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China quebra uma barreira que parecia travar a engenharia há décadas: nova ponte de arco de concreto alcança 600 metros de vão, supera em 155 metros o antigo recorde mundial, usa 22% menos concreto por metro e ainda promete economizar mais de US$ 80 milhões entre construção e manutenção ao longo de 100 anos
Escrito por Carla Teles
Publicado em 31/08/2026 às 15:25
Atualizado em 31/08/2026 às 15:47
Construção
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A ponte de arco de concreto Tian’e Longtan, em Guangxi, alcançou vão principal de 600 metros e superou o recorde anterior de 445 metros. Engenheiros reduziram o uso de concreto por metro em 22% e estimaram economia combinada superior a US$ 82 milhões frente a projeto estaiado em 100 anos.
A ponte de arco de concreto Tian’e Longtan levou a engenharia chinesa a uma dimensão que, durante décadas, permaneceu difícil de alcançar com esse sistema estrutural. Construída sobre o rio Hongshui, no condado de Tian’e, em Hechi, na Região Autônoma de Guangxi Zhuang, a estrutura tem 600 metros de vão principal, contra 445 metros do recorde mundial anterior, uma diferença de 155 metros.
O avanço não foi obtido simplesmente acrescentando mais material. Engenheiros redesenharam o arco para reduzir seu peso, diminuíram o volume de concreto e desenvolveram técnicas específicas para controlar fissuras durante a concretagem. O resultado combinou aumento expressivo do vão com redução de material e custos, justamente em uma tipologia de ponte na qual o próprio peso da estrutura é um dos maiores obstáculos técnicos.
Ponte chinesa levou arco de concreto à classe dos 600 metros
A Tian’e Longtan atravessa o rio Hongshui e possui 2.488,55 metros de extensão total, com tráfego em duas direções e quatro faixas. A ponte foi aberta em 2024 e passou a ser reconhecida, segundo a reportagem que cita a agência Xinhua, como a ponte em arco de concreto reforçado com aço de maior vão do mundo.
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O número que muda a referência técnica é o vão principal. Os 600 metros representam um salto de 155 metros sobre a marca anterior de 445 metros atribuída a pontes de arco de concreto. Isso equivale a levar uma solução estrutural associada por muito tempo a uma barreira próxima dos 400 metros para uma nova faixa de escala.
A dimensão é especialmente relevante porque não se trata apenas do comprimento total da obra, mas da distância vencida pelo arco principal entre seus apoios. É justamente o crescimento desse vão que amplia as solicitações estruturais e torna o controle do peso próprio cada vez mais crítico.
Países estudavam arcos próximos de 600 metros, mas obras permaneciam menores
Segundo a fonte, engenheiros no Japão, na Croácia e em outros países com tradição em grandes pontes pesquisaram durante décadas a possibilidade de levar estruturas de concreto em arco para vãos próximos de 600 metros.
Apesar desses estudos, os projetos concluídos nesses países permaneceram abaixo de 390 metros. A dificuldade não estava simplesmente em construir uma estrutura maior, mas em controlar as cargas que crescem junto com o próprio arco.
A reportagem também explica que arcos convencionais de concreto eram amplamente considerados difíceis de levar além de aproximadamente 400 metros, enquanto soluções de tubos de aço preenchidos com concreto encontravam desafios quando avançavam além de 500 metros.
A ponte de arco de concreto Tian’e Longtan chegou justamente à classe dos 600 metros, deslocando esse limite prático para uma faixa significativamente superior.
Peso da própria ponte era um dos principais obstáculos
Em uma estrutura desse porte, uma das maiores dificuldades é que o arco precisa carregar uma massa enorme antes mesmo de receber veículos. Segundo o relatório citado pela fonte, o chamado peso morto da ponte representa mais de 90% da tensão total aplicada à estrutura.
Dentro desse peso, o concreto colocado ao redor da estrutura de aço responde por mais da metade da massa. Isso cria um problema progressivo: aumentar o arco exige estrutura para suportar o peso, mas adicionar estrutura também aumenta o próprio peso que precisa ser sustentado.
A solução adotada pelos engenheiros foi atacar diretamente essa relação entre material, massa e resistência. Em vez de simplesmente ampliar as dimensões de uma configuração convencional, a geometria do arco foi redesenhada.
Dois grandes arcos reduziram largura e quantidade de concreto
Os engenheiros dividiram o arco principal em duas nervuras e retiraram partes da seção que suportavam níveis pequenos de tensão. A mudança tornou o conjunto estrutural mais estreito sem alterar o nível de esforço informado pela fonte.
A largura do arco caiu de 23 metros para 13 metros. Paralelamente, o volume de concreto usado na estrutura passou de aproximadamente 40 mil metros cúbicos para 28 mil metros cúbicos.
Quando a comparação é feita por metro de ponte com estruturas da classe dos 400 metros, o novo projeto consumiu 22% menos concreto, mantendo o mesmo nível de tensão informado no estudo.
Isso significa que a ponte de arco de concreto chegou a um vão maior justamente reduzindo parte da massa que tradicionalmente dificultava ampliar esse tipo de estrutura.
Fissuras no concreto exigiram novas técnicas de execução
Diminuir a quantidade de material não eliminava outro problema técnico relevante: controlar o comportamento do concreto durante sua aplicação e cura.
