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Depois de perceberem colegas com TDAH e autismo lutando para manter o foco em sala, estudantes passam dois anos rabiscando centenas de ideias, testando soluções e redesenhando uma simples cadeira escolar até criar uma estrutura cercada por cubo mágico, fidget spinner e peças sensoriais para ajudar quem mais precisava
Escrito por Ana Alice
Publicado em 01/09/2026 às 20:21
Atualizado em 01/09/2026 às 20:22
Curiosidades
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Quatro adolescentes de Dubai transformaram uma cadeira escolar em um projeto sensorial após observar colegas neurodivergentes, levando a invenção para testes dentro da própria escola e abrindo caminho para uma possível expansão.
Quatro estudantes de 17 anos de uma escola de Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, passaram cerca de dois anos transformando uma cadeira escolar convencional em um equipamento pensado para alunos com TDAH, autismo e outras necessidades sensoriais.
Batizada de CareChair, a invenção reúne assento ampliado, brinquedos de manipulação, cubo mágico, diferentes texturas e peças intercambiáveis diretamente nos braços da cadeira.
Yuvaan Sawlani, Ayaan Mohammed, Moulik Savla e Atharva Mehra cursavam o último ano do programa de diploma do International Baccalaureate na GEMS Wellington International School quando o projeto ganhou repercussão em 2025.
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A proposta não nasceu de uma tarefa puramente teórica: os adolescentes começaram a pensar no móvel depois de conviverem com estudantes que tinham necessidades adicionais de aprendizagem e perceberem dificuldades de concentração durante as aulas.
O resultado chegou à própria sala de aula.
O departamento de inclusão da escola testou a CareChair com um estudante diagnosticado com TDAH e transtorno do espectro autista e relatou melhora no foco e na regulação emocional, principalmente em momentos menos estruturados das aulas.
O teste, entretanto, foi limitado e não equivale a um estudo clínico sobre a eficácia da cadeira.
Ideia começou ao observar colegas com necessidades de aprendizagem
O ponto de partida ocorreu quando Yuvaan e Ayaan foram convidados a ajudar alunos com necessidades adicionais de aprendizagem durante uma atividade esportiva.
A convivência continuou depois do evento, e os dois passaram a visitar esses colegas também em sala.
Foi nesse ambiente que perceberam como alguns estudantes perdiam o foco com facilidade.
Ayaan lembrou ainda de um amigo dos primeiros anos escolares que levava brinquedos de manipulação e almofadas macias para a cadeira como forma de lidar melhor com o estresse e direcionar a atenção para a aula.
A experiência levou o grupo a questionar a lógica de móveis escolares praticamente iguais para todos.
Yuvaan argumentou que o modelo tradicional de cadeira segue uma abordagem padronizada, embora estudantes neurodivergentes possam apresentar necessidades bastante diferentes de movimento, postura e estímulos sensoriais.
A proposta dos quatro adolescentes foi, então, integrar esses recursos ao próprio mobiliário.
Em vez de depender de objetos que precisam ser levados separadamente para a escola, a cadeira concentraria ferramentas sensoriais em uma única estrutura.
Cubo mágico e brinquedos sensoriais foram parar nos braços da cadeira
A CareChair recebeu uma base mais longa, permitindo ao usuário mudar de posição com maior liberdade, além de fidget toys, cubo mágico, superfícies táteis e componentes sensoriais que podem ser trocados conforme as necessidades de cada estudante.
Os criadores também decidiram produzir os elementos sensoriais a partir de materiais reciclados.
O desenho passou por diversas mudanças durante os dois anos de desenvolvimento.
Nos primeiros conceitos, por exemplo, havia membranas reaproveitadas de teclados instaladas nos apoios de braço e botões distribuídos pelo assento.
A ideia surgiu inicialmente em uma competição do Council of British International Schools que desafiava estudantes a reutilizar equipamentos e componentes antigos.
Depois da competição, o grupo decidiu continuar trabalhando no projeto.
Versões posteriores ganharam aparência mais organizada e recursos mais discretos.
Algumas descrições do produto também citam elementos de borracha com diferentes texturas, áreas destinadas à estimulação tátil e um formato visual inspirado em um urso, pensado para tornar o móvel menos intimidador para crianças.
Centenas de desenhos foram feitos até chegar ao protótipo
Os quatro estudantes dividiram responsabilidades conforme suas habilidades.
Yuvaan assumiu a parte financeira e de negócios, acompanhando custos e tentando evitar que o produto ficasse caro demais para eventual adoção por escolas.
