pagando apenas 10 libras, enquanto crianças viajavam gratuitamente. Em troca do subsídio, os beneficiários precisavam permanecer na Austrália por pelo menos dois anos.
O programa havia começado em 1945 dentro da política de expansão populacional adotada após a Segunda Guerra Mundial. O governo buscava trabalhadores e novos moradores para sustentar o crescimento econômico e aumentar a população do país. Um material preservado pelo National Film and Sound Archive mostra que 1969, justamente o ano da viagem dos Gilmore, foi um dos períodos de maior entrada de migrantes britânicos, com mais de 80 mil chegadas registradas naquele ano.
O TSS Fairstar era um dos navios usados nessas travessias. Na viagem dos Gilmore, o navio saiu de Southampton, passou pelas Ilhas Canárias e pela Cidade do Cabo antes de chegar a Fremantle e seguir para Melbourne.
A família permaneceu na Austrália até 1973. Paul, então com cerca de 17 anos, retornou à Inglaterra. Décadas depois, já aposentado, ele ainda guardava lembranças daquela primeira mudança de continente.
Depois de 50 anos, Paul finalmente respondeu ao menino que encontrou sua carta
Assim que tomou conhecimento do caso durante o cruzeiro pelo Báltico, Paul entrou em contato com a família Elliott.
No fim de julho de 2019, a ABC informou que o britânico havia enviado uma resposta por e-mail. Paul contou ao garoto sobre a viagem e sobre as outras garrafas lançadas ao oceano e demonstrou surpresa pelo fato de uma delas ter sobrevivido. Para ele, 50 anos havia sido um tempo bastante longo para esperar por uma resposta.
A relação não terminou com a troca de mensagens.
Carla Elliott manteve contato com Paul nos anos seguintes. O britânico dizia que desejava voltar à Austrália, mas durante muito tempo faltava dinheiro quando tinha disponibilidade ou faltava tempo quando havia recursos para fazer a viagem.
A aposentadoria mudou essa situação.
Cinco anos depois da descoberta, os dois finalmente se encontraram na Austrália
Em janeiro de 2024, Paul Gilmore voltou à Austrália pela primeira vez em mais de 50 anos e cumpriu uma promessa feita à família Elliott.
Naquele momento, Jyah já tinha 13 anos, exatamente a idade que Paul tinha quando escreveu a mensagem em 1969. Os dois se encontraram pessoalmente depois de uma história iniciada 55 anos antes por um pedaço de papel colocado dentro de uma garrafa.
Paul também pôde rever o bilhete original e os fragmentos da garrafa quebrada para retirar a carta. Durante a viagem, visitou a família Elliott e voltou à região onde o objeto havia sido encontrado.
O antigo professor aposentado descreveu o encontro como o fechamento de um ciclo. A mensagem escrita por um adolescente que deixava a Inglaterra em busca de uma nova vida acabou conectando dois garotos da mesma idade separados por cinco décadas.
Uma carta que Paul lançou ao mar sem saber se alguém algum dia a leria levou meio século para conseguir a resposta pedida em 1969.
Você guardaria uma mensagem encontrada em uma garrafa por tantos anos ou tentaria localizar imediatamente quem a escreveu?
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Geovane Souza.