Em grandes arcos, variações de temperatura e tensões internas podem provocar fissuração enquanto o material endurece. Por isso, a equipe desenvolveu novos métodos de concretagem voltados ao controle dessas ocorrências.
O desafio ganha importância porque qualquer problema associado às fissuras precisa ser considerado dentro de uma estrutura que deve transferir esforços ao longo de centenas de metros.
A inovação não ficou, portanto, somente no desenho geométrico do arco. O método construtivo também precisou evoluir para tornar possível trabalhar com concreto nessa escala.
Recorde anterior de 445 metros foi ultrapassado por 155 metros
Antes da Tian’e Longtan, a marca mundial citada pela fonte para uma ponte desse tipo era de 445 metros de vão. O novo arco chegou aos 600 metros, criando uma diferença de 155 metros de uma só vez.
Esse salto é maior do que uma evolução incremental de poucos metros. Ele coloca a nova ponte em uma classe estrutural que estudos internacionais discutiam havia décadas, mas que obras concluídas ainda não haviam alcançado.
A infraestrutura entrou em operação em 2024, dois anos antes de receber uma nova distinção científica e tecnológica em Guangxi.
Em 24 de agosto de 2026, o projeto recebeu o principal prêmio da premiação provincial de ciência e tecnologia de Guangxi, reconhecimento direcionado à engenharia usada para superar limitações anteriores da construção de grandes arcos de concreto.
Escolha do arco economizou milhões ainda durante a construção
A engenharia da ponte também foi comparada economicamente a uma alternativa de estrutura estaiada. Segundo os dados reproduzidos pela fonte a partir do Science and Technology Daily, optar pelo arco de concreto reduziu os custos de construção em 110 milhões de yuans, equivalentes a aproximadamente US$ 16,37 milhões.
Essa economia considera apenas a etapa inicial da obra. O impacto financeiro maior aparece quando a análise é estendida ao período projetado de utilização da infraestrutura.
A ponte de arco de concreto foi concebida para uma vida útil de projeto de 100 anos, período para o qual também foram comparadas as despesas de manutenção com a solução alternativa.
Nesse horizonte, a escolha estrutural deixa de ser analisada somente pelo custo necessário para erguer a ponte e passa a envolver o valor gasto para mantê-la ao longo de décadas.
Manutenção pode economizar outros US$ 65,9 milhões em 100 anos
Durante os 100 anos de vida útil de projeto, os custos de manutenção são estimados em 470 milhões de yuans abaixo daqueles previstos para a alternativa estaiada. A fonte converte esse valor para aproximadamente US$ 65,9 milhões.
Somados aos US$ 16,37 milhões economizados na construção, os dois componentes colocam a vantagem econômica estimada acima de US$ 80 milhões durante o ciclo analisado.
A comparação é importante porque estruturas de grande porte não encerram seus custos quando a obra é inaugurada. Inspeções, intervenções e manutenção podem representar despesas relevantes ao longo de décadas.
Nesse caso, a solução que estabeleceu o novo recorde mundial também foi apresentada como economicamente mais favorável do que a alternativa de ponte estaiada usada como referência.
Tecnologia já havia recebido avaliação internacional durante a construção
Antes mesmo do reconhecimento provincial de 2026, a ponte havia sido objeto de discussão internacional. Em 2023, durante sua construção, a International Association for Bridge and Structural Engineering e a Chinese Academy of Engineering organizaram uma conferência global em Nanning, capital de Guangxi.
De acordo com a reportagem, especialistas presentes no evento classificaram a tecnologia empregada na ponte como de nível mundial. O prêmio recebido em agosto de 2026 acrescentou outra forma de reconhecimento ao conjunto de soluções desenvolvido para o empreendimento.
O interesse técnico está ligado não apenas ao recorde final, mas à combinação que tornou o vão possível: redução do peso próprio, nova configuração das nervuras, menor consumo de concreto e métodos voltados ao controle de fissuras.
Essas soluções podem ampliar a discussão sobre até onde pontes de arco de concreto podem chegar quando peso, geometria e método construtivo são tratados como um único problema de engenharia.
Ponte chinesa desloca limite do concreto e abre nova referência para grandes vãos
A Tian’e Longtan reúne números que dificilmente aparecem isolados em uma mesma obra: 600 metros de vão principal, 155 metros além do recorde anterior, redução de 22% no concreto utilizado por metro e economia projetada superior a US$ 80 milhões entre construção e manutenção.
Mais do que simplesmente construir uma ponte maior, o projeto atacou a principal limitação associada ao crescimento dos arcos: o peso que a própria estrutura precisa suportar. O volume de concreto caiu, o arco ficou mais estreito e novas soluções de execução foram desenvolvidas para controlar fissuras.
A ponte de arco de concreto chinesa passa, assim, a funcionar como uma nova referência para projetos que precisam vencer grandes distâncias sem necessariamente recorrer a uma configuração estaiada.
Na sua opinião, o que representa o avanço mais importante dessa obra: alcançar 600 metros de vão, reduzir em 22% o uso de concreto por metro ou conseguir baixar também os custos de construção e manutenção ao longo de 100 anos? Conte nos comentários.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Carla Teles.