Ayaan tornou-se o principal responsável pelo design e produziu centenas de esboços e diferentes variações do projeto.
Moulik concentrou-se na engenharia, incluindo a criação de modelos tridimensionais.
Atharva contribuiu especialmente a partir da própria experiência: ele foi diagnosticado com TDAH e ajudou o grupo a identificar características que poderiam provocar desconforto sensorial.
Um exemplo ocorreu na própria superfície da cadeira.
Uma versão anterior utilizava madeira com acabamento mais áspero, capaz de produzir uma sensação incômoda ao passar as mãos.
Com base nessa percepção, o grupo passou para uma superfície laminada e mais lisa.
O processo não consistiu simplesmente em acrescentar brinquedos a uma cadeira pronta.
Os estudantes precisaram equilibrar ergonomia, custo, resistência, facilidade de fabricação e necessidades sensoriais, descartando ideias que funcionavam nos desenhos, mas eram difíceis ou caras para construir dentro da escola.
Teste da CareChair na escola indicou melhora de foco
Depois de sucessivos protótipos, a CareChair começou a ser experimentada por estudantes.
O departamento de inclusão da GEMS Wellington International School informou ao The National que testou a cadeira com um aluno diagnosticado com TDAH e transtorno do espectro autista.
Segundo a equipe, houve impacto positivo em sua atenção e regulação emocional, sobretudo durante partes menos estruturadas das aulas.
Outros relatos publicados sobre os testes iniciais afirmaram que usuários apreciaram o espaço adicional para mudar de posição e que os recursos discretos de manipulação ajudaram a direcionar a atenção sem atrair tanto interesse dos colegas.
Professores também relataram redução da inquietação e melhora na participação em determinados momentos.
Essas observações, porém, não demonstram que a cadeira seja um tratamento para TDAH ou autismo.
Os dados divulgados até agora vêm de testes escolares e avaliações observacionais, e não de ensaios científicos controlados com grandes grupos de estudantes.
A CareChair deve ser entendida como uma ferramenta de apoio e adaptação do ambiente de aprendizagem, não como substituta de acompanhamento médico, psicológico, pedagógico ou ocupacional quando esses serviços são necessários.
Brinquedos presos à cadeira podem evitar outra distração
A especialista independente em neurodiversidade Victoria McKeown avaliou o projeto para o The National e destacou uma característica prática: manter os objetos sensoriais incorporados à cadeira reduz a chance de eles serem esquecidos ou perdidos.
Ela também chamou atenção para outro problema comum.
Brinquedos de manipulação levados separadamente para a sala podem despertar a curiosidade de outros alunos, que pedem para pegá-los emprestados e acabam criando uma nova fonte de distração.
Ao integrar esses recursos ao próprio assento, a CareChair tenta tornar o uso mais discreto e individualizado.
McKeown disse que já utilizou até tiras de velcro na parte inferior de mesas para permitir que estudantes movimentassem os dedos sobre uma textura enquanto acompanhavam as atividades.
A lógica é semelhante à utilizada pelos adolescentes: o movimento não precisa necessariamente ser eliminado para que exista concentração; em alguns casos, o ambiente pode ser adaptado para permitir estímulos sensoriais de maneira menos disruptiva.
Estudantes pretendiam levar a CareChair para outras escolas
Quando o projeto foi divulgado em setembro e novembro de 2025, os estudantes já discutiam a possibilidade de ampliar os testes.
Publicações especializadas informaram que havia planos para uma implantação gradual em escolas da Arcadia Education nos Emirados Árabes Unidos, começando pela Arcadia British School, em Jumeirah Village Triangle, e pela Arcadia Global School, em Al Furjan.
A previsão era inicialmente colocar as cadeiras em salas selecionadas e espaços de orientação e apoio aos alunos.
Navin Valrani, executivo da Arcadia Education que orientou os estudantes durante o desenvolvimento, também declarou apoio à expansão da ideia.
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Enquanto isso, os criadores planejavam trabalhar com terapeutas ocupacionais e especialistas em aprendizagem para aperfeiçoar o produto antes de uma eventual fabricação em escala.
O grupo ainda enfrentava uma mudança importante: os quatro terminariam a escola e pretendiam estudar no exterior.
Mesmo assim, disseram que continuariam trabalhando na CareChair durante os intervalos universitários, com apoio da equipe de inclusão da escola.
Conteúdo reproduzido originalmente em: clickpetroleoegas por Ana Alice.

